quarta-feira, 30 de novembro de 2011

29. 押忍 Oss, Ôs, Ossi ou Osu?


Nunca um assunto veio em tão boa hora como este!
Depois dos posts a respeito de transcrição fonética e os erros - desde associações infelizes de ideias a erros mesmo grosseiros de falta de pesquisa - aqui está um exemplo onde tudo isso pode ser visto!
Autores, instrutores, "mestres", senseis (com "s" no final), curiosos etc.. Enfim, "todo mundo" acha que tem algo a dizer sobre o assunto, mas raros são aqueles que acham que deveriam pesquisar e estudar o assunto. antes de publicar opiniões que - na maioria dos casos - são completamente disparatadas.
Alguns afirmam que é uma contração da palavra "Ohayō gozaimasu" ("Bom dia!"), outros dizem que "foi assim que os seus mestres disseram que era" e tantas outras tolices que advém da falta de estudo efetivo... mas NENHUMA destas pessoas - férteis em idéias - parou alguns minutos para pesquisar o assunto em questão. E não pararam para pesquisar ou questionar por puro e duro comodismo! 
Volto a dizer: se uma pessoa não é instrutora, não há qualquer problema quanto a não pesquisar coisa alguma. 
Mas se alguém se entitula "instrutor", "treinador" ou "sensei", não sabe as matérias que deveria dominar e - para colocar a situação ainda mais no fundo do poço - não se dá ao trabalho de pesquisar e tirar dúvidas a respeito do que ensina, então, honestamente, não deveria ter nenhum dos títulos acima mencionados... 
Mas uma coisa é teoria, outra coisa é prática no ensino das vias marciais.
Como já é o costume, então, vamos ver <Significado da expressão e comentários explicativos>, mas desta vez vamos ver ponto a ponto para que não fiquem dúvidas.
1º ponto: Quando escrita em japonês, esta expressão é composta por dois Kanji (ideogramas): 
押忍.
2º ponto: Como os Kanji não oferecem qualquer pista a respeito de como são escritas as palavras usando o nosso alfabeto (pistas cruciais para se poder fazer uma "romanização" ou transcrição fonética oficial japonesa) é necessário saber COMO os ideogramas são escritos em silabários. Portanto, vou passar os Kanji (ideogramas) para Kana (silabários). 
3º ponto: Quando escrita em Kana, esta é composta por dois caracteres: おす ("O" e "SU" respectivamente.
Já fica clara qual é a transcrição fonética correta. OSU.
Mas... (sempre tem um "mas") o que a maioria não sabe (por motivos já mencionados) é que o "u" final das palavras japonesas "geralmente" é mudo (não se pronuncia). 
Ou seja, mesmo que a transcrição fonética correta seja "Osu", pronunciamos "ôs"! 
(^_^) Menos mal, hein?! A "coisa" então não está tão mal, como apontariam alguns!
Assim, ao FALAR dizemos "Oss", "Ôs" (mas NUNCA "Ossi" - esse está mesmo "fora de questão"!)... e escrevemos OSU!
Acredito que agora não restem dúvidas sobre a forma correta desta palavra, tanto escrita quanto falada.
押忍 Osu!
(^_^)

28. Maldita barrinha!


No meu "post" anterior entitulado "Kyū, Mukyū ou Shoshinsha?", alguns leitores podem ter ficado a se perguntar: "Mas que raio de barra é aquela sobre a letra "u"?!"

Pois bem. Para entender essa "barra" faz-se necessária uma rápida introdução aos sistemas de transcrição fonética japoneses (ou processos de "Romanização" das palavras japonesas).

Como é do conhecimento geral, os japoneses escrevem em japonês!

Até aí, não é preciso ser bruxo para constatar o óbvio!

Calma! Se isso fosse assim tão óbvio, não haveria necessidade de ter de explicar a "maldita barra" sobre a vogal "u"... pois todos já saberiam o porquê de utilizá-la.

Continuando... os japoneses escrevem em japonês... utilizando um conjunto de ideogramas   chamados KANJI 漢字 (literalmente "letras chinesas" - originalmente rondam os 60.000 caracteres e um único caracter pode ter de 1 a 52 traços) e dois grupos de silabários chamados KANA 仮名 (atualmente com 48 caracteres cada). 

[Não vou entrar em detalhes porque isso não interessa à maioria dos ocidentais.]

Pois bem. Se eles usam Kanji e Kana para escrever, como é que nós ocidentais representamos  as palavras japonesas usando o nosso alfabeto?

Para 99,99% dos ocidentais, isso faz-se através das transcrições diretas das palavras japonesas que "ouvimos", sem qualquer método oficial que as fundamente.

É aqui que a bagunça, os disparates, os erros, as tretas, as informações dúbias etc. estão generalizados! Porque cada um escreve como "acha que tem de ser", sem se importarem em pesquisar minimamente a fim de que a informação que transmitem sejam fidedignas.
Mas qualquer pessoa que queira transcrever as palavras japonesas utilizando o nosso alfabeto de 26 letras - e seja séria a respeito da informação que quer transmitir - deve optar por algum sistema "OFICIAL" de transcrição fonética japonesa (pois existem alguns).

Para nós - ocidentais - o sistema que melhor se adapta às nossas necessidades é o sistema Hepburn [não me vou prolongar muito porque qualquer pessoa pode fazer uma busca na internet e encontrar TUDO sobre sistemas de romanização - basta que tenha interesse em aprender e fazer uma busca por "Hepburn"]. E por quê? Porque ele transcreve as vogais longas japonesas utilizando um acento chamado "Mácron" - aquela barra em cima da vogal. Vamos ver alguns exemplos de transcrição oficial corretas em se tratando de nomes de estilos de Karate: 剛柔流 - Gōjū-Ryū, 松濤館 - Shōtōkan, 和道流 - Wadō-Ryū, 糸東流 - Shitō-Ryū e, naturalmente, o próprio 空手道 - Karate-dō. Porque TODAS estas palavras apresentam vogais longas quando escritas em japonês. Portanto, para uma "romanização" correta da palavra japonesa deve-se respeitar o que foi escrito originalmente e não "inventar" transcrições particulares.

"E isso é importante?"
Sim, porque - em primeiro lugar - obedece a um sistema "oficial" de transcrição das palavras japonesas usando o nosso alfabeto e não transcrições "ao calhas" que deixam muito a desejar em se tratando de tradução efetiva de palavras, expressões e conceitos. Em segundo lugar, apresenta informação fidedigna para aqueles que buscam o conhecimento fundamentado e pesquisado; e - em terceiro lugar - valida o esforço gasto em aprender com o reconhecimento de uma transcrição correta.

"Mas eu sempre fiz assim..."
Ter "sempre feito assim" não quer dizer que tenha feito certo.

"Mas nos livros do meu estilo é assim que se faz ou é assim que está escrito..."
A grande realidade é que o Instituto Kōdōkan de Jūdō, a Zen Nippon Karate-dō Renmei (JKF) ou qualquer outra entidade de vias marciais nunca foram, não são e possivelmente nunca venham a ser qualquer autoridade a nível linguístico japonês e, portanto, muitas vezes publicam obras sem qualquer fundamento em se tratando de transcrição fonética. E o fazem basicamente porque eles não precisam se preocupar em fazer certo aos olhos ocidentais, porque sendo "japoneses" usam o próprio idioma a nível local. Quanto às obras publicadas no Japão destinada aos "outros", isso já é uma outra história...


Isso serve também para a ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - citada por um indivíduo para justificar uma transcrição fonética errada. A ABNT nunca foi, não é e possivelmente nunca venha a ser qualquer autoridade a respeito da língua japonesa.


Da mesma forma que não entramos num curso de corte e costura para aprender Karate, não entramos numa escola de Karate para aprender japonês. Se quisermos fundamentar o assunto "idioma japonês" ou "métodos de transcrição fonètica" procuremos as obras da Fundação Japão que é uma autoridade linguística.


Assim, a "madita barrinha" sobre as vogais obedece a um sistema de transcrição fonético oficial da língua japonesa. É a forma oficial e correta de se transcrever as palavras japonesas com o nosso alfabeto.


"Mas o meu teclado não tem esse acento!"
Não há problema! O Mácron pode ser substituido pelo acento circunflexo (" ^ ") sem prejuízo de correção de informação.
空手道 - Karate-Dō ou Karate-Dô.
剛柔流 - Gōjū-Ryū ou Gôjû-Ryû. 
松濤館 - Shōtōkan ou Shôtôkan. 
和道流 - Wadō-Ryū ou Wadô-Ryû. 
糸東流 - Shitō-Ryū ou Shitô-Ryû.

"Mas se eu quiser publicar algo, sou obrigado a usar esse acento?"
Não. Ninguém é obrigado a fazer o que não quer. É só uma questão de apresentar informação correta e verificável. Se alguém quiser apresentar informação definitivamente "não fundamentada", deve estar plenamente consciente das críticas negativas que o seu trabalho possa vir a receber. 


"Mas já há muita coisa escrita no meu estilo e mudar dá muito trabalho."
A questão é: quer continuar a difundir informação errada ou já é hora de colocar informação fundamentada? Não se esqueça de que "o que tem para mudar" foi informação passada de forma errada, sem pesquisa e transmitida como sendo certa. "Mudar da muito trabalho." Sim, dá. Mas foi por pensar assim, por comodismo que as coisas chegaram ao estado que estão.


(^_^)

27. Kyū, Mukyū ou Shoshinsha?


Uma questão que parece não ter solução à vista é a questão sobre a faixa branca ser ou não um Kyū. Por isso, vamos ver a que se refere o termo Kyū e verificar se sua aplicação é ou não válida em se tratando de graduação.
Eu vou dar dois motivos por que a faixa branca NÃO é um Kyū.
Em primeiro lugar - como é o costume - vamos ver o que significa Kyū.
級 "Classe / grau".
On'yomi: Kyū.
Nanori: Shina.
*** Para aqueles que seguem os meus "posts" a mais tempo, podem agora dizer: "Oooooo quêêê?! Este ideograma não tem Kun'yomi?!" Pois! Este ideograma NÃO tem Kun'yomi. ***
No contexto do Karate, Kyū é traduzido como "classe" ou "grau".
Passemos agora aos motivos propriamente ditos!  (^_^)
1º Motivo:
Para explicar este motivo, vou dar um exemplo bastante simples: suponhamos que alguém vai passar de 2º Kyū para 1º Kyū... Qual é a condição indispensável?
Exatamente! Um EXAME! E se a condição indispensável para se obter uma "classe" ou "grau" é um "exame" e uma vez que um faixa branca ainda não fez qualquer exame para usar a referida faixa, naturalmente não recebe qualquer "classe" ou "grau".
2º Motivo (o "melhor" sempre guardamos para o fim) (^_^):
No Japão a faixa branca NÃO é considerada um Kyū. 
Para se referir aos faixas brancas, os japoneses usam dois termos específicos: Mukyū 無級 e Shoshinsha 初心者, "Sem grau" e "Iniciante" respectivamente. Onde:
Mukyū - "Sem grau", "Sem classe".
無 - Mu - Sem, não ter, não haver.
級 - Kyū - Classe, grau.
Shoshinsha - "Pessoa com o espírito inicial (iniciante)".
初 - SHO - Inicial, início. (É o mesmo usado em Shodan.)
心 - SHIN - Espírito.
者 - SHA - Pessoa
Portanto, fica bastante claro que a faixa branca não é Kyū.
(^_^)

terça-feira, 29 de novembro de 2011

26. 道場 O Dōjō.

道場 O DŌJŌ .
Um Dōjō divide-se em quatro partes distintas:
1. 上座 KAMIZA "Assento Superior".
2. 下座 SHIMOZA "Assento Inferior".
3. 上席 JŌSEKI "Lugar Superior".
4. 下席 SHIMOZEKI "Lugar Inferior".
Notas:
1. KAMIZA É onde senta o Instrutor e os seus convidados.
2. SHIMOZA é o local onde os alunos sentam. 
O aluno mais graduado senta-se mais à esquerda do Instrutor. 
O aluno menos graduado senta-se mais direita do Instrutor.
3. Quando existir(em) "Instrutor(es) auxiliar(es)", estes sentam-se no JŌSEKI
Se alguém for chamado para demonstrar alguma técnica com o instrutor ou quando nada estiver a ser feito, o aluno chamado senta-se no JŌSEKI.
4. Quando não houver espaço no SHIMOZA, os alunos menos graduados sentam-se no SHIMOZEKI

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

25. O que é ser Senpai?


No mundo das artes marciais, o emprego de termos japoneses sem o conhecimento efetivo a respeito do seu significado e ou utilização sempre levou (e ainda leva) alguns instrutores ou praticantes a erros que poderiam ser facilmente evitados. 
Este é o caso do termo SENPAI 先輩.
Inúmeros são os instrutores que “adoram” usar a palavra “SENPAI” referindo-se aos “faixas pretas” ou “estudantes seniores” e isso acontece porque estes instrutores “convencionaram” que o termo SENPAI refere-se apenas aos alunos antigos dentro de um Dōjō.
Ao falar sobre SENPAI é OBRIGATÓRIO falar em KŌHAI, pois o termo SENPAI não é um título, SENPAI / KŌHAI é uma relação!
Vamos primeiro entender a que os termos se referem:
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Senpai 先輩 - "sênior" (em um grupo).
先 "Antes, prévio, previamente, precedente"
On'yomi: SEN (o mesmo ideograma usado na palavra Sensei.)
Kun'yomi: SAKI, MAZU.
Nanori: PON.
輩 "Camarada, companheiro"
On'yomi: HAI.
Kun'yomi: -BARA, YAKARA, YAKAI, TOMOGARA.
Senpai: "O companheiro que começou antes (de mim)."
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Kōhai 後輩 - "junior" (em um grupo).
後 "depois, posteriormente"
On'yomi: GO, KŌ.
Kun'yomi: NOCHI, USHIRO, ATO, OKU(RERU).
Nanori: KOSHI, SHI, SHII, SHIRI.
輩 "Camarada, companheiro"
On'yomi: HAI.
Kun'yomi: -BARA, YAKARA, YAKAI, TOMOGARA.
Kōhai: "O companheiro que começou depois (de mim)."
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Assim sendo, o Senpai é um estudante sênior (designado pelo Sensei) que se torna responsável por um ou mais estudantes para ensinar-lhes informações básicas sobre o estilo ou escola de Karate.
A relação SENPAI / KŌHAI dentro de um dōjō é mais conhecida a nível japonês como a relação “irmão mais velho / irmão mais novo”, onde o “irmão mais velho” é responsável pela educação do “irmão mais novo” e é desta forma que deveria ser encarado dentro das escolas de vias marciais ocidentais. Ou seja, um Senpai encarregado de um ou mais estudantes.
Vamos ver agora, com um pouco mais de profundidade, como isso é feito dentro de um Dōjō:
Para começar, o Sensei atribui a um (ou mais) estudante(s) mais antigo(s) a responsabilidade de supervisionar um, dois ou - no máximo - três alunos mais novos. 
O aluno mais antigo que assume esta responsabilidade passa a ser um Senpai. enquanto que os mais novos passam a ser os Kōhai.
A função do Senpai e supervisionar o desenvolvimento básico - teórico e prático - dos Kōhai (novos alunos) sob sua responsabilidade. 
Atenção neste ponto: O Senpai é sempre responsabilizado pelo desenvolvimento dos alunos sob a sua supervisão. Ou seja, a sua capacidade de transmissão dos conhecimentos básicos do Dōjō estão sempre a ser avaliados - constantemente - o que pode fazer com que tal responsabilidade seja, em alguns casos, bastante exigente. 
Mesmo assim, esse tipo de relação é extremamente benéfica para o Senpai, porque serve como preparação para as responsabilidades de ser um futuro instrutor, assumindo - em menor escala - todas as funções de um Sensei. 
Isso faz com que os Senpai ganhem experiência de instrução, sob a supervisão directa do Sensei - o qual poderá avaliar, corrigir e ajudar o Senpai na tarefa de instruir os alunos mais novos. O que leva a acção de formação continuada do aluno mais antigo a níveis muito mais elevados.
Além disso, liberta o Sensei da responsabilidade directa do grupo de alunos mais novos, uma vez que toda a instrução terá um Senpai como intermediário. 
Desnecessário dizer que o Senpai é responsável - numa primeira avaliação - pelos bons ou maus desenpenhos dos alunos sob a sua supervisão... 
Há algum problema quanto a isso?! Ser responsável e responsabilizado, quero dizer.
Claro que não! Não há qualquer problema, porque é justamente isso que o espera como futuro Sensei. (Ninguém disse que ser Sensei era fácil!)
Esta seria - de forma ideal e bastante geral - as funções de um Senpai com relação aos seus Kōhai. Contudo, na maioria dos casos, isto não acontece nas escolas ocidentais onde uns poucos SENPAI são conhecidos pelos outros alunos, mas nenhum KŌHAI respectivo é atribuido aos mesmos... 
(^_^)

24. Os BUJUTSU Tradicionais.


23. As Bases Filosóficas.


22. O que é ser Sensei?


Bem. Se falarmos de Vias Marciais japonesas e do Karate em particular, a primeira palavra que vem à mente é SENSEI! Acredito que seja a segunda palavra mais conhecida por pessoas que não praticam qualquer via marcial, naturalmente, depois da própria palavra "Karate".

Mas, mesmo dentro dos Dôjô de Karate, não são muitas pessoas que realmente sabem o seu  verdadeiro significado.

"Mestre" para uns e "instrutor" para outros, muitas são as definições para esta palavra japonesa. Existem pessoas que associam a palavra Sensei unicamente às Vias Marciais. 

Mas todos estes conceitos estão errados no sentido "literal", na "ideia" transmitida pelos ideogramas que expressam esta palavra.

Ooooook... Neste ponto, alguns já estão ficando escandalizados!

Permitam-me então, introduzir o conceito de Sensei e levantar algumas considerações a serem debatidas.

Em primeiro lugar, vamos entender o que significa a palavra Sensei.

A palavra Sensei 先生, como se pode ver, é composta por dois KANJI ("ideogramas"). Onde:

先 "antes, previamente, precedente"
On'yomi - SEN
Kun'yomi - SAKI, MAZU
Nanori - PON

生 "nascer, viver, vida"
On'yomi - SEI, SHÔ
Kun'yomi - IKIRU, IKASU, IKERU, UMARE, UMARERU, UMU, OU, HAERU, HAYASU, KI, NAMA,  NARU, NASU, MUSU, -U.
Nanori - ASA, IKI, IKU, IKE, UBU, UMAI, E, OI, GYÛ, KURUMI, GOSE, SA, JÔ, SUGI, SO, SÔ, CHIRU, NABA, NIU, NYÛ, FU, MI, MÔ, YOI, RYÛ

Assim, a tradução literal para o termo Sensei é "Aquele que nasceu antes".

Particularmente no mundo das vias marciais e Karate, a palavra Sensei tem o sentido de "Aquele que começou a treinar antes".

É aqui que as coisas ficam interessantes!

O que signigica "Aquele que começou antes"?

Sem muito trabalho mental, significa isto mesmo, "alguém que tenha começado a treinar antes de outra pessoa". Mas vamos lá ver... Como podemos saber se uma pessoa começou a treinar "antes de outra"?

Dentro de um ambiente controlado de um Dôjô em particular isso é muito fácil! Todos conhecem todos e sabem naturalmente quem começou "antes".

Contudo, se formos analisar todo o universo de escolas de karate que existem no ocidente... quem é que começou antes? Isso é impossível de determinar! Portanto, o tratamento por "Sensei" por parte de elementos de Dôjô distintos pode se revelar um tanto impraticável.

O que nos leva a uma conclusão pateticamente simples: 

SER SENSEI NÃO TEM ABSOLUTAMENTE NADA A VER COM A COR DA FAIXA!

Pois é, meus amigos! A palavra Sensei não tem nada a ver com um praticante ter ou não a faixa preta!

Horrorizados? (^_^)

Agora vamos exercitar uma qualidade espetacular... vamos "pensar" um pouquinho.

Imagine a seguinte siituação: uma pessoa que entra em um determinado Dôjô e, por razões pessoais, decide NÃO graduar. Neste mesmo Dôjô, outros que entram depois dele fazem as graduações nos tempos normais e tornam-se faixas pretas... Quem é o Sensei neste Dôjô?!

BINGO! O praticante que "começou antes"!!!

Mas, naturalmente, isto é a aplicação directa do conceito Sensei!

(^_^) Não vamos ser radicais!

Mas é sempre bom lembrar que - acima de tudo - já SABEMOS o que significa o termo Sensei e sua aplicação.

Nós, ocidentais, temos uma tendência a atribuir ao termo Sensei traduções como "mestre", "instrutor", "professor" etc.. Não há problema algum quanto a isso, pois é desta forma que os japoneses usam este termo também... 

Mas... atenção! Sensei não é uma palavra exclusiva das Vias Marciais! 

No Japão, pode-se utilizar este termo para indicar respeito por alguém (quer por posição hierárquica quer por simples educação) como quando nos referimos a um professor, um médico, um advogado... É quando nos referimos aqui no ocidente a um agente da autoridade por "Seu doutor!"

Para comprovar isso, aqui em Portugal há alguns anos atrás, havia uma série animada na televisão no Canal Panda cujo título era: 

FABURU SENSEI WA MEITANTEI - ファブル先生は名探偵
"O 'Sensei' Fabre é um grande detective". 

Ou seja, aqui foi usado como ênfase à sua capacidade de resolver mistérios.

Portanto, para contexto da prática do Karate contemporânea, ser Sensei implica - sem misticismos - nada mais do que ser um "bom professor", versado tanto na prática como na teoria do Karate que ensina... 

E, colocadas as coisas nestes termos, quantos podem mesmo ser tratados como Sensei?

(^_^)

Nota importante: Em japonês FALADO, pronuncia-se Sensei como SENSÊ
Mas isso NÃO se aplica ao japonês ESCRITO, onde a palavra deverá ser SEMPRE grafada como Sensei.

domingo, 27 de novembro de 2011

21. Símbolos Japoneses.


SÍMBOLOS JAPONESES

1. NISSHŌKI / HI NO MARU - "Círculo Solar" - A bandeira Nacional do Japão 

2. KYOKU-JITSU-KI - "Bandeira do Sol Nascente" - Bandeira Japonesa Naval de Guerra.
3. HACHIJŌ KYOKU-JITSU-KI - "Bandeira do Sol Nascente com Oito Listras". 
4. YATA NO KAGAMI - Símbolo do Jūdō.
5. ŌKA / SAKURABANA - Flor de Cerejeira.



A razão para pôr esta entrada foi a de fornecer informação correcta para instrutores ocidentais sobre os símbolos japoneses e suas utilizações.

Tenho visto inúmeros "enganos" quando as pessoas criam logotipos para as suas escolas e, dependendo do símbolo usado, o significado do logotipo pode variar.

Vejamos dois enganos muito comuns:
A - Usar KYOKU-JITSU-KI (2) - a bandeira de guerrra naval como logo (O sol vermelho com 16 listras).

O uso deste símbolo foi interrompido como parte do Tratado de São Francisco até 10 de Junho de 1954, quando foi readoptado Pela Força de Auto-Defesa Marítima Japonesa.

Este símbolo evoca memórias da Segunda Guerra Mundial e não é uma boa escolha para ser colocado num logo.

Por razões históricas e informação actualizada, neste caso, o melhor é isar o HACHIJŌ KYOKUJITSUKI, o sol vermelho com 8 listras.

B - Usar ŌKA (5) ao invés do YATA NO KAGAMI para referir-se ao Jūdō. O símbolo do Jūdō tem, obrigatoriamente, OITO lados.

A flor de cerejeira - como símbolo - era usada pelas antigas escolas de Jūjutsu e tem CINCO lados (pétalas).

20. Linhagens do Karate.

NAHATE

SHURITE

TOMARITE

19. Aos autores de livros.


提灯に釣り鐘 
"Chôchin ni tsurigane." 
"You can't tell a book by its cover."
"Não se pode julgar um livro pela capa."

É um provérbio conhecido mundialmente, e aceite por todos, mas será que este provérbio pode ser aplicado à realidade dos livros, sites, artigos publicados a respeito de karate?

Acredito que - ao contrário do que afirma o provérbio acima - podemos, sem sombra de dúvidas, julgar uma obra, um "site", livros ou revista referente ao Karate apenas ao olhar a capa desta publicação.

Gosto particularmente de falar de experiências reais, pois elas são reais (^_^)! 
Por isso vou comentar um caso que ocorreu comigo e que confirma o que eu estou a dizer a respeito de julgar um livro ao olhar a sua capa.

Há alguns anos atrás estava na casa de um organizador de um estágio internacional de Karate a conversar com o mestre japonês que havia vindo para ministrar o estágio. Como o organizador do evento é uma pessoa que tem uma biblioteca particular interessante a respeito de Karate, estávamos a ver alguns livros. De repente o mestre diz: 

- Isto está errado! Apontando para a capa de um dos livros.

Realmente, um dos ideogramas que indicavam o nome do estilo estava mesmo mal escrito, faltava um traço no ideograma.

Para um autor ocidental, um traço a mais ou a menos num ideograma japonês não tem a menor importância.

Mas para uma outra pessoa que tenha mais conhecimento sobre o assunto publicado, a situação será mesmo assim?

É natural esperar que um autor que vá publicar algo sobre karate tenha - no mínimo - conhecimento efetivo sobre a matéria sobre a qual pretende expor o seu conhecimento.
Contudo, o Karate contemporâneo  tem uma história complexa e um vocabulário de palavras japonesas bastante extenso.

Qualquer autor de artigos sobre Karate tem de ter os seguintes aspectos em mente:

1. Utilização (ou não) de ideogramas e silabários japoneses.
Conheço casos de editoras que se recusam a publicar obras com caracteres japoneses. Por isso é importante a qualquer autor verificar previamente com a editora a possibilidade para tal. Decidido pela publicação do artigo/livro com caracteres japoneses, o autor - após revisão - deve certificar-se de que todos os caracteres estão bem escritos.

2 - Trancrição fonética oficial dos ideogramas e silabários japoneses.
Uma coisa é usar os caracteres japoneses, outra é transcrever as palavras japonesas usando o nosso alfabeto de 26 letras. É aqui que mais de 95% do trabalhos publicados mundialmente podem ser colocados no lixo!

Existem sistemas "oficiais" de transcrição fonética japonesa que devem ser utilizados pelos autores para escrever palavras japonesas usando as letras do nosso alfabeto, principalmente se o trabalho destina-se a ser lido por muitas outras pessoas, cujo conhecimento pode ser menor ou maior do que o conhecimento do autor da referida obra. 

Contudo, alguns autores, no impulso de ver difundido o seu “conhecimento”, não se dão ao trabalho de verificar se a informação que está a publicar está correta e difundem aquilo que "julgam" estar correto, o que poderá ou não ser válido em nível de transmissão do conhecimento. E é desta forma que os erros vão passando de geração em geração. 

É tão básico como: "aquilo que não está certo, está errado"... é como o próprio Karate: ou se sabe ou não se sabe. 

E antes que alguém já comece a invertar desculpas... Não! Não há desculpa para a falta de pesquisa em se tratando de publicação de trabalhos! Se não se sabe, não se faz!

 No mundo marcial são incontáveis as fontes... mas nem todas são de confiança e muitas apresentam informações muitíssimo questionáveis. Apenas procurando, perguntando e questionando é que podemos realmente "aprender" as artes que praticamos. 

Copiar faz bem nos primeiros passos de qualquer arte, mas não podemos nos acomodar e manter esta postura se quisermos realmente saber a arte que praticamos ou ensinamos.

Autores sérios fazem trabalhos sérios, o resto... não passa disto mesmo: resto!



Assim sendo, todos os autores (e autoras) têm apenas três escolhas possíveis:



1. Usar um sistema de romanização (transcrição) oficial.

2. Advertir que o autor(a) não irá utilizar intencionalmente nenhum sistema de romanização (de transcrição fonética).

3. Escrever de qualquer jeito as palavras japonesas sem uma pesquisa prévia ou advertência aos leitores sobre a falta de um processo de transcrição fonética.

Resultados de acordo com a escolha feita:

Primeira escolha: Este é considerado um bom trabalho porque o autor fez um esforço e apresentou informação correta aos leitores. Independente da qualidade geral do trabalho, o autor definitivamente fez uma pesquisa válida e colocou-a no seu trabalho. É o tipo de esforço que é apreciado por todos que entendem o valor do "esforço" pessoal.

Segunda escolha: Neste caso o autor escreve no início do seu trabalho a seguinte advertência aos leitores: "Intencionalmente, nenhum sistema de romanização da escrita japonesa foi utilizado”. Isto torna o trabalho aceitável, porque o autor informa que não irá utilizar nenhum sistema de romanização (por alguma razão). 

O autor pode não estar muito seguro sobre a utilização de um método de romanização ou também pode não ser culpa do autor a não inclusão das transcrições fonéticas: alguns editores simplesmente não aceitam a inserção de "macron" ou escrita japonesa nos títulos que irão publicar, fazendo com que o valor da obra do autor e o conhecimento nela contido seja diminuído. 

Nesta categoria nós encontramos, por exemplo, e Do

A transcrição fonética japonesa correta é "", enquanto que a forma mais conhecida é "Do". 
Vamos ver este caso em particular a fim de dar uma visão geral a respeito do assunto.

Em ideogramas, a palavra Dō é escrita da seguinte maneira: 道.

Mas os ideogramas não dão a menor referência a respeito de como deve ser a transcrição fonética, assim, devemos escrever a mesma palavra usando os silabários japoneses. neste caso, a palavra Dō é escrita da seguinte maneira: どう

Agora sim!, podemos decompor a palavra e saber como transcrevê-la com o nosso alfabeto.

Decompondo:
Do
u

DOU?! Sim! Existem sistemas de transcrição fonética que fazem a transcrição desta maneira. Contudo, no sistema Hepburn de transcrição, aquele "u" excedente (usado para indicar vogal longa) passa a ser indicado através de uma barra (ou acento circunflexo) sobre a vogal anterior.

Consequentemente:
Dou = Dō "Via, Caminho".

Se não tivesse uma forma de identificar as vogais longas, a tradução da palavra DO (sem "acentuação") significa " solo, terra, graus, ocorrência, tempo" etc.. (^_^)


A pergunta agora é: "E como é que eu sei isso?"
Se não quiser aprender japonês, basta que pergunte para alguém que saiba.
Para que servem os estágios com mestres japoneses? Exatamente: para tirar dúvidas!

Voltando ao assunto... Usando uma linha de advertência, o autor diz que - mesmo sabendo a forma correta - a fim de alcançar a todos os níveis de conhecimento dos leitores, prefere utilizar a forma mais conhecida. O que faz com que o trabalho esteja correto. 

Alguém perguntaria: "A romanização está correta?" 
A resposta é "Não".

Mas "O trabalho está tecnicamente correto?" 
A resposta é "Sim".

Terceira escolha: Independente da qualidade do trabalho (boa ou má) este trabalho será sempre considerado "mau", porque induz o leitor a acreditar que as palavras japonesas estão corretamente escritas quando, de fato, elas não estão.

Parece, à primeira vista, que o autor não se deu ao trabalho de saber a forma correta de apresentar as suas idéias aos leitores e não levou muito a sério o seu próprio trabalho.

Basicamente, para qualquer pessoa que sabe o que é "esforço", este é um daqueles  trabalhos que pode ir diretamente para o lixo.

Assim sendo, pode-se com certeza julgar um livro pela capa em se tratando de Karate, porque um livro atinge todas as camadas e graus de conhecimento humano. Pode atingir um público que saibe menos, tanto ou mais do que nós.

Assim, meus amigos, muita atenção com o que publicam!

18. O que é ser Shodan?

Ah! A primeira faixa preta![1]

Este é um assunto bastante engraçado, quero dizer, a falta de compreensão a respeito do mesmo no mundo do Karatedô faz com que este assunto assuma proporções inimagináveis.

Fábulas, contos, misticismos sobre atingir a tão cobiçada faixa estão amplamente difundidos pelos quatro cantos do planeta. 

Coloca-se, pois, a seguinte questão: será que a primeira faixa preta merece tal atenção?

Na realidade, não! 

Mas até chegar a esta conclusão, é necessário "entender" o assunto antes de difundir disparates. 

Em primeiro lugar, vamos entender o que significa a palavra Shodan 初段.

Para os instrutores de Karate ocidentais, não para "todos", mas para aproximadamente 99,99% destes, a primeira faixa preta representa um "ritual de passagem" de um aprendiz com faixa colorida para o mundo dos "senseis" (coloquei "s" no final da palavra propositadamente - sabendo que palavras japonesas não têm plural) !

[Essa história de qualquer um que obtenha uma faixa preta ser "automaticamente" instrutor também é um outro assunto que deveria ser amplamente debatido. Mas não vai ser neste artigo.]

Este "ritual de passagem" exige ao 1º Kyû que este saiba tudo (ou quase tudo) a respeito da parte técnica da arte que pratica, analisada quase à perfeição. [Atenção às palavras "parte técnica", pois a "parte teórica" nunca é verificada com o mesmo grau de exigência... por que será?] Após um exame "tecnicamente" exaustivo o novo faixa preta é admitido no mundo dos "senseis".

Isso tudo seria válido se correspondesse à realidade do ensino do Karate. Mas não é.

A palavra japonesa "Shodan 初段" significa literalmente "Nivel inicial", onde:

初 SHO - Início, principio.
段 DAN - Nível.

Não precisa ser nenhum gênio para concluir que a tradução aponta para o que deve ser tal graduação. "Shodan 初段" significa "Nível inicial" e não "1º Dan".

O que significa, então, "nível inicial"?

Significa que o praticante está apto para começar no estilo de Karatedô que escolheu.

Mas o que significa "estar apto" em se tratando de Karate?

"Estar apto" - neste caso - significa que detém os conhecimentos elementares que o habilitam a começar numa prática continuada do estilo de Karate que escolheu.

É justamente isso que os ocidentais não são capazes de entender, isto é, "começar" no Karate vindo de um período preparatório (fase de faixas coloridas) é um processo gradual contínuo e não um "ritual de passagem". O 1º Kyû é reconhecido como tendo os conhecimentos BÁSICOS necessários para "iniciar a sua prática". Por isso que a primeira faixa preta chama-se "Nível inicial". 

No Japão, a primeira faixa preta não têm esse grau de importância que podemos ver no ocidente, por outro lado, as seguintes graduações de Dan japoneses são cada vez mais exigentes - sem exceção! O exame para 2º Dan é muito exigente, o exame para 3º Dan é muitíssimo exigente e assim por diante. 

Esta diferença de importância da faixa preta faz com que se veja "um início como um fim", isto é, quando na realidade a primeira faixa preta deveria ser vista como um "início do Karate como arte marcial (Shodan)", passa a ser "um fim a ser atingido (1º Dan)". 
Notaram a diferença entre "Shodan" e "1º Dan"? Enquanto que Shodan é um "início", "1º Dan" é um fim.

A primeira faixa preta tem a mesma importãncia que a faixa castanha (marrom), tem a mesma importãncia que a faixa azul, tem a mesma importancia que... ... ... (nota: a colocação de reticências repetidas está ortograficamente errada, mas servem ao meu propósito de mostrar que ela é tão importante quanto qualquer outra faixa que o praticante atingiu anteriormente - porque todas as faixas que o praticante conseguiu ao longo da sua vida de treino marcial são a sua própria expressão em "Karate" - desde o primeiro dia que pisou dentro de um Dôjô)  porque as graduações como evolução radual são algo natural.

Assim sendo, é necessário que todos os instrutores entendam verdadeiramente os conceitos mais elementares do Karate - neste caso, o que significa o termo Shodan - e que tenham sempre em mente que o Karate, como a própria vida, segue o seu curso natural.  As passagens do primeiro dia de vida, para fase de bebê, para fase adolescente, para fase adulta, para fase idosa e, por fim, para morte seguem o curso natural. Da mesma forma, as fases de Mudansha para Yûdansha seguem o mesmo curso natural. 

Portanto, esse "ritual de transformação daqueles que não sabiam nada para o mundo dos senseis" é um processo irracional. 

"Mas o meu mestre disse que..." alguns podem agora estar a argumentar.

O cérebro não serve apenas para separar as orelhas! Ele também é usado para uma atividade muito interessante: PENSAR!

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[1] Permitam-me uma rápida consideração a respeito de cinto ou faixa
Aqui em Portugal, ao segmento de tecido utilizado para fechar o Karatedô-gi chama-se "cinto". No Brasil chama-se "faixa". Usando um raciocínio bastante lógico, "cinto" serve para segurar as calças - o que não é o caso do segmento em questão, pois as "calças" do Karatedô-gi, conhecidas por Shitabaki possuem um cordão para este fim, chamado SHITABAKI NO HIMO 下履の紐Por outro lado, as roupas tradicionais japonesas eram fechadas com uma faixa. Assim, acho que faz mais sentido usar o termo faixa do que usar o termo cinto e, por isso, a partir de agora passo a referir-me a esta peça do karatedô-gi como "faixa", mesmo que em Portugal o termo seja "cinto".