quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

30. Especialista em Karate?



Vou hoje falar sobre outro conceito japonês que às vezes é mal interpretado. Este é o caso do sufixo japonês colocado após o nome de alguma via marcial.



Karateka e praticante de Karate são dois conceitos que aparentemente indicam a mesma coisa e são facilmente confundidos em publicações, sites, etc.. Mas, na realidade há uma diferença abismal entre ambos.


Não sei se notaram, mas o sufixo KA 家 após a palavra Karate identifica - a nível de idioma japonês - alguém que seja um "especialista". 

Portanto, quando dizemos que alguém é um Karateka 空手家 estamos literalmente a nos referir a uma pessoa que é "especialista em Karate".


Note-se que este sufixo não é exclusivo o Karate... Também é visto em outras vias marciais, tais como: Jūdō, Kendō, Aikidō, Kyūdō, Kobudō, etc.. 



A questão agora é: o que é um especialista em Karate?



Por definição, "Especialista é uma pessoa que se dedica a um ramo de determinada ciência, técnica ou arte e sobre o qual tem profundo conhecimento".



Assim, apenas para reflexão, somos Karateka (especialistas em Karate) ou meros praticantes de Karate?

5 comentários:

  1. Vou-me atrever a responder...

    Somos meros praticantes de Karaté.

    Um "expert" é algo muito superior a mero praticante.

    Grande abraço"

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  2. Mais uma para desmistificar ... muito bom.

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  3. Caro João:

    Há muitas mais para desmistificar!

    É de saudar o aparecimento deste blog, escrito por um "expert" - este sim! - em língua japonesa.

    Sempre defendi que se soubessemos o nome e o significado dos termos a nossa tarefa, como praticantes e como treinadores, estaria mais facilitada, para além de melhor compreendermos o que fazemos - praticamos. Sempre defendi que os praticantes de Goju - estilo que incorpora algumas projeções, chaves e imobilizações - deveriam treinar com alguém especialista em Judo. Não foi por acaso que durante dois anos treinei com o Manuel Pinto (penso que agora é 4º Dan) para não andar a executar as projeções do modo como nos eram "vendidas" por "curiosos" na matéria".

    Só a interação entre todos os "preocupados" pode aumentar o nosso conhecimento.

    Essa é uma das nossas responsabilidades porque transmitimos conhecimentos e formamos seres humanos...

    Grande abraço.

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  4. Caro Inocentes Sensei. Não sou "expert" em língua japonesa... Na melhor das hipóteses, sou alguém que tenta "entender" o que aprende e - na medida das minhas possibilidades - procuro ajudar aqueles que não tem acesso a esse tipo de informação com factos verificáveis. Nunca foi, nem é, minha intenção passar a ideia de que os assuntos que comento sejam levados como "o único" caminho a seguir, mas abre possibilidades para aqueles que realmente querem fundamentar ou desenvolver as suas ideias com mais alternativas às antigas informações recebidas.
    Tudo o que digo, todo assunto que comento, toda informação que apresento pode e DEVE ser pesquisado ANTES de ser aceite, caso contrário, o meu objectivo fica sem valor, isto é, não devemos aceitar algo só porque alguém nos disse para o fazer (é isso que temos feito até então). Devemos ser capazes de pensar, pesquisar, questionar, estudar e só então considerar se uma informação é ou não válida. Não existe "donos da verdade" ou "verdades absolutas", principalmente nesta época onde temos acesso à informação na ponta dos nosso dedos. Existem sempre respostas às nossas dúvidas, desde que estejamos realmente dispostos a procurá-las.

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  5. Há pessoas que desbravam caminhos... e essas deveremos tê-las em condideração, mesmo que pesquisemos também antes de aceitarmos.

    A grande diferença que existe entre os pesquisadores/investigadores é que uns comunicam, informam, publicam o produto das suas investigações. Outros insvestigam, descobrem grandes coisas e... não passam daí!

    Só os primeiros fizeram verdadeiramente investigação, mesmo que nada tenham descoberto... pois deixaram pistas para os que vieram a seguir.

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