domingo, 13 de outubro de 2013
129. Mukyū no chōmen 02.
127. Mukyū no chōmen - Capa.
KARATEDŌ
Mukyū no chōmen.
KARATEDŌ
O caderno do Mukyū (principiante).
Alguns instrutores partem do princípio que, ao entrar no Dōjō, todo principiante "já sabe algumas coisas" o que na maioria dos casos NÃO corresponde à realidade.
Portanto irei fazer um pequeno resumo que irá servir como informação "básica" para todo principiante de Karatedō...
Se for útil para alguém... excelente!
Se não for... pelo menos dá-me grande diversão ao fazê-lo e, assim, pelo menos para mim está a ser útil! (^_^)
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
126. UVAS #20 - Erro histórico.
APENAS PARA PENSAR...
Antigamente, no período feudal japonês, os guerreiros iam para os campos de batalha para matar ou morrer. O seu ofício era a arte do combate do homem contra homem. E só a esta classe isto era permitido.
A seguir vinham os agricultores e pescadores que, ao garantir o sustento alimentar, mantinham a classe guerreira nas suas longas campanhas.
Logo após vinham os artesãos, fabricantes de armas e armaduras. Forneciam os instrumentos necessários para a expansão de um determinado lorde ou Shōgun.
E, por fim, vinham os comerciantes, que tinham como ofício "ganhar dinheiro" com os bens e serviços que prestavam.
Sabemos que neste sistema social cada um fazia o que lhe era pertinente e NINGUÉM mudava de classse.
Os anos passaram, as classes sociais japonesas foram abolidas... os comerciantes agora podem ser "guerreiros" e os guerreiros podem ser "comerciantes".
A nível de artes marciais japonesas, será isto uma "evolução"?
terça-feira, 8 de outubro de 2013
125. UVAS #19 - Loucura!
Ah! O Zen... a paz... a harmonia... o Japão!
Convenhamos: mesmo sendo japoneses, isso é "pouco Zen"!! Não?!
Um dia vamos nos deixar de "tretas místicas" e encarar a realidade como ela realmente é!
O ser humano no seu "melhor"!
(Atenção! Esta briga jurídica não é coisa minha!!)
Um dia refleti sobre a realidade do ensino marcial e como alguns instrutores "impingem" as mais variadas idiotices nas cabeças dos seus alunos. Custava-me entender como ninguém via o ridículo, com era possível que ninguém "usasse o cérebro" para ver que estavam a ser manipuladas e enganadas.
A verdade é que vim a descobrir que os alunos (e instrutores em posição de subordinação) são como crianças que sofrem maus tratos.
Perguntei a uma criança (cujo historial de maus tratos era conhecido) o que ela achava dos seus pais e a resposta foi: "São os melhores pais do mundo!"
Esta resposta lançou na minha mente o fato de que, por não conhecerem outra realidade, estas crianças, estes alunos, estes instrutores etc. continuarão a achar que aquilo que lhes têm sido oferecido é o que de melhor lhes pode ser dado!
Isto abre... ou melhor, "escancara" a porta para indivíduos ordinários, oportunistas, desonestos etc..Isto é um fato!
Portanto, só há uma maneira de reverter as coisas: é mostrar para este pessoal oprimido (o que realmente é a verdade das suas condições) que há outras visões além daquelas que lhes tentam impingir a todo custo!
Agora... se vai haver muito vigarista, oportunista, vagabundo, desonesto, mau caráter, salafrário, safado, sem-vergonha e ordinário descontente? (^_^) Com certeza!
Mas é obrigação de quem realmente "ensina" procurar a forma correta de criar elementos perfeitamente ajustados (e livres) à sociedade onde vivem.
Sem enganos, sem tretas, sem mentiras!
domingo, 6 de outubro de 2013
sábado, 5 de outubro de 2013
123. UVAS #18 - Contos de fadas.
Ah! Os contos de fadas! Unicórnios, arco-íris, borboletas, duendes, bruxas, magia… tanta coisa que nos fazem sonhar; coisas que nos fazem desejar viver em um mundo ideal…
Infelizmente, o modo de ensino é assim para a maioria das escolas de Artes Marciais Japonesas, onde ainda apregoam-se "valores dos samurais” como se estes também não tivessem o seu lado negativo. Contudo, não estou a dizer que estes valores de honra e dever para com os seus lordes não existissem entre os Samurai, muito pelo contrário, isto é um fato mais do que comprovado historicamente.
Mas há algumas questões que eu coloco para todo instrutor que julga seguir os modelos de marcialidade dos antigos Samurai e elas são as seguintes:
- Conhece realmente a história do Japão?
- Conhece realmente a história dos Samurai?
- Conhece realmente a história do ser humano?
Basicamente… conhece história?
Vamos, então, relembrar – muito superficialmente – uma situação “Samurai” bastante particular do período Edo que era o KIRISUTE GOMEN, isto é, o direito que todo Samurai tinha de matar quaisquer cidadãos comuns que lhes faltassem o respeito. (Tenho certeza que os “samurais ocidentais” já estão a achar que isto era o “respeito ao poder dos samurai”.) E há relatos a demonstrarem que, a fim de testar uma nova espada, este direito era evocado, para inspirar temor nos aldeões, este direito era evocado... ou seja, qualquer pretexto era bom para matar uma pessoa comum. O que, de fato, não é nada honroso ou modelo a seguir – mesmo nos dias de hoje!
Será que para 80% da população Japonesa do periodo feudal, os samurai tinham o "ar de romantismo" que vemos ser difundido em livros, filmes, "sites", "blogs", escolas e assim por diante?
Não me parece...
Por fim, com o final do xogunato Tokugawa e o restabelecimento do poder do imperador Meiji, em setembro de 1871 este direito de matar as pessoas comuns foi retirado aos Samurai.
Mesmo assim, como em qualquer canto do planeta, como em qualquer escola de artes marciais, há pessoas boas e há pessoas más, há bons instrutores e há maus instrutores, há bons exemplos e há maus exemplos e (pasmem!) isto também acontece dentro da civilização japonesa!
(Estudem “um pouquinho” sobre a expansão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial…e irão ver que os maus exemplos continuaram a se repetir. Aprendam, portanto, a ver além do que está diantes dos seus olhos e que "tudo" tem o seu lado positivo e o seu lado negativo.)
Mentimos a nós próprios, contamos estórias atrás de estórias sobre um mundo que só existe na nossa cabeça, criamos um universo onde o ser humano é infalível, onde os valores morais sobrepõem-se à visível degradação dos valores sociais e éticos… "Como os antigos Samurai!" O problema é que não vivemos no “país das maravilhas” e, em se tratando do ensino das artes marciais, a “toca do coelho” é bem mais profunda do que imagina a maioria dos instrutores.
O que nos remete, vezes sem fim, à questão do conhecimento, fundamentação, pesquisa, estudo, questionamento e transmissão daquilo que sabemos.
A pensar sobre o empenho na obtenção do conhecimento, surge a questão: “será que eu quero realmente formar “um samurai” (o que é historicamente a demosntração inequívoca de que não conhece o desenvolvimento da cultura japonesa) ou eu quero formar um elemento útil à sociedade com base nos valores corretos de retidão moral apregoados pelo antigo Bushidō?”
Cabe a cada um, honesta e introspectivamente, responder esta pergunta.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
122. UVAS - SAFRA ESPECIAL 02
EXPLICANDO A
TRANSFORMAÇÃO DO “-JUTSU” EM “-DŌ”.
Por Joséverson Goulart.
Agora, sabendo-se um pouco da
história do Japão, podemos tecer alguns comentários mais fundamentados a
respeito da evolução das Artes Marciais Japonesas.
Em primeiro lugar, não há uma
data específica para a transição do Bujutsu em Budō… o que podemos “especular”
é que teria provavelmente ocorrido no final do xogunato Tokugawa e princípio da
era Meiji (século XIX).
Em segundo lugar, sabemos, com
certeza, que na cronologia da evolução do próprio Japão houve decisões
políticas, prós e contras, à modernização do Japão tendo como comparação os
países estrangeiros mais industrializados, chegando a um ponto onde apenas o
conflito armado poderia resolver esta questão.
Em terceiro lugar, é neste
contexto - o Japão do século XIX em busca de uma equiparação aos países
estrangeiros - que a transformação das antigas artes -JUTSU em modernas artes -DŌ
é levada a efeito.
Podemos, com a informação que
temos, afirmar que esta transformação das artes antigas em artes modernas é uma
consequência natural de uma mudança de mentalidade governamental moderna,
afastando-se do sistema de governo anterior.
A eliminação das classes sociais
antigas e, posteriormente, popularização de atividades que outrora eram
exclusivas dos Samurai deram um novo impulso e nova perspectiva à prática
marcial Japonesa, agora difundida mundialmente.
Diferente das artes que foram
usadas nos campos de batalha (Koryū-Bujutsu), onde a unificação do Japão foi inequivocamente
decidida, as artes modernas (Gendai-Budō) agora devem se adaptar a uma
sociedade de paz, harmonia e desenvolvimento nacionais.
Muito se diz sobre a “mística” do
ideograma DŌ, a respeito de uma “Via” de um “Caminho”, mas, como disse anteriormente,
sendo pragmático, esta alteração de sufixos (de “-Jutsu” para “-Dō”) é uma
consequência natural da evolução da própria sociedade Japonesa, sem qualquer
vínculo com significados transcendentes, místicos ou sobrenaturais.
Pode haver outras interpretações
mais “românticas” do que seriam as “Artes Marciais” (Bujutsu) ou “Vias
Marciais” (Budō)?
Claro que sim!
Mas este “romantismo” (muitas
vezes exacerbado) explica de forma clara e racional o desenvolvimento
cronológico da história Japonesa?
Na esmagadora maioria dos casos,
não!
Como tudo na vida… isto também é
uma questão de escolhas.
121. Fundamentando o KARA...
Vamos lá outra vez... Usando o cérebro apenas um pouco e, partindo do princípio que sabemos quanto é 1+1, com um trabalho de associação de ideias (conjecturas) e fatos históricos verificáveis documentalmente, acredito que podemos lançar alguns pontos a respeito do desenvolvimento do Karatedō.
Em primeiro lugar, sabe-se que uma das condições para que o Karatedō fosse reconhecido pela Dai Nippon Butokukai era a alteração do ideograma KARA (significando "Dinastia Tang") para um outro que retirasse a conotação "Chinesa" da arte.
Pois bem, com a alteração do ideograma "Chinês" para o ideograma japonês "Vazio", foi satisfeita esta condição de aceitação japonesa... mas os problemas que se geraram a seguir é que ficaram fora de controle! O "vazio" - que inicialmente estava mais para "combate desarmado", "com mãos vazias" - passou a ser "a vacuidade do Zen" e, a partir daí, as ideias mais disparatados e malucas começaram a fluir!
O Karate passou a ser "místico", os faixas pretas passaram a estar "nas nuvens da sabedoria e iluminação espiritual", acima dos demais mortais! "Não, não... Agora eu estou no mundo Zen!", "A arte marcial tornou-me iluminado!", "Eu flutuo no mundo dos Buda!" e tantas outras tolices que algumas pessoas impingem a fim de "venderem o seu peixinho".
O que nos leva a uma questão pertinente: com a mera alteração de um ideograma, o sentido do Karate foi alterado de arte de combate para via religiosa?
Defensores do "karate místico" evocam uma tradição "Zen" que começa, por mais incrível que possa parecer, apenas com a introdução do Karate no Japão, MAS, estes mesmos defensores do "karate transcendental" não falam nada sobre esta matéria em relação ao período pré-introdução do Karate no Japão (o que é bastante conveniente para a mística esotérica e transcendental do Karate)... como se o Karate tivesse nascido exatamente no Japão!
Para mim, esta é a minha opinião pessoal, isto não passa de tretas! É fazer o Karate parecer "mais" do que realmente é, sem que realmente haja necessidade efetiva de o fazer! Porque o Karate por si só não precisa de tretas para se afirmar, pois tem uma história verídica e verificável, (com algumas lacunas ainda por preencher, é bem verdade) mas não precisa de que sejam "inventadas" filosofias que não coincidem com a evolução histórica desta arte.
Até pouco tempo atrás andávamos todos na idade das trevas da informação, onde cada um "dava a sua pedrada" e saía mais ou menos "bem na foto". Atualmente, alguns assuntos podem ser verificados e esta mística atribuída ao ideograma japonês KARA na palavra «Karate» é mais um dos assuntos "bastante questionáveis".
E como "um erro puxa outro erro", com base no Karate/Zen, começaram a dizer que Zazen (meditação sentada budista) era feito nos treinos de Karate! Outro disparate completo! Misturam assuntos que, à partida, nada tem a ver, isto é, religião e treino marcial.
Infelizmente, existem pessoas, instrutores, escritores, autores e criadores de "sites" e "Web Logs" ("blogs") que, sem estudar coisa alguma, pesquisar seja o que for ou fundamentar as suas afirmações, continuarão a afirmar que o KARA de Karate ainda tem algo a ver com o Zen!
Neste caso, isto é, a defesa do "karate místico", seria bom que eles também desenvolvessem a religiosidade deste assunto nos períodos que antecederam a chegada do Karate ao Japão e fundamentassem esta mentalidade mística que afirmam existir nesta arte marcial.
120. O KARA de KARATE...
手 DE: Mão(s)
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手 Tii: Mão(s), Técnica(s) na língua do reino de Ryūkyū.
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空 KARA: Vazio(a)(s).
手 TE: Mão(s)
道 DŌ: Caminho, via.
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Somando 1+1: acham que seria aceitável desenvolver uma arte marcial no Japão Imperial com o nome de "Técnicas Chinesas"?
Estão a ver a política envolvida no desenvolvimento do Karate?
O fato de ignorarmos as politiquices, politicagens e políticas no desenvolvimento marcial, não quer dizer - de forma alguma - que estas não existiram... como sabemos ainda existirem nos dias de hoje! (Sem sermos hipócritas, naturalmente!)
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