quinta-feira, 11 de agosto de 2016

238. Página 04, Soto-hachiji-dachi.


237. Página 03, Heikō-dachi.


236. Página 02, Musubi-dachi.


235. Página 01, Heisoku-dachi..


234. ÍNDICE.


233. PREFÁCIO.


232. Livro didático da AGOKAP.


231. A BASE DA BASE.


Existem conceitos que orientam todo o treino militar japonês, entre estes conceitos estão três que eu considero fundamentais:
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1º - BUNBU-ICHI 文武一.
A expressão "BUNBU-ICHI" está dividida em três ideogramas que correspondem a três partes distintas do desenvolvimento intelectual e físico do guerreiro:
文 BUN: Literatura.
武 BU: Militarismo.
一 ICHI: 1, o número um.
Antigamente, dizia-se que "O estudo da literatura militar (BUN - "teoria") e o exercício do militarismo (BU - "prática") deveria ser feito como se de uma única coisa (ICHI - "Um, Unidade, Unificação") se tratassem". Hoje em dia, ouve-se muito: "o que importa é suar o Kimono"... mas tudo na vida são escolhas.
Tradicionalmente, uma "Arte Marcial" é composta por 50% de teoria e 50% de prática e estas percentagens são feitas em simultâneo. A teoria fundamenta a prática e a prática valida a teoria.
Tem gente que se contenta com 50% de prática apenas e abandona o estudo... Estão felizes com a metade do conhecimento que as suas artes poderiam fornecer... Escolhas!  
Portanto, para mim, "estudar" e "treinar" têm a mesma importância!
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2º - SHINGITAI 心技体.
A expressão "SHINGITAI" está dividida em três ideogramas que correspondem a três partes distintas do desenvolvimento do treino do guerreiro:
心 SHIN: Espírito, intenção, força de vontade, pensamento etc..
技 GI: Técnica(s).
体 TAI: Corpo (condicionamento físico).
Antigamente, o ensino militar dava prioridade a cada parte em particular, sendo o desenvolvimento do "Espírito" o mais importante e o condicionamento físico o menos importante. Em regra geral pode-se dizer que o desenvolvimento do:
心 SHIN "Espírito" (força de vontade) ocupava 50% do treino.
技 GI "Técnicas" ocupavam 30% do treino.
体 TAI "Condicionamento Físico" ocupava 20% do treino.
Não adianta ter uma "Técnica (GI)" forte se o "Espírito (SHIN)" for fraco!
A vida é composta de lutas, diariamente somos colocados à prova e, em muitos casos, o espírito é o que falta para que muitos problemas e adversidades sejam superados. O mesmo acontece dentro dos Dōjō: o cansaço, a preguiça, a insegurança, os medos... tudo é obstáculo para um "Espírito" fraco.
Por isso, a forja do "Espírito", da força de vontade, da intenção correta continua a ser o mais importante no treino militar Japonês (e daqueles que escolheram o "DŌ" como caminho a seguir).
Da mesma forma, também não adianta ter um grande "Condicionamento Físico (TAI)" se as "Técnicas (GI)" não forem efetivas!
Apontar o ataque para um nível qualquer (JŌDAN "nível superior", CHŪDAN "nível médio" ou GEDAN "nível inferior") NUNCA irá substituir uma técnica que vise um KYŪSHO "ponto vital"! Portanto, o treino CORRETO das "Técnicas (GI)" também é muito importante!
Por último, vem o "Condicionamento Físico (TAI)". Manter a saúde e o corpo preparado para as adversidades é fundamental para quem vai entrar em combate - quer na luta do dia a dia, quer no Shiai (combate real) ou Kumite (combate desportivo). Portanto, preservar o aspecto físico também é importante no "Caminho" que se pratica. 
Para mim, esses conceitos são tão atuais e importantes como eram nos tempos antigos!
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3º - HEIHŌ NO SHIYŌSO 兵法之四要素.
A expressão HEIHŌ NO SHIYŌSO significa literalmente "Os quatro elementos da estratégia" e são eles:
一眼 ICHIGAN - "Primeiro, observar".
二足 NISOKU - "Segundo, movimentar-se".
三胆 SANTAN - "Terceiro, coragem".
四力 SHIRIKI - "Quarto, Força"!
Essa é a atitude diante da vida e é a mesma atitude diante do combate real. Primeiro devemos observar a situação [ICHIGAN], sem premeditação e com muita atenção. Se alguém tiver a sua prática fundamentada numa teoria sólida (BUNBU-ICHI), um espírito forte, aliado a técnicas efetivas e condicionamento físico considerável (SHINGITAI), nesse ponto sabe como aproximar do problema/adversário [NISOKU] e, com o "Espírito" preparado, terá coragem suficiente [SANTAN] para definir a linha de ataque, a melhor estratégia de acordo com as suas capacidades. Tendo definido a estratégia, lança-se ao problema com tudo o que tem, com tudo que aprendeu ao longo do treino [SHIRIKI] e assim encara o problema com o ESPÍRITO de ontem com o frescor do dia de hoje.
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Era, é e sempre será assim o treino tradicional Japonês!
Há outras abordagens? Claro que há! Mas esta é a "minha" abordagem, é a abordagem que eu defendo, é a abordagem que eu ensino e uso como padrão para comparar com as demais abordagens.
Não! Ninguém tem de pensar como eu penso... mas eu sou feliz assim! (^_^)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

230. DIVAGANDO SOBRE FOTOS ANTIGAS...


O advento dos "desportos de combate" alidados a "manobras políticas" fez e ainda faz com que as Vias Militares Japonesas (Budō) tenham vindo a se transformar e, segundo o pensamento contemporâneo, "evoluir". 
Em nome desta "evolução", os ensinamentos originais têm sido abreviados, resumidos e mesmo omitidos, afastando as Vias Militares dos seus respectivos objetivos originais. Por exemplo, o Jūdō, com o advento desportivo, perdeu Atemi-waza, Kappō e raros são aqueles praticantes desta arte que ainda mencionam ou sabem o verdadeiro significado dos dois pilares filosóficos desta arte: Jita Kyōei e Siryoku Zen'yō. "Evolução", continuam a dizer alguns.
Mas até que ponto pode-se considerar a progressão cronológica da Via Militar - neste caso - como sendo "evolução" e não como um desenvolvimento de uma "mutação" com características muito particulares?
O exemplo que vou citar agora pode parecer fora do contexto atual, mas serve para que se tenha uma ideia real sobre o que se está a passar no Karatedō e se a progressão cronológica até aqui pode ser considerada "evolução" ou "mutação".
Vejam as fotos abaixo. Miyagi Chōjun, Funakoshi Gichin e... ARMAS, muitas ARMAS!
Sem entrar em pormenores sobre a história do Karatedō, é necessária uma abordagem muito rápida a esse respeito. Então aqui vamos nós: em Okinawa, à arte de combate com as mãos e pés era chamada de Tōdii (唐手) - ideogramas que podiam ser lidos como "KARATE" e traduzido por "mãos chinesas ou técnicas chinesas". Onde: 唐 Tō - China, dinastia chinesa Tang e 手 Tii - Mão(s), Técnica(s).
Mas, além de usar as mãos e pés para o combate, também eram usadas "armas" específicas de Okinawa (como se pode ver nas fotos abaixo). 
Mas, ao sair de Okinawa e ir para o Japão, foram necessários alguns "ajustes" no Tōdii para que este fosse aceite na sociedade Japonesa, sendo uma delas a alteração do nome da arte, isto é, mudar o nome de Tōdii [Karate](唐手) (que era demasiado "Chinês" para ir ao Japão) para "Karate" (空手) "Mãos vazias".
É justamente neste ponto que as coisas ficam interessantes!
Vejamos os ideoramas para podermos entender a simplicidade das coisas: 空 KARA - Vazia(s) e 手 TE - Mão(s).
Por causa do excesso de apego à tradução literal dos ideogramas por parte de alguns elementos, começaram a surgir mil e uma interpretações e cada uma delas mais fantástica do que a outra: 
"O 'vazio' tem a ver com a vacuidade do Budismo Zen", começaram a afirmar alguns. 
"A arte usa apenas as mãos vazias para combater", afirmavam outros... (E os "pés"? Também não os usa?)
Mas nenhuma destas interpretações levou em consideração o fato mais simples e mais elementar de todas as explicações, isto é, que a utilização dos "novos ideogramas" apenas serviu para manter "a mesma pronúncia original de Okinawa" 'KARATE', mas... dando um sentido "puramente" japonês para promover a arte! 
Sem misticismos desvairados ou fatos "transcendentes" não fundamentados, trata-se apenas de providenciar um conjunto de ideogramas que pudesse servir como "adaptação fonética" de acordo com as necessidades da época da adoção do nome da arte, sem que nenhuma das partes (Okinawa ou Japão) saísse a perder, nada mais do que isso!
Portanto, relacionar KARATE com religião, com uma "vacuidade" ou "vazio" da religião Zen, é uma analogia que pode parecer interessante, mas um disparate completo na concepção dos "novos ideogramas" que serviram - nada mais, nada menos - para eliminar o sentido "Chinês" da expressão KARATE.
Além disso, dizer que "esta arte usa apenas as 'mãos vazias' para combater" também parece ser muito apropriado, mas não tem qualquer fundamento a nível do "Karate" praticado em Okinawa (antes de ir para o Japão)!
Volto, então, à pergunta inicial: até que ponto pode-se considerar a progressão cronológica da Via Militar - neste caso - como sendo "evolução" e não o desenvolvimento de uma "mutação"?
O fato é que, da mesma forma que o Jūdō perdeu com esta suposta "Evolução", o Karatedô seguiu (e continua a seguir) a mesma tendência de "perda" de informação tradicional, neste caso, a eliminação integral do treino com armas e a minimização das técnicas de projeções - que são raramente ou nunca vistas.
(In)felizmente, faz parte do ser humano partir de princípios lúdicos e românticos, fantasiar conceitos que se adaptem, na perfeição, às nossas ideias do que seria "o nosso Karate", sem pensar, refletir muito na "evolução" natural da arte e, por isso, apresentamos uma mistura de realidade e ficção que nada tem de benéfica para o desenvolvimento da arte em si, quer como "evolução", quer como "mutação" mundialmente aceite.


quarta-feira, 16 de março de 2016

229. Aqui há gato!

O Sensei Armando Inocentes enviou-me esta imagem com a seguinte pergunta:

"Com ou sem acentuação?"


此處に猫が居ます。AQUI HÁ GATO!

ESSA FIGURA NÃO PODIA TER VINDO EM MELHOR HORA!!!

Aproveitando a figura oportuna, falemos do pessoal que escreve as palavras Japonesas SEM acentuação! E eu darei um exemplo que é um primor!! <3 <3 <3       
As palavras escolhidas escritas em Rômaji (letras do nosso alfabeto) foram: JUDO e GOJURYU! (Não podiam ser outras!)
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JUDO e GOJURYU.
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Ok. Quem quer procurar uma palavra ou expressão num dicionário escrito em japonês sabe que as vogais BREVES /sem acento) vêm sempre ANTES das vogais LONGAS (com acento), mas como o pessoal simplesmente não acentua coisa alguma em se tratando de palavras Japonesas, pesquisadores partem (desde já) do princípio ERRADO que as vogais escritas no nosso alfabeto são BREVES (por não terem acentos)!
Quer na escrita, pronúncia ou tradução, a falta de acentos muda tudo.
Então, como exemplo, eu "não sei" o que significa a palavra Japonesa "JUDO" e vou procurar no dicionário... Tecnicamente falando, isso é bem fácil de fazer.
1. Converto em KANA o que está escrito em RÔMAJI: JUDO -> じゅど, onde: じゅ(JU) e ど(DO)
2. Agora vou procurar no dicionário os KANJI referentes a "JU"...
受 JU - Receber, aceitar, defender etc.
呪 JU - Maldizer, amaldiçoar etc..
寿 JU - Longevidade, congratulações et..
授 JU - Garantir, instruir, conferir etc..
樹 JU - Madeira, lenha.
儒 JU - Confucionismo.
綬 JU - "Faixa".
嬬 JU - Fraco, amante (feminina).
需 JU - Demanda, pedido, necessidade.
NADA!
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Já começo a ficar chateado PORQUE AGORA EU SEI DE TENHO DE PROCURAR POR "JÛ" (com acento)!
3. Vou à procura dos KANJI referentes a "DO" já com "o pé atrás"...
度 DO - Graus, ocorrência, tempo, vez etc..
土 DO - Terra, solo, chão, Turquia.
戸 DO - Porta.
怒 DO - Fúria, estar ofendido. 
努 DO - Diligente, tanto quanto possível.
堵 DO - Cerca, carris, 
奴 DO - Um "tipo", um "comparsa/companheiro", escravo, etc..
NADA!
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Já estou muito chateado PORQUE AGORA EU SEI DE TENHO DE PROCURAR POR "DÔ" (com acento)! Vocês devem estar a pensar: "Chatear-se por tão pouco?!"
Para quem não pesquisa, para quem não faz buscas a respeito da teoria das artes marciais, esse é o pensamento mais lógico, porque não precisam procurar por ideogramas errados induzidos por autores que não se deram ao trabalho de fazer obras com o mínimo de pesquisa e seriedade. Estes tipos de autores escrevem tudo errado e os desgraçados que utilizarão estas obras para pesquisa vão se deparar com mais esta dificuldade, saber o que eles estavam tentando dizer (uma vez que a transcrição estava E-R-R-A-D-A(1)! 
OBRIGADINHO, autores do caraças! (Atenção: há bons autores e obras... raras, mas existem!) 
Pois bem, agora, neste ponto eu sei que a palavra que eu procuro é JÛDÔ e NÃO JUDO ou JUDÔ! Ora... por magia, ao converter JÛDÔ em KANA, tenho じゅうどう e encontro facilmente 柔道! Entenderam agora a importância de se fazer um esforço em aprender e difundir informações corretamente? ESPECIALMENTE aqueles indivíduos que "ADORAM" escrever livros sobre cultura Japonesa (Vias Militares incluídas)!
Autores... tenham piedade de quem faz pesquisa e procura uma fonte fidedigna!
Infelizmente, 99% do que está nas ruas sendo vendido a respeito das Vias Militares (artes marciais) são trabalhos medíocres! Antes que alguém venha em defesa destes autores que se "atiraram" na acomodação, deixem-me relembrar o ditado: "De boas intenções o inferno está cheio!"
Quer escrever um livrinho de Karatedô? Aprende o sistema de transcrição fonético oficial Japonês! Um cartazinho sobre Jûdô, quem sabe?! Aprende um sisteminha de transcrição fonético oficial Japonês!
"Ah! Mas eu não tenho tempo para isso!"
Como é que é?! Tem tempo para difundir trabalhos sem pesquisa, mas não tem tempo de verificar a porcaria o trabalho que fez? Não consigo compreender esta lógica! Autores sérios fazem trabalhos sérios!
Se vai fazer algo que tenha "idioma japonês", não seria, por acaso, um requisito fazer uma pesquisa prévia sobre este idioma? "Não precisa. Faz-se ao calhas, pois ninguém vai reparar."

Escolhas... tudo na vida são escolhas. 
"Ah! Mas meu mestre disse que era assim!"
Meu amigo, no "tempo do epa" essa desculpa pegava bem! Mas agora, com o mundo na ponta dos dedos, isso só comprova a malandragem, sem vergonhice de quem diz tal coisa! Quer ensinar? Acha que tem algo a expor? Então "aprende" primeiro e fundamenta o que aprendeu! Volto a dizer, hoje em dia, esse assunto não é um problema para quem NÃO estuda ou pesquisa e... também "NÃO PUBLICA" trabalhos sobre artes marciais Japonesas. MAS se alguém quiser difundir o seu conhecimento, pelo menos adquira o mínimo necessário em relação daquilo que pretende apresentar a respeito da cultura japonesa, pois quem vai ler o seu trabalho pode ter formação inferior ou igual à nossa, mas também pode ter formação mais avançada. Além disso, se quem lê o seu trabalho pretende retirar informações corretas e verificáveis para utilizar em uma outra pesquisa, seria bom que o mesmo oferecesse tal opção. Perdi muitas horas procurando palavras "Japonesas" (para proveito próprio e para pessoas que ajudei e ajudo) que simplesmente "não existiam" na realidade! Devaneios de autor! "Liberdades artísticas". O autor não pesquisou? O autor não sabia realmente? Seja qual for a razão, hoje em dia isso não faz mais sentido nem é aceitável!
Vou dar um mau exemplo, mesmo não gostando de difundir o erro. Não gosto de citar maus trabalhos a fim de evitar ferir susceptibilidades ou induzir mais pessoas em erro, mas este exemplo é necessário à medida que serve para ilustrar os problemas das publicações com palavras japonesas usando as letras do nosso alfabeto e os problemas que advém destas mesmas publicações.
Há um livro de artes marciais em que o autor afirma que KIHON é "espírito fundamental". Não posso dizer que ele esteja 100% "errado", mas temos um problema de falta de pesquisa efetiva. 
O que o autor "achava" era que a palavra KIHON, isto é, formada pelo ideograma KI (espírito) mais HON (fundamental). Mas, se este autor tivesse feito um pouquinho de pesquisa, preocupando-se com a correção do seu trabalho, perguntando para quem sabe, questionando, procurando saber o que não sabia, talvez no seu livro estivesse a indicação de uma tradução correta. Na verdade KI 気 + HON 本 não são "espíritp fundamental". KIHON 基本 significa "o básico", "o fundamental" e nada tem a ver com o "espírito".
Falta de pesquisa efetiva? Foi "o mestre que disse que era assim"? Isso não importa nada. O que importa é que isso está num livro sobre artes marciais japonesas publicado para ser lido por inúmeras pessoas, pessoas que passarão a achar que KIHON É "espírito fundamental"! Todo o autor deveria ser responsável pelo trabalho que faz, porque ele vai transmitir informações que podem ou não estar certas. Mas esse é apenas o meu ponto de vista.
Passado esse "desabafo" de quem já perdeu muito, muito tempo com trabalhos horríveis, vejamos a palavra GOJURYU sem acentuação a nível de correção... Vocês já podem prever que não irei encontrar o que procuro! Mas, a título de informação correta, não me custa perder esse tempo.
1. Converto em KANA o que está escrito em RÔMAJI: GOJURYU -> ごじゅりゅ, onde:
 ご(GO), じゅ (JU), りゅ(RYU)
2. Agora vou procurar no dicionário os KANJI referentes a "GO"...
語 GO - Palavra, fala, linguagem.
後 GO - Atrás, depois, mais tarde.
五 GO - 5, o número cinco.
御 GO - Prefixo de educação.
誤 GO - erro, fazer errado, enganar
伍 GO - 5, o número cinco.
悟 GO - Iluminação, percepção, entendimento, realização, discernimento.
護 GO - Proteção, (auto)defesa.
醐 GO - Manteiga derretida.
檎 GO - Pera, maçã.
吾 GO - eu, meu, nosso, de alguém.
碁 GO - Jogo de tabuleiro japonês.
呉 GO - Dar, fazer algo por.
宕 GO - Caverna, cova.
冴 GO - Ser claro, sereno, frio, habilidoso.
瑚 GO - Receptáculo de oferenda usado antigamente.
娯 GO - Recreação, prazer.
互 GO - Mutualidade, reciprocidade.
胡 GO - Bárbaro, estrangeiro.
午 GO - Cavalo, signo zodiacal.
梧 GO - Árvore fêniz Chinesa
NADA!
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3. Agora vou procurar no dicionário os KANJI referentes a "JU"...
受 JU - Receber, aceitar, defender etc.
呪 JU - Maldizer, amaldiçoar etc..
寿 JU - Longevidade, congratulações et..
授 JU - Garantir, instruir, conferir etc..
樹 JU - Madeira, lenha.
儒 JU - Confucionismo.
綬 JU - "Faixa".
嬬 JU - Fraco, amante (feminina).
需 JU - Demanda, pedido, necessidade.
NADA!
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4. Agora vou procurar no dicionário os KANJI referentes a "RYU"...
りゅ UFA! NÃO EXISTEM palavras onde o RYÛ não seja escrito com vogal longa!!!
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Sabendo que GÔ, JÛ e RYÛ são escritos com vogais longas (com acento), então converto esta "nova" expressão em KANA: GÔJÛRYÛ -> ごうじゅうりゅう. Olha! E não é que agora eu já encontro 剛柔流?

Para resumir esta coisa toda: autores sérios fazem trabalhos sérios.
Há dezenas de anos que eu tenho indicado estes pormenores sobre a escrita japonesa a todos os interessados, mas poucos, muito poucos, raros são aqueles que têm a maravilhosa capacidade de "aprender para poder ensinar" e, por estes poucos, eu ainda busco aprender mais a cada dia para partilhar o que gostamos (a cultura Japonesa) da forma mais correta possível. Quanto ao resto, não passam disso mesmo, resto! Esta é a linha que separa os BUDÔKA (raros) dos "praticantes de Budô" (resto): o ESFORÇO sincero e honesto!

Não é vergonha não sabermos, vergonha é contentarmo-nos com o pouco que sabemos.

ニャーン、ニャーン! "MIAU! MIAU!"

Fonte de consulta:


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NOTAS:
(1) Há uns anos atrás houve uma discussão num forum sobre artes marciais onde o assunto era: O "Joséverson" usar a palavra "errado" e não "incorreto"... Apesar de ser uma honra ter uma discussão sobre a minha forma de expressão, para mim, só perde tempo com esta estupidez quem não tem ma:is nada para dizer. Quando eu digo ERRADO quero mesmo dizer ERRADO e não "incorreto", "menos correto".
(2) Intencionalmente sem acento "mácron", tendo usado acento "circunflexo" para .fins didáticos.