segunda-feira, 23 de setembro de 2013
102. UVAS #01 - O Budō.
ESTOU DE VOLTA (para alegria de uns e desespero de outros)!
Voltando à carga, como sempre, vamos acertar uns pontinhos (nada de novidade)!
Inúmeros são os instrutores que publicam livros, abrem "sites" e "blogs" na internet, mas raros são aqueles que se preocupam em pesquisar alguma coisa! E quando não têm argumentação válida para os disparates que estão a dizer, ficam a "choramingar" pela "net" a fim de que alguém sinta pena deles... Isso é patético!
Toda esta situação constrangedora poderia ser facilmente evitada se, ao invés de ficarem a se lamentar e a mandar bocas sobre o que eu escrevo (sem pesquisar coisa alguma ou apresentar fundamentação válida), pesquisassem e apresentassem uma argumentação de forma racional.
Aprendam certo, ensinem certo!
Além disso, eu SEMPRE digo que não tomem o que eu escrevo à risca... pesquisem e verifiquem se o que digo é ou não válido! Mas eu sei que estes "instrutores" não vão pesquisar ou tentar contrapor uma argumentação minimamente inteligente! Por quê? Porque é muito mais fácil ficar com "fofocas", "bocas", "choramingos", "lavação de roupa suja" do que estudar, né? (^_^)
Portanto, para estes instrutores em particular - que veem o Budō como "Uvas a serem vendidas" - deixo apenas a lembrança de que há muito a ser estudado e não devemos ficar perdendo tempo com lamentações e desculpas medíocres para validar a informação errada que se está a transmitir.
Todos reclamam do estado das coisas no mundo marcial, mas, na verdade, a esmagadora maioria dos instrutores são os alicerces deste descalabro que chamamos "ensino" das Artes Marciais Japonesas. (Naturalmente, há exceções!)
Aos bons instrutores e àqueles que se interessam por apresentar uma informação o mais correta possível, deixo a certeza de que o caminho é difícil (não só o treino, a pesquisa e o estudo), mas uma porção de "calhaus" que irão - a todo custo - tentar impedir o vosso avanço no caminho que escolheram trilhar!
Mas o que seria do KARATEKA sem luta? (^_^)
頑張って!
Ganbatte!
Força!
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*** ENCERRANDO OUTRO ASSUNTO PENDENTE. ***
Um dos assunto que eu me recuso a falar é a transcrição correta da palavra OSU. Isso já foi fundamentado e os defensores da grafia errada do "OSS" ainda não conseguiram demonstrar que eu estou errado. Portanto, isso é um assunto morto e enterrado!
Mas hoje quero encerrar mais um assunto que ainda está meio "atravessado"...
Então, vamos a isto!
Não é surpresa para ninguém que a minha forma de escrita é direta, sem "palavrinhas lindinhas" (que na maioria dos casos são "falsa humildade" a fim de angariar simpatia para quem as profere... E eu não preciso disso!).
Também não é novidade alguma que não me importa absolutamente nada se há pessoas que não gostam da minha forma de expressão. Bem... É a vida!
Também não é novidade alguma que não me importa absolutamente nada se há pessoas que não gostam da minha forma de expressão. Bem... É a vida!
Mas deixem que eu vos conte um caso interessante, para comprovar alguns pontos interessantes sobre o ser humano e a sua hipocrisia. O mesmo ser humano que depois vem pregar moral de cuecas!
Há um tempo atrás, uma instrutora (não vou citar nome nem estilo, porque não vale nem a pena citar quem é), perguntou-me se eu poderia ajudar a resolver o problema que o pai dela tinha a nível de escrita de cartas para o Japão e se havia uma maneira de ele poder fazer isto de forma mais fácil. Como é meu costume, indiquei-lhe o JWP (Japanese Word Processor) que é um programa gratuito e que resolveria o problema do pai dela.
Para minha surpresa, uns dias mais tarde, ela encerra a amizade comigo, sem nada dizer e começa a mandar "bocas" e a falar muito mal de mim... (Não que isso me importe alguma coisa (^_^) pois ela é mais uma que está a tentar manter o Karate na idade das trevas!)
Agora vamos lá aos fatos:
1. Na minha terra, a esse tipo de atitude chama-se "mau caráter", "falsidade", "duas caras", uma vez que até resolver o problema do pai dela, ela aparentemente era minha "amiga"...
2. Se ela seguisse a tradição dos seus antepassados japoneses teria a ideia do que "honra", "verdade", "retidão de atitude", "honestidade" e "Giri" significam... coisa que comprovadamente não é o caso!
Isto só confirma a 100% o que eu venho dizendo já há alguns anos: não é por ter "cara" de japonês, por ser "descendente" de japonês ou mesmo por "ser" japonês que uma pessoa sabe e vive a tradição e cultura japonesa antigas!
Querem uma prova disto? Quantos de nós nunca entraram num "centro de tradições" dos nossos países?
O mesmo acontece com japoneses... nem todos estudam ou vivem a cultura nipônica!
Estas atitudes vis, baixas, falsas e desonestas já haviam sido indicadas como existindo no povo japonês por Yamamoto na obra Hagakure (^_~) no século XVII e, portanto, não são novidades no próprio Japão!
Tenham certeza também que há muito japonês "armado" em "mestre" apenas por causa da aparência!
Nem todo Chinês sabe Kung-Fu! (^_^)
Sem ter necessidade de um grande esforço mental, pode-se afirmar com certeza que, como em qualquer lugar do planeta, há pessoas boas, há pessoas más e há pessoas falsas (que são as piores)!
3. Mesmo com a minha forma de expressão um tanto "bruta", "tosca" (e que irá continuar a ser como é), nunca houve NINGUÉM que tenha pedido a minha ajuda (até mesmo esta criatura desprezível) e que eu não tenha ajudado. (Pode ter acontecido, por outro lado, de pedirem a minha ajuda e não quererem se esforçar para obterem a resposta que procuravam... mas isso já é outra história!)
Portanto, meus amigos, antes de mandarem as suas "boquinhas", lembrem-se que ainda não me viram ser falso seja com quem for!
E é desta forma que eu considero este assunto encerrado para todo o sempre! (^_^)
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
100. Cinco coisas que se notam imediatamente.
Quando entramos num Dōjō, aqueles que prestam atenção aos pormenores - uma vez que (supostamente) o Dōjō deve manter alguns aspectos tradicionais da cultura japonesa - naturalmente irão notar imediatamente alguns pontos de interesse.
Enumerei aqui apenas cinco, mas estes pontos de interesse vão bem mais além. É como o próprio Bushidō, isto é, um código NÃO ESCRITO [1] de procedimentos e atitudes.
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NOTA:
[1] Algumas pessoas acham que o Bushidō é algo que foi elaborado especificamente para a sociedade feudal nipônica, mas - na realidade - o processo em si foi sendo adaptado e evoluiu com o passar do tempo e mudanças sociais japonesas. Portanto, não foi especificamente "codificado" com um fim particular determinado.
Enumerei aqui apenas cinco, mas estes pontos de interesse vão bem mais além. É como o próprio Bushidō, isto é, um código NÃO ESCRITO [1] de procedimentos e atitudes.
O seu grau de importância está apenas da forma como o responsável pelo Dōjō vê a transmissão do ensino, não sendo - para nós ocidentais - necessariamente "obrigatórios".
Mais uma vez: é tudo uma questão de escolhas.
(^_^)
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NOTA:
[1] Algumas pessoas acham que o Bushidō é algo que foi elaborado especificamente para a sociedade feudal nipônica, mas - na realidade - o processo em si foi sendo adaptado e evoluiu com o passar do tempo e mudanças sociais japonesas. Portanto, não foi especificamente "codificado" com um fim particular determinado.
99. Encerrando o assunto OSU definitivamente.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
98. DIÁLOGO 01.
A RELAÇÃO BUDŌ 武道 / SHODŌ 書道.
----------
J - "Consegues ler os ideogramas que estão na minha «capa» do Facebook?"
E - "Não consigo!"
J - "Ali está escrito 合氣道 «Aikidō»."
E - "Mas da maneira que estão traçados fica muito dificil para mim ."
J - "Não só para ti, mas para qualquer pessoa que não conheça os ideogramas mais a fundo... é a forma «cursiva» dos Kanji."
E - "Olhando agora lá decifrei qualquer coisa. Realmente, só se souberes traçá-los é que os consegues identificar com este aspecto (parece me a mim)."
E - "Eu ainda estou muito "quadrada", tenho de seguir à risca os passinhos todos da escrita e da técnica."
J - "Exato! É necessário aprender os ideogramas originais, "a base", o fundamento ("Kihon" 基本) ... só depois passas para letras cursivas."
E - "Bem, mas para isso deve ser preciso preencher muito papel..."
J - "(^_^) «Treinar, treinar, treinar... e quando achares que "sabes": treinar, treinar, treinar!»"
J - "Estás agora a entender a relação caligrafia/artes marciais?"
E - "Sim (^_^), acho que sim."
----------
« Transcrição do diálogo gentilmente autorizada pela Elisabete. »
Nota: Quando houver um diálogo que traga alguma coisa a ser considerada, irei colocá-los à apreciação de todos, pois podem sempre ser úteis para outras pessoas.
Hoje, estive a conversar via Facebook com a Elisabete Martins, praticante de Aikidō em Faro (Portugal) - e uma pessoa "muito curiosa" sobre cultura japonesa - sobre os ideogramas que estavam na minha capa do Facebook. Como ela já reconhece alguns ideogramas japoneses referentes ao Aikidō, a nossa conversa foi assim:
J - "Consegues ler os ideogramas que estão na minha «capa» do Facebook?"
E - "Não consigo!"
J - "Ali está escrito 合氣道 «Aikidō»."
E - "Mas da maneira que estão traçados fica muito dificil para mim ."
J - "Não só para ti, mas para qualquer pessoa que não conheça os ideogramas mais a fundo... é a forma «cursiva» dos Kanji."
E - "Olhando agora lá decifrei qualquer coisa. Realmente, só se souberes traçá-los é que os consegues identificar com este aspecto (parece me a mim)."
J - "Aí que está a beleza das formas... Se «entendes» os ideogramas consegue «vê-los», se não os entende, são só um monte de rabiscos! Se consegues «perceber» as técnicas marciais, independente de como são feitas, então consegues «vê-las» sob as mais variadas formas de execução e descobres a beleza por trás de determinadas particularidades...
É por isso que a caligrafia japonesa tem a ver com artes marciais. A beleza na interpretação dos movimentos de cada pessoa e de cada ideograma em particular. Beleza quer dos traços da escrita, quer dos movimentos das técnicas de combate. Assim sendo, precisamos entender "ambas as artes"...
É por isso que a caligrafia japonesa tem a ver com artes marciais. A beleza na interpretação dos movimentos de cada pessoa e de cada ideograma em particular. Beleza quer dos traços da escrita, quer dos movimentos das técnicas de combate. Assim sendo, precisamos entender "ambas as artes"...
Imagina agora escrever os ideogramas da palavra "Aikidō" com uma espada... primeiro na forma dos ideogramas que já conhecias, na forma padrão, da maneira didática e depois da forma cursiva, como estes que estão na minha capa... estes últimos não te parecem mais «livres» mas sem perder o significado?"
E - "Eu ainda estou muito "quadrada", tenho de seguir à risca os passinhos todos da escrita e da técnica."
J - "Exato! É necessário aprender os ideogramas originais, "a base", o fundamento ("Kihon" 基本) ... só depois passas para letras cursivas."
E - "Bem, mas para isso deve ser preciso preencher muito papel..."
J - "(^_^) «Treinar, treinar, treinar... e quando achares que "sabes": treinar, treinar, treinar!»"
E - "Sinto-me como a minha sobrinha, que está a aprender a escrever e faz muita força com o ponta do lápis no papel e agarra o lápis com muita força. Eu nas aulas de Aikidō devo ser assim: nas técnicas, no bokken e nos ideogramas."
J - "Estás agora a entender a relação caligrafia/artes marciais?"
E - "Sim (^_^), acho que sim."
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Basicamente, a relação entre a caligrafia SHODŌ 書道 e artes marciais BUDŌ 武道 japonesas reside no fato de que ambas precisam do treino básico sólido, da compreensão e repetição dos movimentos para, só depois, adquirirmos a nossa própria forma de expressão (escrita ou marcial) natural. E é por partilharem as mesmas características de treino e expressão que a caligrafia e as artes marciais japonesas estão tão ligadas. Quanto mais praticarmos, maior será a nossa capacidade de percepção do significado de "beleza artística" gráfica ou de combate.
« Transcrição do diálogo gentilmente autorizada pela Elisabete. »
Nota: Quando houver um diálogo que traga alguma coisa a ser considerada, irei colocá-los à apreciação de todos, pois podem sempre ser úteis para outras pessoas.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
97. Mais uma investida do Oss.
E quando o assunto da transcrição da palavra japonesa OSU parecia estar completamente fundamentado, eis que surgem mais argumentações para o uso do errado OSS. (^_^)
Mesmo sabendo que em japonês não há consoantes soltas, "etc. etc. etc.".
Agora, com novo ânimo, apegam-se convenientemente a camisetas e pins da JKF e ficam escandalizados por eu afirmar - e continuo a afirmar - que a JKF não é NENHUMA AUTORIDADE LINGUÍSTICA! (Comprovado pelas imagens difundidas como "verdade absoluta" a seguir)
Ou seja, usar camisetas e pins para justificar uma má transcrição prece-me ser uma teoria muito pouco sustentável!
Mas este pessoal quer lá saber de "sustentabilidade"? (^_^)
Eu até poderia sugerir uma "fundamentação" sobre esse "apego desmedido" a este assunto (embora pouco provável a nível linguístico),, mas que deixaria o pessoal do OSS mais feliz: basta dizer que "é um termo mundialmente conhecido e, portanto, justificável por si só!"
Basicamente: continuar com a conveniência e a acomodação! Tão criticadas, mas tão defendidas!
No meu caso em particular, não aceito uma explicação que não pode ser fundamentada, assim, eu prefiro usar um sistema «oficial» de transcrição fonética das palavras japonesas e, desta forma, apresentar uma informação o mais próxima da realidade possível... Se não é este o seu caso, nada o obriga a ler o que eu escrevo ou se importar com o que eu digo... (^_^) Porque, há muito, eu deixei de ler aquilo com o que eu não concordo!
Nota: Esta entrada no meu Blog apenas serve para dar resposta ao Sensei Inocentes sobre a nova "tendência" do OSS. (^_~) b Deixe-os falar!
Mesmo sabendo que em japonês não há consoantes soltas, "etc. etc. etc.".
Agora, com novo ânimo, apegam-se convenientemente a camisetas e pins da JKF e ficam escandalizados por eu afirmar - e continuo a afirmar - que a JKF não é NENHUMA AUTORIDADE LINGUÍSTICA! (Comprovado pelas imagens difundidas como "verdade absoluta" a seguir)
Mas se querem ir por esta via, ou seja, das "camisetas e pins" (^_^), então, também poderiam encontrar as seguintes imagens com a transcrição CORRETA: OSU - em camisetas, revistas, pins, capas para I-pad, campanhas pelo terremoto no Japão, etc. (imagens que não foram difundidas pelos defensores do OSS por irem contra as suas crenças,,por serem imparciais ou por serem inconvenientes àquilo que se propõem):
Ou seja, usar camisetas e pins para justificar uma má transcrição prece-me ser uma teoria muito pouco sustentável!
Mas este pessoal quer lá saber de "sustentabilidade"? (^_^)
Querem porque querem o OSS!! \ (^o^) /
Por isso, voltam à carga de tempos em tempos com o mesmo assunto, mas com "novas" ideias! Mas o que o pessoal destas "ideias fixas" sobre o OSS ainda não fez até o dia de hoje foi FUNDAMENTAR o uso OSS como sendo correto! Por que será?
Possivelmente, nem se importam em fundamentar seja o que for! O importante é que marquem a sua posição! "Marcar a posição"... Louvável, pouco racional se não fundamentada, mas louvável.
Por isso, voltam à carga de tempos em tempos com o mesmo assunto, mas com "novas" ideias! Mas o que o pessoal destas "ideias fixas" sobre o OSS ainda não fez até o dia de hoje foi FUNDAMENTAR o uso OSS como sendo correto! Por que será?
Possivelmente, nem se importam em fundamentar seja o que for! O importante é que marquem a sua posição! "Marcar a posição"... Louvável, pouco racional se não fundamentada, mas louvável.
Eu até poderia sugerir uma "fundamentação" sobre esse "apego desmedido" a este assunto (embora pouco provável a nível linguístico),, mas que deixaria o pessoal do OSS mais feliz: basta dizer que "é um termo mundialmente conhecido e, portanto, justificável por si só!"
Basicamente: continuar com a conveniência e a acomodação! Tão criticadas, mas tão defendidas!
Há gostos para tudo e muitas pessoas ficariam contentes com esta explicação!
No meu caso em particular, não aceito uma explicação que não pode ser fundamentada, assim, eu prefiro usar um sistema «oficial» de transcrição fonética das palavras japonesas e, desta forma, apresentar uma informação o mais próxima da realidade possível... Se não é este o seu caso, nada o obriga a ler o que eu escrevo ou se importar com o que eu digo... (^_^) Porque, há muito, eu deixei de ler aquilo com o que eu não concordo!
Nota: Esta entrada no meu Blog apenas serve para dar resposta ao Sensei Inocentes sobre a nova "tendência" do OSS. (^_~) b Deixe-os falar!
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
96. SHITŌ-RYŪ, o emblema.
Aos bons instrutores, a todos que pesquisam, estudam ou tem curiosidade sobre Karate, em particular o estilo Shitō-Ryū 糸東流, eis mais um ponto a considerar quando transmitimos informação fundamentada.
Ontem eu estava a ler uma entrada no Facebook onde havia uma explicação sobre o significado do emblema da Shitō-Ryū... estava algo (mais ou menos) assim: "O círculo representa a paz e as linhas compõem os ideogramas para a palavra «pessoas»."
Olhei com mais calma para o emblema e, com boa vontade, com muuuuuuito boa vontade, fui capaz de identificar pelo menos 1 ideograma para a palavra "pessoa(s)"!
Mas, na minha mente, começou a ecoar a seguinte questão: mas será esta a explicação original?
Confuso?! (^_^) Vamos por partes para entenderem a minha dúvida.
Quanto ao círculo, acredito não terem qualquer dúvida onde está.
和 WA "Paz".
[Curiosidade (^_^) : A palavra WA, em japonês, também pode significar "círculo, roda, aro", daí, penso eu, a associação do círculo com a ideia de paz, porque ambas as palavras - «paz» e «círculo» - são homófonas (têm o mesmo som), mas usam diferentes ideogramas. No sentido de círculo, roda... o ideograma da palavra WA é 輪 ]
Mas encontrar algo que pareça com "pessoa(s)", "ser(es) humano(s)"... isso já fica mais complicado se não conhecermos o ideograma que indica esta palavra em japonês!
和 WA "Paz".
[Curiosidade (^_^) : A palavra WA, em japonês, também pode significar "círculo, roda, aro", daí, penso eu, a associação do círculo com a ideia de paz, porque ambas as palavras - «paz» e «círculo» - são homófonas (têm o mesmo som), mas usam diferentes ideogramas. No sentido de círculo, roda... o ideograma da palavra WA é 輪 ]
Mas encontrar algo que pareça com "pessoa(s)", "ser(es) humano(s)"... isso já fica mais complicado se não conhecermos o ideograma que indica esta palavra em japonês!
Assim, aqui está o ideograma para a palavra «pessoa(s)»:
人 JIN, NIN, hito, -ri, -to.
Como eu disse antes, com boa vontade, pode-se ver esse ideograma no lado direito, mas não no esquerdo. Por quê? Porque, de acordo com a ordem correta de escrita dos ideogramas, existe um outro ideograma que se parece muito com o ideograma "pessoas", apenas a ordem dos traços é que diferencia ambos. Este é o caso do ideograma a seguir:
入 NYŪ, NI(tsu), hairu, iru, ireru = "Entrar", "inserir(-se)", etc.
Como a dúvida é a mãe da pesquisa, fui à procura de respostas à minha questão:
Encontrei o seguinte site:
沖縄の家紋 - OKINAWA NO KAMON
"OS ESCUDOS DAS FAMÍLIAS DE OKINAWA."
De acordo com este site, este escudo - usado atualmente pelo estilo Shitō-Ryū de Karate-dō - foi criado por Oni-Ufu-gusuku-Ken'yū 鬼大城賢雄 e representa subdivisões de famílias, tais como Mabuni, Shabana, Akena, Uchimine, Kanegusuku, Kôchi, Nakamura, entre outras.
Eu poderia ainda citar outras fontes, mas as duas questões que o assunto agora levanta são:
1. Se o mesmo emblema pode ser usado por várias famílias, é natural que o significado possa variar e, portanto, deve-se saber realmente qual era o significado original (se havia algum) na origem da utilização na família Mabuni.
2. Qual era o significado original que Goeku Ken'yū 越来賢雄 - o autor do escudo - tinha em mente na época da sua criação e verificar se houve "alterações" com o passar do tempo.
Como eu não tenho conhecimento efetivo sobre o estilo Shitō-Ryū, fica o desenvolvimento deste assunto àqueles que têm curiosidade (e gostam de pesquisa e estudo) procurar as respostas o mais verdadeiras possível e apresentá-las de forma fundamentada e consistente.
(^_^)
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
95. O "SHIN" de "SHINGITAI".
Em regra
geral, em se tratando da transmissão de conhecimento, existem muitos conceitos
que causam bastante confusão no meio marcial. E a razão para o aparecimento destes
problemas de interpretação (no ocidente) sobre os conceitos japoneses reside na
falta de contexto onde estes mesmos conceitos devem ser aplicados.
Um destes
conceitos, bastante recorrente, é a expressão SHINGITAI 心技体, literalmente: “Espírito, técnica
e corpo”.
Como sempre,
vamos – em primeiro lugar – entender a expressão japonesa e só depois tecer os
devidos comentários.
Esta expressão
é composta por três ideogramas:
心 SHIN –
“Espírito”.
技 GI – “Técnica(s)”.
体 TAI –
“Corpo” ou “condicionamento físico”.
Antigamente, dizia-se
que o treino deveria ser feito de tal forma que a importância em cada área
fosse 60%, 30% e 10% respectivamente, dando atenção ao treino do “espírito” em
primeiro lugar, depois às técnicas e, por fim, ao condicionamento físico.
É simples entendermos sobre o que tratam as partes da “Técnica” e a parte do “Condicionamento
físico”, mas as coisas ficam bastante complicadas quando entramos no terreno “Espírito”.
Antes de tudo,
cumpre-me chamar a vossa atenção para o fato do que a abordagem a ser feita a
seguir representa a minha opinião e experiência pessoal no ensino desta
expressão àqueles com quem partilhei conceitos básicos japoneses e é uma forma
bastante simples para fazer entender algo que pode ser bastante complexo, dependendo do grau de profundidade dado a esta expressão. Além disso, testei os
conceitos a seguir na vida diária e comprovei que estes correspondem à realidade que eu vivi
e vivo.
Colocadas as
considerações iniciais, passemos à pergunta fundamental e crucial que origina qualquer
discussão ao redor desta expressão: “o
que é o espírito?”
É exatamente
neste ponto que 99,99% daqueles que abordam este assunto cometem as maiores
barbaridades! Por quê? Porque esquecem o mais elementar dos fatores: o
contexto! O “contexto” é capaz de explicar praticamente tudo a respeito das
artes marciais japonesas, desde que entendido corretamente. Falar sobre “espírito”
ou “espiritualidade” implica saber “onde” e “como” esta “espiritualidade” está
inserida quando da sua utilização num determinado contexto – neste caso, as
artes marciais.
Assim, em
primeiro lugar, é necessário “posicionar” o assunto no contexto correto!
Quando autores
ocidentais abordam o assunto SHINGITAI, frequentemente o ideograma SHIN “espírito”
remete a matéria para o campo da fé, da religiosidade, do misticismo, das “forças
invisíveis” e, portanto, “algo” forçosamente DEVE “justificar” esta linha de
pensamento!
Como este
pensamento orientado à religiosidade exige uma justificativa para a qual não há
qualquer fundamentação efetiva que o conecte diretamente com as artes marciais, os disparates
começam a surgir: atribui-se o termo “Zen” a quase TUDO que se faça a nível de
Budō (pois “algo” TEM DE “justificar” a religiosidade)... nem que seja um devaneio pouco racional!
Assim, de
forma bastante grosseira, irrefletida e simplista, abrevia-se «Espiritualidade
= Zen», porque no ocidente vemos “espiritualidade” SEMPRE ligada a uma “religião”
(católica, budista, judaica, etc). Consequentemente,
seguindo esta linha de pensamento, “as artes marciais têm de ter uma “religiosidade”
associada"!
ERRADO!
Se alguém com
um excelente condicionamento físico for ao chão e não tiver “espírito” (força de
vontade) para levantar… de que adianta o condicionamento físico?
Se alguém com
uma técnica impressionante não tiver “espírito” (vontade ou determinação) para
combater… de que adianta a técnica?
O que comprova
que o treino do “espírito” (aquilo que nos faz avançar e a superar as nossas próprias dificuldades) é «ou deveria ser», realmente, o ponto mais importante a ser trabalhado.
Se estivermos
em mau ou péssimo condicionamento físico, mas a nossa mente (“espírito”) disser
para levantarmos e continuar, então levantamos e continuamos! Se as nossas
técnicas não forem boas o suficiente, mas a nossa mente (“espírito”) disser para
continuarmos a lutar, então continuaremos a lutar!
Enquanto o “espírito”
ocidental está direta ou indiretamente ligado, realmente, a uma corrente “religiosa”
(seja ela qual for), a IDEIA de “espírito” a nível marcial pode ser direcionada
a determinado campo de atividade e NÃO implica necessariamente uma religião ou
filosofia específica. Por exemplo, no oriente, pode-se muito bem passar uma
vida inteira atrás da “iluminação” espiritual e nunca a atingir (devido a fatores
diversos) e – simultaneamente – ser um excelente guerreiro! Porque o “espírito”
marcial” nada tem a ver com o “espírito religioso”! É justamente a respeito
do “espírito marcial”, do “espírito de guerreiro” que faz referência a
expressão SHINGITAI… Não está escrito em parte alguma que o SHINGITAI tem a ver
com alguma religião ou filosofia em particular! Esta “suposição” pouco
refletida é coisa “recente”.
O “espírito
marcial” a que se refere a expressão SHINGITAI é a nossa determinação, é a
nossa vontade, o nosso empenho particular. É a nossa honra, a nossa moral, a nossa
ética, a nossa “retidão espiritual”. E isso é visível nas palavras dos mestres antigos:
佛神は尊し佛神をたのます。“Mesmo que
Buda e os Deuses sejam importantes, não dependa das suas providências.”
Miyamoto
Musashi – in "Os 21 preceitos do Dokkōdō."
正勝吾勝勝速日。“A vitória
será verdadeira, justa ou correta na medida em que for sobre nós mesmos e todos
os dias temos a chance de alcançá-la.”
Ueshiba
Morihei – Fundador do Aikidō.
力必達。“Se
alguém se esforçar (realmente), atingirá os seus objetivos.”
Kanō
Jigorō – Fundador do Jūdō.
Nestes
casos há referência ao esforço pessoal, sendo que Miyamoto vai mais longe e diz
que (na hora do combate) o melhor é contar consigo mesmo. Mas,
também é sabido que a cultura do “esforço pessoal” tem sido bastante menosprezada
nestes últimos tempos… “A Lei do menor esforço”, dizem.
Portanto,
o SHIN, o “espírito” de SHINGITAI não traz em si qualquer religiosidade, é apenas a expressão do nosso esforço diário, dentro ou fora do Dōjō, ajudando-nos a levantar a cada queda, com determinação e empenho - tornando-nos mais fortes a cada dia, independente da idade, sexo, constituição física ou grau técnico, pois é isso
que se espera de um guerreiro e, de forma bastante simples, nada tem a ver com uma
religião ou filosofia específica (sendo que estas podem, na realidade, auxiliar
o processo de fortalecimento mental do praticante).
Para finalizar, por
SHIN "espírito" entenda-se a seguinte expressão: 倒れて後止む。”Só
pare de lutar DEPOIS de morto!”
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