terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

100. Cinco coisas que se notam imediatamente.

Quando entramos num Dōjō, aqueles que prestam atenção aos pormenores - uma vez que (supostamente) o Dōjō deve manter alguns aspectos tradicionais da cultura japonesa - naturalmente irão notar imediatamente alguns pontos de interesse.
Enumerei aqui apenas cinco, mas estes pontos de interesse vão bem mais além. É como o próprio Bushidō, isto é, um código NÃO ESCRITO [1] de procedimentos e atitudes.


O seu grau de importância está apenas da forma como o responsável pelo Dōjō vê a transmissão do ensino, não sendo - para nós ocidentais - necessariamente "obrigatórios". 
Mais uma vez: é tudo uma questão de escolhas.
(^_^)

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NOTA:
[1] Algumas pessoas acham que o Bushidō é algo que foi elaborado especificamente para a sociedade feudal nipônica, mas - na realidade - o processo em si foi sendo adaptado e evoluiu com o passar do tempo e mudanças sociais japonesas. Portanto, não foi especificamente "codificado" com um fim particular determinado.

99. Encerrando o assunto OSU definitivamente.

E não tenho mais nada a dizer sobre este assunto.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

98. DIÁLOGO 01.

A RELAÇÃO BUDŌ 武道 / SHODŌ 書道.
Hoje, estive a conversar via Facebook com a Elisabete Martins, praticante de Aikidō em Faro (Portugal) - e uma pessoa "muito curiosa" sobre cultura japonesa - sobre os ideogramas que estavam na minha capa do Facebook. Como ela já reconhece alguns ideogramas japoneses referentes ao Aikidō, a nossa conversa foi assim:


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J - "Consegues ler os ideogramas que estão na minha «capa» do Facebook?"

E - "Não consigo!"

J - "Ali está escrito 合氣道 «Aikidō»."

E - "Mas da maneira que estão traçados fica muito dificil para mim ."

J - "Não só para ti, mas para qualquer pessoa que não conheça os ideogramas mais a fundo... é a forma «cursiva» dos Kanji."

E - "Olhando agora lá decifrei qualquer coisa. Realmente, só se souberes traçá-los é que os consegues identificar com este aspecto (parece me a mim)."

J - "Aí que está a beleza das formas... Se «entendes» os ideogramas consegue «vê-los», se não os entende, são só um monte de rabiscos! Se consegues «perceber» as técnicas marciais, independente de como são feitas, então consegues «vê-las» sob as mais variadas formas de execução e descobres a beleza por trás de determinadas particularidades...
É por isso que a caligrafia japonesa tem a ver com artes marciais. A beleza na interpretação dos movimentos de cada pessoa e de cada ideograma em particular. Beleza quer dos traços da escrita, quer dos movimentos das técnicas de combate. Assim sendo, precisamos entender "ambas as artes"... 
Imagina agora escrever os ideogramas da palavra "Aikidō" com uma espada... primeiro na forma dos ideogramas que já conhecias, na forma padrão, da maneira didática e depois da forma cursiva, como estes que estão na minha capa... estes últimos não te parecem mais «livres» mas sem perder o significado?"

E - "Eu ainda estou muito "quadrada", tenho de seguir à risca os passinhos todos da escrita e da técnica."

J - "Exato! É necessário aprender os ideogramas originais, "a base", o fundamento ("Kihon" 基本) ... só depois passas para letras cursivas."

E - "Bem, mas para isso deve ser preciso preencher muito papel..."

J - "(^_^) «Treinar, treinar, treinar... e quando achares que "sabes": treinar, treinar, treinar!»"

E - "Sinto-me como a minha sobrinha, que está a aprender a escrever e faz muita força com o ponta do lápis no papel e agarra o lápis com muita força. Eu nas aulas de Aikidō devo ser assim: nas técnicas, no bokken e nos ideogramas."

J - "Estás agora a entender a relação caligrafia/artes marciais?"

E - "Sim (^_^), acho que sim."

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Basicamente, a relação entre a caligrafia SHODŌ 書道 e artes marciais BUDŌ 武道 japonesas reside no fato de que ambas precisam do treino básico sólido, da compreensão e repetição dos movimentos para, só depois, adquirirmos a nossa própria forma de expressão (escrita ou marcial) natural. E é por partilharem as mesmas características de treino e expressão que a caligrafia e as artes marciais japonesas estão tão ligadas. Quanto mais praticarmos, maior será a nossa capacidade de percepção do significado de "beleza artística" gráfica ou de combate.

« Transcrição do diálogo gentilmente autorizada pela Elisabete. »

Nota: Quando houver um diálogo que traga alguma coisa a ser considerada, irei colocá-los à apreciação de todos, pois podem sempre ser úteis para outras pessoas.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

97. Mais uma investida do Oss.

E quando o assunto da transcrição da palavra japonesa OSU parecia estar completamente fundamentado, eis que surgem mais argumentações para o uso do errado OSS. (^_^)
Mesmo sabendo que em japonês não há consoantes soltas, "etc. etc. etc.".

Agora, com novo ânimo, apegam-se convenientemente a camisetas e pins da JKF e ficam escandalizados por eu afirmar - e continuo a afirmar - que a JKF não é NENHUMA AUTORIDADE LINGUÍSTICA! (Comprovado pelas imagens difundidas como "verdade absoluta" a seguir)


Mas se querem ir por esta via, ou seja, das "camisetas e pins" (^_^), então, também poderiam encontrar as seguintes imagens com a transcrição CORRETA: OSU - em camisetas, revistas, pins, capas para I-pad, campanhas pelo terremoto no Japão, etc. (imagens que não foram difundidas pelos defensores do OSS por irem contra as suas crenças,,por serem imparciais ou por serem inconvenientes àquilo que se propõem):



Ou seja, usar camisetas e pins para justificar uma má transcrição prece-me ser uma teoria muito pouco sustentável!
Mas este pessoal quer lá saber de "sustentabilidade"? (^_^)
Querem porque querem o OSS!!   \ (^o^) / 
Por isso, voltam à carga de tempos em tempos com o mesmo assunto, mas com "novas" ideias! Mas o que o pessoal destas "ideias fixas" sobre o OSS ainda não fez até o dia de hoje foi FUNDAMENTAR o uso OSS como sendo correto! Por que será?
Possivelmente, nem se importam em fundamentar seja o que for! O importante é que marquem a sua posição! "Marcar a posição"... Louvável, pouco racional se não fundamentada, mas louvável.

Eu até poderia sugerir uma "fundamentação" sobre esse "apego desmedido" a este assunto (embora pouco provável a nível linguístico),, mas que deixaria o pessoal do OSS mais feliz: basta dizer que "é um termo mundialmente conhecido e, portanto, justificável por si só!"
Basicamente: continuar com a conveniência e a acomodação! Tão criticadas, mas tão defendidas! 
Há gostos para tudo e muitas pessoas ficariam contentes com esta explicação! 

No meu caso em particular, não aceito uma explicação que não pode ser fundamentada, assim, eu prefiro usar um sistema «oficial» de transcrição fonética das palavras japonesas e, desta forma, apresentar uma informação o mais próxima da realidade possível... Se não é este o seu caso, nada o obriga a ler o que eu escrevo ou se importar com o que eu digo... (^_^) Porque, há muito, eu deixei de ler aquilo com o que eu não concordo!

Nota: Esta entrada no meu Blog apenas serve para dar resposta ao Sensei Inocentes sobre a nova "tendência" do OSS. (^_~) b Deixe-os falar!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

96. SHITŌ-RYŪ, o emblema.


Aos bons instrutores, a todos que pesquisam, estudam ou tem curiosidade sobre Karate, em particular o estilo Shitō-Ryū 糸東流, eis mais um ponto a considerar quando transmitimos informação fundamentada.

Ontem eu estava a ler uma entrada no Facebook onde havia uma explicação sobre o significado do emblema da Shitō-Ryū... estava algo (mais ou menos) assim: "O círculo representa a paz e as linhas compõem os ideogramas para a palavra «pessoas»."

Olhei com mais calma para o emblema e, com boa vontade, com muuuuuuito boa vontade, fui capaz de identificar pelo menos 1 ideograma para a palavra "pessoa(s)"!

Mas, na minha mente, começou a ecoar a seguinte questão: mas será esta a explicação original?

Confuso?! (^_^) Vamos por partes para entenderem a minha dúvida.

Quanto ao círculo, acredito não terem qualquer dúvida onde está.

WA "Paz".

[Curiosidade (^_^) : A palavra WA, em japonês, também pode significar "círculo, roda, aro", daí, penso eu, a associação do círculo com a ideia de paz, porque ambas as palavras - «paz» e «círculo» - são homófonas (têm o mesmo som), mas usam diferentes ideogramas. No sentido de círculo, roda... o ideograma da palavra WA é  ]
Mas encontrar algo que pareça com "pessoa(s)", "ser(es) humano(s)"... isso já fica mais complicado se não conhecermos o ideograma que indica esta palavra em japonês!

Assim, aqui está o ideograma para a palavra «pessoa(s)»: 

JIN, NIN, hito, -ri, -to.

Como eu disse antes, com boa vontade, pode-se ver esse ideograma no lado direito, mas não no esquerdo. Por quê? Porque, de acordo com a ordem correta de escrita dos ideogramas, existe um outro ideograma que se parece muito com o ideograma "pessoas", apenas a ordem dos traços é que diferencia ambos. Este é o caso do ideograma a seguir:

NYŪ, NI(tsu), hairu, iru, ireru = "Entrar", "inserir(-se)", etc.



Como a dúvida é a mãe da pesquisa, fui à procura de respostas à minha questão:

Encontrei o seguinte site:

沖縄の家紋 - OKINAWA NO KAMON
"OS ESCUDOS DAS FAMÍLIAS DE OKINAWA." 


De acordo com este site, este escudo - usado atualmente pelo estilo Shitō-Ryū de Karate-dō - foi criado por Oni-Ufu-gusuku-Ken'yū 鬼大城賢雄 e representa subdivisões de famílias, tais como Mabuni, Shabana, Akena, Uchimine, Kanegusuku, Kôchi, Nakamura, entre outras.

Eu poderia ainda citar outras fontes, mas as duas questões que o assunto agora levanta são:

1. Se o mesmo emblema pode ser usado por várias famílias, é natural que o significado possa variar e, portanto, deve-se saber realmente qual era o significado original (se havia algum) na origem da utilização na família Mabuni.

2. Qual era o significado original que Goeku Ken'yū 越来賢雄 - o autor do escudo - tinha em mente na época da sua criação e verificar se houve "alterações" com o passar do tempo.

Como eu não tenho conhecimento efetivo sobre o estilo Shitō-Ryū, fica o desenvolvimento deste assunto àqueles que têm curiosidade (e gostam de pesquisa e estudo) procurar as respostas o mais verdadeiras possível e apresentá-las de forma fundamentada e consistente.
(^_^)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

95. O "SHIN" de "SHINGITAI".

Em regra geral, em se tratando da transmissão de conhecimento, existem muitos conceitos que causam bastante confusão no meio marcial. E a razão para o aparecimento destes problemas de interpretação (no ocidente) sobre os conceitos japoneses reside na falta de contexto onde estes mesmos conceitos devem ser aplicados.
Um destes conceitos, bastante recorrente, é a expressão SHINGITAI 心技体, literalmente: “Espírito, técnica e corpo”.
Como sempre, vamos – em primeiro lugar – entender a expressão japonesa e só depois tecer os devidos comentários.
Esta expressão é composta por três ideogramas:
SHIN – “Espírito”.
GI – “Técnica(s)”.
TAI – “Corpo” ou “condicionamento físico”.
Antigamente, dizia-se que o treino deveria ser feito de tal forma que a importância em cada área fosse 60%, 30% e 10% respectivamente, dando atenção ao treino do “espírito” em primeiro lugar, depois às técnicas e, por fim, ao condicionamento físico.
É simples entendermos sobre o que tratam as partes da “Técnica” e a parte do “Condicionamento físico”, mas as coisas ficam bastante complicadas quando entramos no terreno “Espírito”.
Antes de tudo, cumpre-me chamar a vossa atenção para o fato do que a abordagem a ser feita a seguir representa a minha opinião e experiência pessoal no ensino desta expressão àqueles com quem partilhei conceitos básicos japoneses e é uma forma bastante simples para fazer entender algo que pode ser bastante complexo, dependendo do grau de profundidade dado a esta expressão. Além disso, testei os conceitos a seguir na vida diária e comprovei que estes correspondem à realidade que eu vivi e vivo.
Colocadas as considerações iniciais, passemos à pergunta fundamental e crucial que origina qualquer discussão ao redor desta expressão: “o que é o espírito?”
É exatamente neste ponto que 99,99% daqueles que abordam este assunto cometem as maiores barbaridades! Por quê? Porque esquecem o mais elementar dos fatores: o contexto! O “contexto” é capaz de explicar praticamente tudo a respeito das artes marciais japonesas, desde que entendido corretamente. Falar sobre “espírito” ou “espiritualidade” implica saber “onde” e “como” esta “espiritualidade” está inserida quando da sua utilização num determinado contexto – neste caso, as artes marciais.
Assim, em primeiro lugar, é necessário “posicionar” o assunto no contexto correto!
Quando autores ocidentais abordam o assunto SHINGITAI, frequentemente o ideograma SHIN “espírito” remete a matéria para o campo da fé, da religiosidade, do misticismo, das “forças invisíveis” e, portanto, “algo” forçosamente DEVE “justificar” esta linha de pensamento!
Como este pensamento orientado à religiosidade exige uma justificativa para a qual não há qualquer fundamentação efetiva que o conecte diretamente com as artes marciais, os disparates começam a surgir: atribui-se o termo “Zen” a quase TUDO que se faça a nível de Budō (pois “algo” TEM DE “justificar” a religiosidade)... nem que seja um devaneio pouco racional!
Assim, de forma bastante grosseira, irrefletida e simplista, abrevia-se «Espiritualidade = Zen», porque no ocidente vemos “espiritualidade” SEMPRE ligada a uma “religião” (católica, budista, judaica, etc). Consequentemente, seguindo esta linha de pensamento, “as artes marciais têm de ter uma “religiosidade” associada"!
ERRADO!
Se alguém com um excelente condicionamento físico for ao chão e não tiver “espírito” (força de vontade) para levantar… de que adianta o condicionamento físico?
Se alguém com uma técnica impressionante não tiver “espírito” (vontade ou determinação) para combater… de que adianta a técnica?
O que comprova que o treino do “espírito” (aquilo que nos faz avançar e a superar as nossas próprias dificuldades) é «ou deveria ser», realmente, o ponto mais importante a ser trabalhado.
Se estivermos em mau ou péssimo condicionamento físico, mas a nossa mente (“espírito”) disser para levantarmos e continuar, então levantamos e continuamos! Se as nossas técnicas não forem boas o suficiente, mas a nossa mente (“espírito”) disser para continuarmos a lutar, então continuaremos a lutar!
Enquanto o “espírito” ocidental está direta ou indiretamente ligado, realmente, a uma corrente “religiosa” (seja ela qual for), a IDEIA de “espírito” a nível marcial pode ser direcionada a determinado campo de atividade e NÃO implica necessariamente uma religião ou filosofia específica. Por exemplo, no oriente, pode-se muito bem passar uma vida inteira atrás da “iluminação” espiritual e nunca a atingir (devido a fatores diversos) e – simultaneamente – ser um excelente guerreiro! Porque o “espírito” marcial” nada tem a ver com o “espírito religioso”! É justamente a respeito do “espírito marcial”, do “espírito de guerreiro” que faz referência a expressão SHINGITAI… Não está escrito em parte alguma que o SHINGITAI tem a ver com alguma religião ou filosofia em particular! Esta “suposição” pouco refletida é coisa “recente”.
O “espírito marcial” a que se refere a expressão SHINGITAI é a nossa determinação, é a nossa vontade, o nosso empenho particular. É a nossa honra, a nossa moral, a nossa ética, a nossa “retidão espiritual”. E isso é visível nas palavras dos mestres antigos:

佛神は尊し佛神をたのます。“Mesmo que Buda e os Deuses sejam importantes, não dependa das suas providências.”
Miyamoto Musashi – in "Os 21 preceitos do Dokkōdō."

正勝吾勝勝速日“A vitória será verdadeira, justa ou correta na medida em que for sobre nós mesmos e todos os dias temos a chance de alcançá-la.”
Ueshiba Morihei – Fundador do Aikidō.

      力必達“Se alguém se esforçar (realmente), atingirá os seus objetivos.”
            Kanō Jigorō – Fundador do Jūdō.

            Nestes casos há referência ao esforço pessoal, sendo que Miyamoto vai mais longe e diz que (na hora do combate) o melhor é contar consigo mesmo. Mas, também é sabido que a cultura do “esforço pessoal” tem sido bastante menosprezada nestes últimos tempos… “A Lei do menor esforço”, dizem.
            Portanto, o SHIN, o “espírito” de SHINGITAI não traz em si qualquer religiosidade, é apenas a expressão do nosso esforço diário, dentro ou fora do Dōjō, ajudando-nos a levantar a cada queda, com determinação e empenho - tornando-nos mais fortes a cada dia, independente da idade, sexo, constituição física ou grau técnico, pois é isso que se espera de um guerreiro e, de forma bastante simples, nada tem a ver com uma religião ou filosofia específica (sendo que estas podem, na realidade, auxiliar o processo de fortalecimento mental do praticante).
            Para finalizar, por SHIN "espírito" entenda-se a seguinte expressão: 倒れて後止む。”Só pare de lutar DEPOIS de morto!”

domingo, 11 de novembro de 2012

94. Reflexões - Exames de Graduação.


            Não há escola de artes marciais japonesas – a nível mundial – que não tenham exames de graduação. E esta afirmação é válida para diversas artes, tais como: o Karate-dō 空手道, Jūdō 柔道, Aikidō 合氣道, Kenpō 拳法, Ninpō 忍法 (superficialmente chamado de Nin-jutsu), Shin-jūjutsu 新柔術 (“o Neo-jūjutsu”) etc..
            Independente das razões – plausíveis ou não – a realidade dos exames de graduação parece ser a mesma nos quatro cantos do planeta, isto é, os resultados são normalmente bastante previsíveis.
Assim sendo, para esta “breve” reflexão, vou dividir o assunto da seguinte maneira:
1. Os requisitos mínimos para o exame.
2. O programa do exame.
3. O exame propriamente dito.
4. O resultado do exame.
Portanto, vamos ao que interessa:

1.      OS REQUISITOS MÍNIMOS PARA O EXAME.

Os problemas começam aqui…
O que se entende REALMENTE por “requisitos mínimos”?
Vamos começar pelo “elementar”: não existe duas pessoas iguais, portanto, o que pode ser mínimo para um pode ser o máximo para outro (em termos bastante exagerados). Contudo, é indiscutível que as pessoas não têm a mesma velocidade de aprendizado e, por isso, dificilmente se conseguiria um “requisito mínimo” que satisfizesse todas as condições existentes em um determinado Dōjō.
Alguém agora vai contrapor:
“Os requisitos mínimos foram feitos com base em uma média ponderada do número de alunos existentes dentro de determinada modalidade!”
Ao que eu vou responder:
Isso é uma explicação estúpida!!
E por que eu digo isso? Basicamente, a ser verdade essa treta da “média ponderada” (eu já ouvi tal desculpa algumas vezes), a estatística a respeito dos requisitos mínimos deveria ser feita de forma dinâmica, isto é, alterada periodicamente a fim de refletir os alunos novos que entram e alguns alunos que saem.
Sejamos honestos: isso NUNCA é feito!
No decorrer da linha temporal de um determinado estilo, alguém determinou os requisitos mínimos e estes vieram para ficar, sem que tenham qualquer fundamentação lógica. Assim, dizer que os requisitos mínimos refletem alguma “média geral” é um disparate completo!
Mas, quer gostemos ou não, os requisitos mínimos existem (em algumas escolas). Portanto, o que vem a seguir é:
“Para que servem tais requisitos mínimos?”
«Teoricamente» os requisitos mínimos seriam aquelas condições limites que, se não satisfeitas, impediriam ao candidato o acesso ao exame de graduação.
Isso é bastante questionável tendo como base o fato de as pessoas serem diferentes entre si e, portanto, seria necessária uma tabela de requisitos flexível…
Mas, na vida real, estas condições são “obedecidas” com base no que está definido e pronto. Assim, mesmo que pouco racionais, os requisitos servem para impedir determinados embaraços em se tratando de nivelar os candidatos a determinada graduação.

2.      O PROGRMA DO EXAME.

A situação continua a deteriorar a cada instante que avançamos neste assunto, porque, por incrível que isso possa parecer, o assunto “PROGRAMA DO EXAME” ainda é tabu em algumas escolas! A falta de transparência e mistério que apresentam algumas escolas e instrutores a respeito do programa de exame é, por si só, um sinal alarmante de que algo não está bem.
E qual é o motivo deste “véu de mistério” que envolve o programa do exame? Isso é simples: porque muitas escolas realmente não têm um programa de graduações definido! Nestes casos, o exame é uma mistura de coisas feitas às pressas (nas coxas) com um punhado de coisas pedidas ao acaso… onde aqueles alunos que são “mais amiguinhos” do instrutor (ou submetidos a outras situações mais obscuras) sempre saem com a graduação pretendida, infelizmente.
Novamente, vamos começar pelo princípio respondendo à pergunta:
“O que é um programa de exame?”
«Teoricamente» um programa de exame é a descrição do conhecimento e técnicas fundamentais que um candidato à determinada graduação deve saber. Sendo progressivo e acumulativo, isto é, o programa indica de forma sequencial todo o conhecimento que deve possuir o candidato para o exame a que se propõe sendo que este sempre irá acumular os programas precedentes.
Até aqui, nada de novidade…
A questão agora é:
“A respeito de que «conhecimento» estamos a falar?”
Eis um dos pontos fulcrais dos exames de graduação!
Na esmagadora maioria das escolas de artes marciais japonesas a nível MUNDIAL, quando falamos de «conhecimento» referimo-nos apenas às questões “práticas” de determinada arte, sendo que as questões “teóricas” são apenas raramente mencionadas ou não existem de todo (e, quando existem, apenas aparecem nos exames para faixas pretas)!
Nas boas escolas, aquelas que seguem uma linha tradicional de ensino japonês, o programa inclui «conhecimento» teórico e prático, pois é a teoria fundamenta a prática. Nas “outras” escolas, o aspecto “prático” dita 100% do exame.
Não quero dizer que as “outras” escolas estejam “erradas”, apenas contemplam 50% daquilo que deveria ser ensinado a respeito de determinada arte marcial, mas isto já é uma questão de escolha de cada instrutor em particular. Como tudo, é minha opinião pessoal que há bons instrutores e que existem os “outros”.
Não vou comentar sobre isso, porque é um assunto que pode ser amplamente visto aqui no meu blog na parte de Bunbu-ichi e a sua respectiva fundamentação.

3.      O EXAME PROPRIAMENTE DITO.

Bem. Sem blá blá blá inútil e tretas transcendentais:
“O que vemos na realidade (excetuando as boas escolas)?”
Marca-se um final de semana para serem verificados apenas os aspectos “práticos” de uma determinada arte e... fim!
Mesmo que pareça «só isso», há de se saber ler nas “entrelinhas” do que acabou de ocorrer! Para começar, existem três tipos de exames identificáveis à partida:

1.      O exame de Kyū (faixas coloridas). **
2.      O exame de Shodan (faixa preta inicial). **********
3.      O exame de Dan (faixas pretas subsequentes). *****
(Os asteriscos são os graus de dificuldade de 0 a 10.)

Observem que eu nem vou entrar no assunto sobre as diferenças entre “graduações de faixas pretas" e as “graduações de instrutor”… (^_^)
Pois bem, em «regra geral», os exames das graduações coloridas são bastante flexíveis e, em certa medida, bastante adaptáveis. O grau de exigência é baixo ou baixíssimo e não se dá a importância aos detalhes.
Quando o candidato chega à faixa marrom/castanha deverá ser submetido ao exame para a faixa preta inicial… aqui as coisas ficam mesmo feias! Deixa-se um período de uma certa liberdade e facilitismo e entra-se no “ritual de passagem”, quando o aluno deixa as faixas coloridas para trás (literalmente) e passa a ser um Sensei (sem saber o que isso significa realmente). Ao faixa marrom é exigido tudo e mais além.
Por fim, chega-se aos exames de Dan, novamente o grau de exigência cai consideravelmente e assim será até ao final da vida de praticante.
Estas são «regras gerais», ou seja, aquilo que é mais fácil de encontrar quando se assiste a um exame de artes marciais japonesas. Naturalmente, as exceções confirmam as regras, portanto, não é algo “absoluto” (piores e melhores exemplos são encontrados).

4.      O RESULTADO DO EXAME.

Considerando-se todo o universo dos praticantes de artes marciais japonesas a nível mundial, pode-se afirmar – com certeza – que estatisticamente, o número de reprovações num exame de graduações tende à inexistência. Mesmo que reprovações ocorram, elas não são – nem de longe – um número a ser considerado em comparação ao número de aprovações.
Sendo isto verdade, analisemos os casos de reprovação.
Tenho visto, em exames de diversas artes marciais japonesas, os instrutores chegarem perto do candidato e dizerem: “falta-te isto, falta-te aquilo…”Mas até hoje, eu NUNCA ouvi um instrutor dizer: “faltou-me ensinar-te isto, faltou-me treinar-te mais naquilo.” no final de um exame...
Atribuem-se más notas, maus desempenhos aos alunos, mas sendo uma dinâmica conjunta, o duo instrutor/aluno são, ou deveriam ser, ambos avaliados... por ser esta a forma mais justa!
Quando alguém vai a exame, as coisas que se esperam são. “nervosismo” (por saber (ou não) o que está em jogo), precipitação e pressa em fazer as técnicas ou responder às questões teóricas. Coisas pelas quais todos nós passamos. Quando fazemos exame com instrutores que nos conhecem, alguns levam em consideração tais fatores, outros instrutores (para passar uma imagem de "duros"), nem por isso. Mas pode-se contar sempre com pessoas "estranhas" nos exames para faixas pretas e, nestes casos, a compreensão do instrutor de nada irá valer e, portanto, apenas o conhecimento e treinos efetivos serão realmente úteis.
Agora vem a minha opinião pessoal, aquilo que eu "acho" que deveria ser feito (^_^)… Quando de um exame, tanto o aluno como o instrutor respectivo deveriam ser chamados ao centro do Dōjō, sendo que o "examinado" seria o aluno e o resultado do exame seria atribuído a ambos (aluno e instrutor), porque o aluno é o produto do (bom ou mau) ensino de determinado instrutor em particular.
Isso lembra-me o caso de Ōyama Masutatsu, no campeonato mundial aberto de artes marciais em 1973, onde ele disse que cometia seppuku (matava-se) se o seu estilo não vencesse a competição. Retirou a espada da bainha, colocou ao seu lado e ficou sentado à espera do resultado final. Naturalmente, os seus alunos venceram a competição porque ele sabia o que ele tinha ensinado! Foi como um tapa com luvas de pelica na esmagadora maioria dos instrutores de hoje em dia (ocidentais ou orientais): “Eu sei o que eu ensinei e garanto o resultado dos alunos que formei!”
Face o exposto acima, para concluir esta breve reflexão, resta-me apenas lembrar que o produto, o bom ou mau aluno também depende do bom ou mau instrutor e o desempenho ou resultado de um candidato a um exame de graduação (seja a graduação que for) está na razão direta do ensino recebido e determinação em fazer um bom exame demonstrada pelo aluno.
Concluo, portanto, que não ensinar e cobrar é estupidez (pura e dura)!

domingo, 30 de setembro de 2012

93. "Mokusō 黙想 - #1"

Bem. Hoje resolvi criar uns "desenhitos" para passar o tempo, por isso vão como estão...(^_^)

Não basta entitular-se "sensei", há de SER Sensei!

sábado, 29 de setembro de 2012

92. Falemos sobre... Tatuagens!

Hoje vamos "aliviar a pressão" e falar de um outro assunto relacionado com as culturas orientais, isto é, tatuagens que envolvam ideogramas que se referem aos signos do zodíaco.

Há algum tempo atrás, um conhecido veio mostrar-me a sua tatuagem que representava o seu signo zodiacal oriental... 

Ele estava todo feliz por ter tatuado "Tigre" no braço... 

Mas como é que se diz para uma pessoa que ela não tem tatuado no braço exatamente aquilo que pensava?
Algo que vai ficar para a vida (ou para remover vai ser uma chatice).

Isso leva-nos a............. exatamente: mais PESQUISA!

Tecnicamente falando, "pesquisa" não por parte de quem quer uma tatuagem, mas por parte de quem FAZ a tatuagem.

A nível de escrita Chinesa ou Japonesa, há uma grande diferença entre o "signo zodiacal" e o "animal real"... basta ver no quadro a seguir.


Pois bem. Este meu conhecido tinha o "animal real" tatuado no braço e não o signo zodiacal.

Não sei se era exatamente isso que ele queria, mas a verdade é que, ao entrar na loja para ser tatuado, ele tinha em mente o seu signo zodiacal, mas levou tatuado o animal real.

Naturalmente, não dei a minha opinião, pois o rapaz estava muito feliz com a sua tatuagem! (^_^)

Como podem ver, os problemas de pesquisa não são exclusivos das artes marciais... estão em todos os assuntos que envolvam a cultura nipônica.

Conforme dito na entrada anterior: se não sabe, pergunta para quem sabe!
PRINCIPALMENTE se o assunto envolver tatuagens!

Outro "motivo" bastante procurado pelos ocidentais quando da tatuagem são os seus nomes próprios... Aqui a situação fica mesmo "fora de controle".

Existem regras específicas a serem observadas a respeito da escrita de palavras estrangeiras (não japonesas) utilizando os caracteres japoneses (estas regras podem ser encontradas nas publicações de Fundação Japão).

A não observação destas regras ortográficas leva a que muitas pessoas tenham tatuado coisas que não refletem os seu nomes verdadeiros e, consequentemente, aparecem "distorções"... o problema é que - teoricamente - a tatuagem vai ser para toda a vida!

Esse assunto traz-me à memória outra matéria bastante cheia de "problemas" de escrita japonesa...

Não vi ainda isto acontecer em Jūdō (talvez por os estágios com mestres Japoneses serem bastante restritos) e tendo pouquíssima experiência em Aikidō, também não vi este fenômeno acontecer nesta arte, mas no Karate... isso é bastante comum acontecer: 

Quem é que ainda não viu em estágios de Karate com mestres japoneses, os ocidentais levarem as faixas para que os mestres escrevam os nomes dos praticantes em Japonês na mesma?

Pois bem, como poucos ocidentais têm conhecimento sobre as diferenças ortográficas entre japonês e as línguas com alfabeto latino, o que acontece na maioria das vezes é terem os seus nomes mal escritos (não intencionalmente ou por falta de zelo do mestre japonês, mas porque o idioma japonês não tem consoantes soltas, consoantes isoladas frequentemente encontradas nos nossos nomes ocidentais... e faltam também alguns fonemas (sons) para que se possa escrever corretamente alguns nomes ocidentais) pelos referidos mestres japoneses.

Portanto, na eventualidade de entregar a sua faixa para colocar o seu nome em japonês, esteja ciente de que há uma grande probabilidade de o seu nome ser escrito errado (inadvertidamente).

Esta situação pode ser vista, como eu disse, nos estágios de Karate ou... (aqui a coisa fica mais "estranha") em CERTIFICADOS de graduações que apresentam os nomes dos seus detentores ocidentais mal escritos em japonês.

Existem sites que convertem os nomes ocidentais em KATAKANA (o silabário japonês antigo) que é o conjunto de caracteres utilizados para escrever nomes "não japoneses". 

Portanto, mais uma vez, um pouquinho de pesquisa prévia pode resolver, minimizar ou prevenir alguns destes problemas.

(^_^)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

91. Uma brincadeira... séria.

No decorrer desta semana, durante o treino de Aikidō, estávamos a conversar (eu e o Luís) sobre apresentação de informação básica que o Luís estava a preparar para nos dar (a mim e aos demais alunos do nosso clube), quando o Luís, em tom de piada disse: “Será que o Joséverson Goulart aprova este trabalho?” Achei que, para manter o espírito de brincadeira, deveria criar um “selo de qualidade” para fornecer ao trabalho do Luís… e assim o fiz!


Portanto, como brincadeira, coloquei um ”selo de qualidade” no trabalho do Luís – e, aproveitando a ocasião – coloquei um selo no trabalho do Denis Andretta também. (^_^) [Acreditem-me, não o fiz de ânimo leve.]
Porém, o que eu não podia esperar era que um assunto que começou por brincadeira tomasse as proporções que tem tomado, desde o seu começo há dois dias atrás até ao momento.
Alguns autores de obras diversas sobre artes marciais (Karate e Jūdō na sua maioria) , amigos no Facebook, perguntaram-me – também em tom de brincadeira – se os trabalhos deles também levavam um “selo de qualidade Joséverson Goulart”…
Caros amigos, gostaria de deixar uma coisa bastante clara a respeito da “brincadeira” com o Luís e o modo como eu vejo as publicações, blogs, sites etc. a respeito da cultura japonesa (da qual eu gosto mesmo MUITO): mesmo que seja uma brincadeira despropositada (naquele momento), o Luís e o Denis SÓ receberam o selo porque os trabalhos deles preenchem TODOS os requisitos que eu considero importantes em trabalhos sobre a cultura japonesa e, neste ponto, eu não brinco!
Deixem-me, então, “explicar” a brincadeira e, só então, poderão entender que de “brincadeira” só tem o contexto.
Pois bem… os requisitos para receber o “Selo de Qualidade Joséverson Goulart” (indicados na figura do próprio selo) têm dois aspectos essenciais:
  • 1 - A exatidão cultural japonesa. (Dos pontos 1 ao 5 nos requisitos.)
  • 2 - A exatidão do conteúdo da informação. (Ponto 6 nos requisitos.)
Se não satisfeitos TODOS os requisitos, mesmo a brincar, eu não considero o trabalho como sendo BOM e, portanto, não vou mentir ou validar algo que eu mesmo não acredito, nem indicaria tal trabalho como fonte de pesquisa efetiva ou fidedigna (porque na realidade não o é).
Consequentemente, dado o meu compromisso com aquilo que eu acredito e com os princípios que eu defendo, cumpre-me lembrar algo que também encontrei no Facebook há alguns dias (^_^):

“O errado é errado, mesmo quando todos o estiverem fazendo, o certo é certo, mesmo quando ninguém o estiver fazendo.”

Nada podia estar mais dentro do que eu penso!
Neste sentido, apesar de eu não gostar de mostrar trabalhos mal feitos (por uma mera questão de educação) é necessário – dado o pouco crédito que algumas pessoas dão ao que eu digo (^_^) – dar um exemplo de vida real às pessoas que gostam de escrever livros, publicar artigos, criar blogs e sites sobre assuntos que dizem respeito à cultura japonesa para que as mesmas tenham em mente constantemente que os seus trabalhos estão sempre a ser vistos por quem sabe menos, o mesmo ou mais do que elas.

Há alguns anos atrás, houve aqui em Portugal um estágio Internacional de Shitō-Ryū, para o qual eu fui convidado. O convidado principal era um Mestre japonês – não vou citar nomes dos intervenientes por questões óbvias (a não ser que os mesmos queiram que eu os identifique). 
Estávamos na casa do organizador do evento momentos depois do estágio, entre uma conversa e outra, o Mestre e eu estávamos a ver os imensos livros sobre artes marciais na biblioteca do organizador do estágio. Entre tantos livros, de repente, o mestre japonês paga o seguinte livro...



E diz (suas palavras EXATAS foram): “Isso está errado!”

(É fácil lembrar uma frase tão curta e tão acertada! (^_^) )

Passa-me o livro e continua: “Este Kanji está errado!”



Para quem escreve artigos, livros, etc. sobre este estilo de Karate, o erro é - ou deveria ser - evidente!



De fato, falta um traço no ideograma! O Ryū  da palavra Shitō-Ryū 糸東流 é composto por 10 traços, este que está na capa do livro tem apenas 9 traços!
O Kanji apontado pelo Mestre está MESMO errado! E não há voltas a dar! Não há desculpas, não há palavrinhas mansas para encobrir um trabalho mal feito! E, podem ter certeza, este não é um caso isolado! Há muuuuuuuuuitos mais!
Se cobramos, exigimos a correção dos movimentos a respeito dos Kata, das técnicas… porque também não somos rígidos na apresentação da informação correta?

Alguém agora vai dizer:

- “Mas eu não sei japonês!”

Se vai publicar um livro, escrever um artigo, criar um site, ou difundir um Blog sobre cultura japonesa, não precisa - necessariamente -  saber japonês! Basta perguntar para quem sabe! 
Nesta altura da evolução onde estamos ligados por redes sociais, basta procurar o nome de alguém e fazer a pergunta diretamente! 
Não se justifica apresentar trabalhos com erros grosseiros por causa de pouca informação e da falta de verificação da mesma.

- “Mas eu não quero perguntar! Eu já sei isso!”

O fato de “não perguntar”, talvez apenas comprove que quem diz tal disparate não sabe mesmo nada a respeito do que supostamente está a difundir... Não é de admirar, pois, a quantidade de trabalhos medíocres difundidos por todo o mundo!

Voltemos aos trabalhos sérios e vejamos cada um dos requisitos (Ah! Não é necessário perguntar-me o que é necessário para receber o “Selinho”, basta ler os requisitos e ver se o seu trabalho se enquadra em cada um dos os pontos):

1 - Apresentar sistema de transcrição fonética oficial.
2 - Palavras japonesas sem terminação “S” no plural.
3 - KANJI (ideogramas japoneses) corretos.
4 - KANA (caracteres japoneses) corretos.
5 - Tradução correta das palavras e expressões japonesas.
6 - Informação fundamentada em pesquisa efetiva.

            Como eu disse anteriormente, dos pontos 1 ao 5 são "o respeito pela cultura japonesa e a forma correta de expressar o idioma".
            Novamente: se não sabe japonês, pergunte para quem sabe! O que não pode é apresentar informação “ao calhas”, sem qualquer fundamentação válida.
            O ponto 1: existem três sistemas oficiais para passar os ideogramas e caracteres japoneses para as letras do nosso alfabeto, a saber: KUNREI, NIHON e HEPBURN. Basta escolher aquele que mais gostar!
O ponto 2: não há coisa mais frustrante do que ver as regras ortográficas portuguesas sendo aplicadas à língua japonesa! Nenhuma palavra japonesa tem plural acabado pela consoante “S”… Nenhuma!
Os pontos 3 e 4: Estes dois pontos são opcionais, porque não há, em se tratando de publicações ocidentais, a obrigação de se apresentar ideogramas ou caracteres japoneses – DESDE QUE o sistema de transcrição fonética seja obedecido!
Contactou-me um autor dizendo que a sua editora não permitia a inserção de ideogramas e caracteres japoneses porque isso iria aumentar os custos da edição. Exposto isto, nestes termos, nada mais natural do que manter apenas a transcrição das palavras e expressões japonesas.
O ponto 5: neste ponto há muita coisa “convenientemente inventada” a ser partilhada como sendo informação correta. Vou dar apenas um outro mal exemplo, onde uma única expressão foi colocada num livro de Karate representando um significado completamente “estranho” ao significado original. Eis o que estava no livro:

気本 Kihon – “Espírito fundamental”.

Eis o que deveria estar no livro:

基本 Kihon – “Fundamento(s), Base(s)”.

A explicação para o número de problemas que este livro levantou daria para escrever outro livro, porque, em primeiro lugar, o autor não se deu ao trabalho de verificar se o ideograma era o correto (o que definitivamente não o fez); em segundo lugar, lançou uma tradução que partindo de ideogramas isolados (e errados) fez com que o próprio autor entrasse em divagações (acredito que, se no preciso momento em que estivesse a escrever Kihon, tivesse perguntado a si mesmo: “Eu sei o significado disso?” e feito uma pesquisa breve, esse problema teria sido resolvido!) ; em terceiro lugar, lançou o assunto para o mundo da espiritualidade (coisa que apaixona os amantes das artes marciais) e tantas outras coisas que advém de um erro básico… o que nos leva, por fim, ao…
Ponto 6: Pesquisa! Eis a “pedra no sapato” de todo autor sério! (Porque também há autores pouco sérios.)
Atirar informação na internet, qualquer um faz! Eu digo “qualquer um” MESMO!
Contudo, questionemo-nos: “o que de fato pode ser fundamentado nas publicações que encontramos difundidas pelos meios de comunicação, os “media”, livros, revistas, jornais, blogs e sites?”
(^_^)

Assim, para concluir esta abordagem ao “Selo de Qualidade Joséverson Goulart” (^_^) uma coisa que inicialmente era uma brincadeira a nível do clube onde pratico Aikidō, está profundamente baseada em requisitos válidos para TUDO que se difunda como informação fundamentada e correta sobre a cultura japonesa, quer sejam artes marciais, cerimônias do chá, criação de carpas, cultivo de bonsai, manufatura de armaduras, pinturas em blocos de madeira, religiões, danças etc..