quarta-feira, 30 de novembro de 2011

29. 押忍 Oss, Ôs, Ossi ou Osu?


Nunca um assunto veio em tão boa hora como este!
Depois dos posts a respeito de transcrição fonética e os erros - desde associações infelizes de ideias a erros mesmo grosseiros de falta de pesquisa - aqui está um exemplo onde tudo isso pode ser visto!
Autores, instrutores, "mestres", senseis (com "s" no final), curiosos etc.. Enfim, "todo mundo" acha que tem algo a dizer sobre o assunto, mas raros são aqueles que acham que deveriam pesquisar e estudar o assunto. antes de publicar opiniões que - na maioria dos casos - são completamente disparatadas.
Alguns afirmam que é uma contração da palavra "Ohayō gozaimasu" ("Bom dia!"), outros dizem que "foi assim que os seus mestres disseram que era" e tantas outras tolices que advém da falta de estudo efetivo... mas NENHUMA destas pessoas - férteis em idéias - parou alguns minutos para pesquisar o assunto em questão. E não pararam para pesquisar ou questionar por puro e duro comodismo! 
Volto a dizer: se uma pessoa não é instrutora, não há qualquer problema quanto a não pesquisar coisa alguma. 
Mas se alguém se entitula "instrutor", "treinador" ou "sensei", não sabe as matérias que deveria dominar e - para colocar a situação ainda mais no fundo do poço - não se dá ao trabalho de pesquisar e tirar dúvidas a respeito do que ensina, então, honestamente, não deveria ter nenhum dos títulos acima mencionados... 
Mas uma coisa é teoria, outra coisa é prática no ensino das vias marciais.
Como já é o costume, então, vamos ver <Significado da expressão e comentários explicativos>, mas desta vez vamos ver ponto a ponto para que não fiquem dúvidas.
1º ponto: Quando escrita em japonês, esta expressão é composta por dois Kanji (ideogramas): 
押忍.
2º ponto: Como os Kanji não oferecem qualquer pista a respeito de como são escritas as palavras usando o nosso alfabeto (pistas cruciais para se poder fazer uma "romanização" ou transcrição fonética oficial japonesa) é necessário saber COMO os ideogramas são escritos em silabários. Portanto, vou passar os Kanji (ideogramas) para Kana (silabários). 
3º ponto: Quando escrita em Kana, esta é composta por dois caracteres: おす ("O" e "SU" respectivamente.
Já fica clara qual é a transcrição fonética correta. OSU.
Mas... (sempre tem um "mas") o que a maioria não sabe (por motivos já mencionados) é que o "u" final das palavras japonesas "geralmente" é mudo (não se pronuncia). 
Ou seja, mesmo que a transcrição fonética correta seja "Osu", pronunciamos "ôs"! 
(^_^) Menos mal, hein?! A "coisa" então não está tão mal, como apontariam alguns!
Assim, ao FALAR dizemos "Oss", "Ôs" (mas NUNCA "Ossi" - esse está mesmo "fora de questão"!)... e escrevemos OSU!
Acredito que agora não restem dúvidas sobre a forma correta desta palavra, tanto escrita quanto falada.
押忍 Osu!
(^_^)

28. Maldita barrinha!


No meu "post" anterior entitulado "Kyū, Mukyū ou Shoshinsha?", alguns leitores podem ter ficado a se perguntar: "Mas que raio de barra é aquela sobre a letra "u"?!"

Pois bem. Para entender essa "barra" faz-se necessária uma rápida introdução aos sistemas de transcrição fonética japoneses (ou processos de "Romanização" das palavras japonesas).

Como é do conhecimento geral, os japoneses escrevem em japonês!

Até aí, não é preciso ser bruxo para constatar o óbvio!

Calma! Se isso fosse assim tão óbvio, não haveria necessidade de ter de explicar a "maldita barra" sobre a vogal "u"... pois todos já saberiam o porquê de utilizá-la.

Continuando... os japoneses escrevem em japonês... utilizando um conjunto de ideogramas   chamados KANJI 漢字 (literalmente "letras chinesas" - originalmente rondam os 60.000 caracteres e um único caracter pode ter de 1 a 52 traços) e dois grupos de silabários chamados KANA 仮名 (atualmente com 48 caracteres cada). 

[Não vou entrar em detalhes porque isso não interessa à maioria dos ocidentais.]

Pois bem. Se eles usam Kanji e Kana para escrever, como é que nós ocidentais representamos  as palavras japonesas usando o nosso alfabeto?

Para 99,99% dos ocidentais, isso faz-se através das transcrições diretas das palavras japonesas que "ouvimos", sem qualquer método oficial que as fundamente.

É aqui que a bagunça, os disparates, os erros, as tretas, as informações dúbias etc. estão generalizados! Porque cada um escreve como "acha que tem de ser", sem se importarem em pesquisar minimamente a fim de que a informação que transmitem sejam fidedignas.
Mas qualquer pessoa que queira transcrever as palavras japonesas utilizando o nosso alfabeto de 26 letras - e seja séria a respeito da informação que quer transmitir - deve optar por algum sistema "OFICIAL" de transcrição fonética japonesa (pois existem alguns).

Para nós - ocidentais - o sistema que melhor se adapta às nossas necessidades é o sistema Hepburn [não me vou prolongar muito porque qualquer pessoa pode fazer uma busca na internet e encontrar TUDO sobre sistemas de romanização - basta que tenha interesse em aprender e fazer uma busca por "Hepburn"]. E por quê? Porque ele transcreve as vogais longas japonesas utilizando um acento chamado "Mácron" - aquela barra em cima da vogal. Vamos ver alguns exemplos de transcrição oficial corretas em se tratando de nomes de estilos de Karate: 剛柔流 - Gōjū-Ryū, 松濤館 - Shōtōkan, 和道流 - Wadō-Ryū, 糸東流 - Shitō-Ryū e, naturalmente, o próprio 空手道 - Karate-dō. Porque TODAS estas palavras apresentam vogais longas quando escritas em japonês. Portanto, para uma "romanização" correta da palavra japonesa deve-se respeitar o que foi escrito originalmente e não "inventar" transcrições particulares.

"E isso é importante?"
Sim, porque - em primeiro lugar - obedece a um sistema "oficial" de transcrição das palavras japonesas usando o nosso alfabeto e não transcrições "ao calhas" que deixam muito a desejar em se tratando de tradução efetiva de palavras, expressões e conceitos. Em segundo lugar, apresenta informação fidedigna para aqueles que buscam o conhecimento fundamentado e pesquisado; e - em terceiro lugar - valida o esforço gasto em aprender com o reconhecimento de uma transcrição correta.

"Mas eu sempre fiz assim..."
Ter "sempre feito assim" não quer dizer que tenha feito certo.

"Mas nos livros do meu estilo é assim que se faz ou é assim que está escrito..."
A grande realidade é que o Instituto Kōdōkan de Jūdō, a Zen Nippon Karate-dō Renmei (JKF) ou qualquer outra entidade de vias marciais nunca foram, não são e possivelmente nunca venham a ser qualquer autoridade a nível linguístico japonês e, portanto, muitas vezes publicam obras sem qualquer fundamento em se tratando de transcrição fonética. E o fazem basicamente porque eles não precisam se preocupar em fazer certo aos olhos ocidentais, porque sendo "japoneses" usam o próprio idioma a nível local. Quanto às obras publicadas no Japão destinada aos "outros", isso já é uma outra história...


Isso serve também para a ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - citada por um indivíduo para justificar uma transcrição fonética errada. A ABNT nunca foi, não é e possivelmente nunca venha a ser qualquer autoridade a respeito da língua japonesa.


Da mesma forma que não entramos num curso de corte e costura para aprender Karate, não entramos numa escola de Karate para aprender japonês. Se quisermos fundamentar o assunto "idioma japonês" ou "métodos de transcrição fonètica" procuremos as obras da Fundação Japão que é uma autoridade linguística.


Assim, a "madita barrinha" sobre as vogais obedece a um sistema de transcrição fonético oficial da língua japonesa. É a forma oficial e correta de se transcrever as palavras japonesas com o nosso alfabeto.


"Mas o meu teclado não tem esse acento!"
Não há problema! O Mácron pode ser substituido pelo acento circunflexo (" ^ ") sem prejuízo de correção de informação.
空手道 - Karate-Dō ou Karate-Dô.
剛柔流 - Gōjū-Ryū ou Gôjû-Ryû. 
松濤館 - Shōtōkan ou Shôtôkan. 
和道流 - Wadō-Ryū ou Wadô-Ryû. 
糸東流 - Shitō-Ryū ou Shitô-Ryû.

"Mas se eu quiser publicar algo, sou obrigado a usar esse acento?"
Não. Ninguém é obrigado a fazer o que não quer. É só uma questão de apresentar informação correta e verificável. Se alguém quiser apresentar informação definitivamente "não fundamentada", deve estar plenamente consciente das críticas negativas que o seu trabalho possa vir a receber. 


"Mas já há muita coisa escrita no meu estilo e mudar dá muito trabalho."
A questão é: quer continuar a difundir informação errada ou já é hora de colocar informação fundamentada? Não se esqueça de que "o que tem para mudar" foi informação passada de forma errada, sem pesquisa e transmitida como sendo certa. "Mudar da muito trabalho." Sim, dá. Mas foi por pensar assim, por comodismo que as coisas chegaram ao estado que estão.


(^_^)

27. Kyū, Mukyū ou Shoshinsha?


Uma questão que parece não ter solução à vista é a questão sobre a faixa branca ser ou não um Kyū. Por isso, vamos ver a que se refere o termo Kyū e verificar se sua aplicação é ou não válida em se tratando de graduação.
Eu vou dar dois motivos por que a faixa branca NÃO é um Kyū.
Em primeiro lugar - como é o costume - vamos ver o que significa Kyū.
級 "Classe / grau".
On'yomi: Kyū.
Nanori: Shina.
*** Para aqueles que seguem os meus "posts" a mais tempo, podem agora dizer: "Oooooo quêêê?! Este ideograma não tem Kun'yomi?!" Pois! Este ideograma NÃO tem Kun'yomi. ***
No contexto do Karate, Kyū é traduzido como "classe" ou "grau".
Passemos agora aos motivos propriamente ditos!  (^_^)
1º Motivo:
Para explicar este motivo, vou dar um exemplo bastante simples: suponhamos que alguém vai passar de 2º Kyū para 1º Kyū... Qual é a condição indispensável?
Exatamente! Um EXAME! E se a condição indispensável para se obter uma "classe" ou "grau" é um "exame" e uma vez que um faixa branca ainda não fez qualquer exame para usar a referida faixa, naturalmente não recebe qualquer "classe" ou "grau".
2º Motivo (o "melhor" sempre guardamos para o fim) (^_^):
No Japão a faixa branca NÃO é considerada um Kyū. 
Para se referir aos faixas brancas, os japoneses usam dois termos específicos: Mukyū 無級 e Shoshinsha 初心者, "Sem grau" e "Iniciante" respectivamente. Onde:
Mukyū - "Sem grau", "Sem classe".
無 - Mu - Sem, não ter, não haver.
級 - Kyū - Classe, grau.
Shoshinsha - "Pessoa com o espírito inicial (iniciante)".
初 - SHO - Inicial, início. (É o mesmo usado em Shodan.)
心 - SHIN - Espírito.
者 - SHA - Pessoa
Portanto, fica bastante claro que a faixa branca não é Kyū.
(^_^)

terça-feira, 29 de novembro de 2011

26. 道場 O Dōjō.

道場 O DŌJŌ .
Um Dōjō divide-se em quatro partes distintas:
1. 上座 KAMIZA "Assento Superior".
2. 下座 SHIMOZA "Assento Inferior".
3. 上席 JŌSEKI "Lugar Superior".
4. 下席 SHIMOZEKI "Lugar Inferior".
Notas:
1. KAMIZA É onde senta o Instrutor e os seus convidados.
2. SHIMOZA é o local onde os alunos sentam. 
O aluno mais graduado senta-se mais à esquerda do Instrutor. 
O aluno menos graduado senta-se mais direita do Instrutor.
3. Quando existir(em) "Instrutor(es) auxiliar(es)", estes sentam-se no JŌSEKI
Se alguém for chamado para demonstrar alguma técnica com o instrutor ou quando nada estiver a ser feito, o aluno chamado senta-se no JŌSEKI.
4. Quando não houver espaço no SHIMOZA, os alunos menos graduados sentam-se no SHIMOZEKI

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

25. O que é ser Senpai?


No mundo das artes marciais, o emprego de termos japoneses sem o conhecimento efetivo a respeito do seu significado e ou utilização sempre levou (e ainda leva) alguns instrutores ou praticantes a erros que poderiam ser facilmente evitados. 
Este é o caso do termo SENPAI 先輩.
Inúmeros são os instrutores que “adoram” usar a palavra “SENPAI” referindo-se aos “faixas pretas” ou “estudantes seniores” e isso acontece porque estes instrutores “convencionaram” que o termo SENPAI refere-se apenas aos alunos antigos dentro de um Dōjō.
Ao falar sobre SENPAI é OBRIGATÓRIO falar em KŌHAI, pois o termo SENPAI não é um título, SENPAI / KŌHAI é uma relação!
Vamos primeiro entender a que os termos se referem:
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Senpai 先輩 - "sênior" (em um grupo).
先 "Antes, prévio, previamente, precedente"
On'yomi: SEN (o mesmo ideograma usado na palavra Sensei.)
Kun'yomi: SAKI, MAZU.
Nanori: PON.
輩 "Camarada, companheiro"
On'yomi: HAI.
Kun'yomi: -BARA, YAKARA, YAKAI, TOMOGARA.
Senpai: "O companheiro que começou antes (de mim)."
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Kōhai 後輩 - "junior" (em um grupo).
後 "depois, posteriormente"
On'yomi: GO, KŌ.
Kun'yomi: NOCHI, USHIRO, ATO, OKU(RERU).
Nanori: KOSHI, SHI, SHII, SHIRI.
輩 "Camarada, companheiro"
On'yomi: HAI.
Kun'yomi: -BARA, YAKARA, YAKAI, TOMOGARA.
Kōhai: "O companheiro que começou depois (de mim)."
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Assim sendo, o Senpai é um estudante sênior (designado pelo Sensei) que se torna responsável por um ou mais estudantes para ensinar-lhes informações básicas sobre o estilo ou escola de Karate.
A relação SENPAI / KŌHAI dentro de um dōjō é mais conhecida a nível japonês como a relação “irmão mais velho / irmão mais novo”, onde o “irmão mais velho” é responsável pela educação do “irmão mais novo” e é desta forma que deveria ser encarado dentro das escolas de vias marciais ocidentais. Ou seja, um Senpai encarregado de um ou mais estudantes.
Vamos ver agora, com um pouco mais de profundidade, como isso é feito dentro de um Dōjō:
Para começar, o Sensei atribui a um (ou mais) estudante(s) mais antigo(s) a responsabilidade de supervisionar um, dois ou - no máximo - três alunos mais novos. 
O aluno mais antigo que assume esta responsabilidade passa a ser um Senpai. enquanto que os mais novos passam a ser os Kōhai.
A função do Senpai e supervisionar o desenvolvimento básico - teórico e prático - dos Kōhai (novos alunos) sob sua responsabilidade. 
Atenção neste ponto: O Senpai é sempre responsabilizado pelo desenvolvimento dos alunos sob a sua supervisão. Ou seja, a sua capacidade de transmissão dos conhecimentos básicos do Dōjō estão sempre a ser avaliados - constantemente - o que pode fazer com que tal responsabilidade seja, em alguns casos, bastante exigente. 
Mesmo assim, esse tipo de relação é extremamente benéfica para o Senpai, porque serve como preparação para as responsabilidades de ser um futuro instrutor, assumindo - em menor escala - todas as funções de um Sensei. 
Isso faz com que os Senpai ganhem experiência de instrução, sob a supervisão directa do Sensei - o qual poderá avaliar, corrigir e ajudar o Senpai na tarefa de instruir os alunos mais novos. O que leva a acção de formação continuada do aluno mais antigo a níveis muito mais elevados.
Além disso, liberta o Sensei da responsabilidade directa do grupo de alunos mais novos, uma vez que toda a instrução terá um Senpai como intermediário. 
Desnecessário dizer que o Senpai é responsável - numa primeira avaliação - pelos bons ou maus desenpenhos dos alunos sob a sua supervisão... 
Há algum problema quanto a isso?! Ser responsável e responsabilizado, quero dizer.
Claro que não! Não há qualquer problema, porque é justamente isso que o espera como futuro Sensei. (Ninguém disse que ser Sensei era fácil!)
Esta seria - de forma ideal e bastante geral - as funções de um Senpai com relação aos seus Kōhai. Contudo, na maioria dos casos, isto não acontece nas escolas ocidentais onde uns poucos SENPAI são conhecidos pelos outros alunos, mas nenhum KŌHAI respectivo é atribuido aos mesmos... 
(^_^)

24. Os BUJUTSU Tradicionais.


23. As Bases Filosóficas.


22. O que é ser Sensei?


Bem. Se falarmos de Vias Marciais japonesas e do Karate em particular, a primeira palavra que vem à mente é SENSEI! Acredito que seja a segunda palavra mais conhecida por pessoas que não praticam qualquer via marcial, naturalmente, depois da própria palavra "Karate".

Mas, mesmo dentro dos Dôjô de Karate, não são muitas pessoas que realmente sabem o seu  verdadeiro significado.

"Mestre" para uns e "instrutor" para outros, muitas são as definições para esta palavra japonesa. Existem pessoas que associam a palavra Sensei unicamente às Vias Marciais. 

Mas todos estes conceitos estão errados no sentido "literal", na "ideia" transmitida pelos ideogramas que expressam esta palavra.

Ooooook... Neste ponto, alguns já estão ficando escandalizados!

Permitam-me então, introduzir o conceito de Sensei e levantar algumas considerações a serem debatidas.

Em primeiro lugar, vamos entender o que significa a palavra Sensei.

A palavra Sensei 先生, como se pode ver, é composta por dois KANJI ("ideogramas"). Onde:

先 "antes, previamente, precedente"
On'yomi - SEN
Kun'yomi - SAKI, MAZU
Nanori - PON

生 "nascer, viver, vida"
On'yomi - SEI, SHÔ
Kun'yomi - IKIRU, IKASU, IKERU, UMARE, UMARERU, UMU, OU, HAERU, HAYASU, KI, NAMA,  NARU, NASU, MUSU, -U.
Nanori - ASA, IKI, IKU, IKE, UBU, UMAI, E, OI, GYÛ, KURUMI, GOSE, SA, JÔ, SUGI, SO, SÔ, CHIRU, NABA, NIU, NYÛ, FU, MI, MÔ, YOI, RYÛ

Assim, a tradução literal para o termo Sensei é "Aquele que nasceu antes".

Particularmente no mundo das vias marciais e Karate, a palavra Sensei tem o sentido de "Aquele que começou a treinar antes".

É aqui que as coisas ficam interessantes!

O que signigica "Aquele que começou antes"?

Sem muito trabalho mental, significa isto mesmo, "alguém que tenha começado a treinar antes de outra pessoa". Mas vamos lá ver... Como podemos saber se uma pessoa começou a treinar "antes de outra"?

Dentro de um ambiente controlado de um Dôjô em particular isso é muito fácil! Todos conhecem todos e sabem naturalmente quem começou "antes".

Contudo, se formos analisar todo o universo de escolas de karate que existem no ocidente... quem é que começou antes? Isso é impossível de determinar! Portanto, o tratamento por "Sensei" por parte de elementos de Dôjô distintos pode se revelar um tanto impraticável.

O que nos leva a uma conclusão pateticamente simples: 

SER SENSEI NÃO TEM ABSOLUTAMENTE NADA A VER COM A COR DA FAIXA!

Pois é, meus amigos! A palavra Sensei não tem nada a ver com um praticante ter ou não a faixa preta!

Horrorizados? (^_^)

Agora vamos exercitar uma qualidade espetacular... vamos "pensar" um pouquinho.

Imagine a seguinte siituação: uma pessoa que entra em um determinado Dôjô e, por razões pessoais, decide NÃO graduar. Neste mesmo Dôjô, outros que entram depois dele fazem as graduações nos tempos normais e tornam-se faixas pretas... Quem é o Sensei neste Dôjô?!

BINGO! O praticante que "começou antes"!!!

Mas, naturalmente, isto é a aplicação directa do conceito Sensei!

(^_^) Não vamos ser radicais!

Mas é sempre bom lembrar que - acima de tudo - já SABEMOS o que significa o termo Sensei e sua aplicação.

Nós, ocidentais, temos uma tendência a atribuir ao termo Sensei traduções como "mestre", "instrutor", "professor" etc.. Não há problema algum quanto a isso, pois é desta forma que os japoneses usam este termo também... 

Mas... atenção! Sensei não é uma palavra exclusiva das Vias Marciais! 

No Japão, pode-se utilizar este termo para indicar respeito por alguém (quer por posição hierárquica quer por simples educação) como quando nos referimos a um professor, um médico, um advogado... É quando nos referimos aqui no ocidente a um agente da autoridade por "Seu doutor!"

Para comprovar isso, aqui em Portugal há alguns anos atrás, havia uma série animada na televisão no Canal Panda cujo título era: 

FABURU SENSEI WA MEITANTEI - ファブル先生は名探偵
"O 'Sensei' Fabre é um grande detective". 

Ou seja, aqui foi usado como ênfase à sua capacidade de resolver mistérios.

Portanto, para contexto da prática do Karate contemporânea, ser Sensei implica - sem misticismos - nada mais do que ser um "bom professor", versado tanto na prática como na teoria do Karate que ensina... 

E, colocadas as coisas nestes termos, quantos podem mesmo ser tratados como Sensei?

(^_^)

Nota importante: Em japonês FALADO, pronuncia-se Sensei como SENSÊ
Mas isso NÃO se aplica ao japonês ESCRITO, onde a palavra deverá ser SEMPRE grafada como Sensei.

domingo, 27 de novembro de 2011

21. Símbolos Japoneses.


SÍMBOLOS JAPONESES

1. NISSHŌKI / HI NO MARU - "Círculo Solar" - A bandeira Nacional do Japão 

2. KYOKU-JITSU-KI - "Bandeira do Sol Nascente" - Bandeira Japonesa Naval de Guerra.
3. HACHIJŌ KYOKU-JITSU-KI - "Bandeira do Sol Nascente com Oito Listras". 
4. YATA NO KAGAMI - Símbolo do Jūdō.
5. ŌKA / SAKURABANA - Flor de Cerejeira.



A razão para pôr esta entrada foi a de fornecer informação correcta para instrutores ocidentais sobre os símbolos japoneses e suas utilizações.

Tenho visto inúmeros "enganos" quando as pessoas criam logotipos para as suas escolas e, dependendo do símbolo usado, o significado do logotipo pode variar.

Vejamos dois enganos muito comuns:
A - Usar KYOKU-JITSU-KI (2) - a bandeira de guerrra naval como logo (O sol vermelho com 16 listras).

O uso deste símbolo foi interrompido como parte do Tratado de São Francisco até 10 de Junho de 1954, quando foi readoptado Pela Força de Auto-Defesa Marítima Japonesa.

Este símbolo evoca memórias da Segunda Guerra Mundial e não é uma boa escolha para ser colocado num logo.

Por razões históricas e informação actualizada, neste caso, o melhor é isar o HACHIJŌ KYOKUJITSUKI, o sol vermelho com 8 listras.

B - Usar ŌKA (5) ao invés do YATA NO KAGAMI para referir-se ao Jūdō. O símbolo do Jūdō tem, obrigatoriamente, OITO lados.

A flor de cerejeira - como símbolo - era usada pelas antigas escolas de Jūjutsu e tem CINCO lados (pétalas).

20. Linhagens do Karate.

NAHATE

SHURITE

TOMARITE