terça-feira, 22 de novembro de 2011

08. As fases do conhecimento.

No mundo das artes marciais japonesas ensinadas no ocidente, muitos conceitos são ensinados de forma errada, mas raros são aqueles alunos ou instrutores que buscam realmente o conhecimento sobre a arte que praticam. 
Posições como "A figura, o conhecimento do mestre não se questiona." e "Devemos fazer exatamente como o mestre diz" parecem ser um dogma intocável. ERRADO! Hoje eu vou mostrar porque questionar, perguntar, procurar respostas é importante para o desenvolvimento de qualquer praticante de Artes Marciais japonesas.
Basicamente pode-se traçar o desenvolvimento e maturidade de um praticante de Artes Marciais através de três fases distintas. (Vou fazer uma analogia ao crescimento humano para ficar mais fácil a compreensão do assunto abordado.) (^_^)

1ª Fase: O Bebê / O Shoshinsha 初心者.
Ser "macaquinhos de imitação" é o que se espera dos bebês que estão a obter os primeiros conhecimentos do mundo ou dos Shoshinsha 初心者 iniciantes (ou iniciados) que estão a obter os primeiros conhecimentos do mundo marcial. 
Estes devem ser instruídos de forma paciente e supervisionada ensinando o certo e o errado a respeito do "Caminho" (de vida ou marcial). As trapalhadas, os acidentes e incidentes... tudo acontece nesta fase. Naturalmente, dependendo do grau de supervisão levado a efeito (dos pais e dos mestres respectivamente) as situações podem ser minimizadas ou agravadas. Tudo que o bebê faz, tudo que iniciante faz é espelho daquilo que os pais e mestres ensinam.

2ª Fase: O Adolescente / O Shodan 初段.
À medida que o bebê cresce e torna-se adolescente, à medida que o iniciante evolui no treino e torna-se Shodan 初段 - traduzido literalmente do japonês significa"nível inicial" e não "1º Dan" como erradamente encontra-se difundido por toda a comunidade marcial, ou seja, é aqui que o iniciante "começa" verdadeiramente na arte que pratica , o cérebro já tem informação o suficiente para pensar por si mesmo e é capaz de saber o que é certo e o que é errado de forma mais ou menos consistente em se tratando da vida ou da arte marcial que pratica. Do adolescente espera-se, consequentemente, que não faça "xixi na cama", do Shodan espera-se que seja capaz de entender os conceitos básicos que lhe foram passados no seu período como Mudansha 無段者 "aquele que não possui o nível Dan" (cintos/faixas coloridas). Basicamente espera-se que saibam usar os cérebros para elaborar decisões com base nas suas "maturidades" para determinada fase do desenvolvimento como ser humano ou como praticante de uma arte marcial japonesa qualquer.

3ª fase: O adulto / O Sensei 先生.
Quando o adolescente torna-se adulto, quando o Shodan torna-se Sensei 先生 - genericamente traduzido como "professor" - espera-se estar no seu ponto máximo de maturidade e responsabilidade. Atenção! "Esperar" não quer dizer necessariamente que isso ocorra em alguns casos! É muitíssimo fácil encontrar pais e mestres imaturos e irresponsáveis. Neste ponto o adulto constitui uma família, o Sensei fica responsável por um dôjô 道場 e dão início a um novo ciclo - reiniciando a 1ª fase novamente
Agora, falemos dos Sensei 先生 e a sua responsabilidade no ensino.
Ser um Sensei 先生 não é tarefa fácil. Estou a falar num verdadeiro instrutor.
Existem vários problemas a serem superados.
Em primeiro lugar, o vocabulário japonês para um instrutor é enorme! E o instrutor deve dominá-lo - integralmente - para responder às dúvidas dos alunos de forma concreta sem alimentar mais dúvidas.
Em segundo lugar, os conceitos técnicos e filosóficos a respeito do Karate também são um obstáculo considerável, porque as fontes de informação a este respeito no ocidente são muito questionáveis e 99% dos casos carecem de pesquisa e profundidade de conhecimento por parte de quem os elabora.
Para facilitar a vida de todos, o que deveria ser feito neste aspecto seria <anotar todas as dúvidas num caderno e, num estágio com mestres (japoneses ou não), tirar todas as dúvidas>. Tão simples como isso! Vergonha?! Não quer incomodar o mestre?! 
A função do verdadeiro mestre (oriental ou ocidental) é tirar dúvidas aos discípulos. Um verdadeiro mestre NUNCA irá ficar chateado por ter de responder a questões dos alunos para as quais só ele pode responder... a não ser que este mesmo "mestre" só tenha acumulado faixas pretas e não tenha se dado ao trabalho de estudar a arte que ensina. Neste caso, é possível que ele não faça idéia ou não tenha conhecimento suficiente para responder com segurança às perguntas apresentadas pelos alunos. (^_^) Aqui começam a "inventar" respostas disparatadas ou ficam irritados!
Por isso, vergonha à parte, toquem a questionar! E lembrem-se sempre que com uma grande posição vem uma grande responsabilidade. 
Mas a pergunta pertinente agora é: "Como um pai ou mestre chega a este grau de responsabilidade?"
Em se tratando de adultos e mestres de artes marciais, a resposta é bastante simples: atinge-se elevado grau de responsabilidade através de conhecimento efetivo, de experiência sólida e respeito pelo conhecimento próprio e daqueles sob as suas orientações, conhecimento e compreensão da prática e da teoria sobre a vida e sobre as artes marciais respectivamente. Contudo, só se chega a este conhecimento e experiência através da própria vivência de eventos. Ninguém caminha com os pés dos outros. O que pode servir em uma pessoa, pode não servir para outra.
"Calma lá! Se não há um conhecimento que seja igual para duas pessoas diferentes, então, como se sabe o que é melhor para uma determinada pessoa? "
Através do nosso bom e velho "questionamento", da busca de respostas e da análise de cada ocorrência em particular. Perguntar, procurar respostas, questionar, pesquisar... tudo traz conhecimento e o conhecimento traz a solidez do ensino.
Como disse antes, ser "macaquinho de imitação" faz bem na primeira fase do ensino, mas não é o que se espera de um Shodan 初段 ou de um Sensei 先生.

Por fim, deixo algo em que eu acredito e que deveria ser um guia para TODOS os instrutores de Artes Marciais japonesas:

"Não acredite em algo apenas porque ouviu falar sobre isso. 
Não acredite em algo apenas porque isso foi passado de geração em geração.
Não acredite em algo apenas porque é falado ou há rumores ditos e espalhados por muitos. 
Não acredite em algo apenas porque está escrito em escrituras sagradas. 
Não acredite em algo apenas baseado na experiência dos mestres, pessoas mais velhas e sábios. 
Acredite em algo apenas depois de cuidadosa observação e análise, quando achar que isso concorda com a razão e conduz ao bem e benefício de um e de todos. 
Então aceite esta verdade e viva através dela." 

-------------------------- Siddhārtha Gautama - O Buddha histórico.



押忍
Osu!

07. Karate e o Dô.

Basicamente o que se quer saber é: "O que é o Dô 道 e como segui-lo?"

Essa é uma pergunta bastante pertinente, porque na realidade são raros os instrutores que sabem a que se refere o Dô... Arriscaria dizer que apenas 1 ou 2% destes sabe(m) realmente o que é o Dô.

O Dô 道 é facilmente entendido se entendermos o CONTEXTO onde este foi desenvolvido! 

Quando o Japão saiu do período feudal com o começo da restauração Meiji 明治維新 (Meiji Ishin) o belicismo, os Samurai 侍, as artes da guerra (escolas "-Jutsu" 術) do período anterior já não faziam (e não fazem nos dias de hoje) o menor sentido. O Japão tinha de se afastar do militarismo dos séculos anteriores e ingressar numa nova era de paz. Assim, o Dô 道 como meio de vida substituiu os -Jutsu 術 militares. 

Ou seja, as artes -DÔ  substituiram as artes -JUTSU O Jû-jutsu 柔術 passou a Jûdô 柔道, o Kenjutsu 剣術 passou a Kendô 剣道, o Aikijutsu 合気術 passou a Aikidô 合気道 e assim por diante. A mentalidade guerreira (do passado) deveria evoluir e dar lugar a evolução da sociedade e artes japonesas.

O problema dos instrutores de Karate é que não acompanharam esta evolução histórica e teimam em introduzir conceitos que já não existem dentro da sociedade e artes japonesas, apenas porque acham que com isso a sua escola vai ser mais "marcial" do que as outras. O que estão a fazer, na realidade, é deturpar o Karate em si, deturpar a evolução natural da sociedade japonesa e a transmitir informação errada aos seus alunos.

O Dô 道 nada mais é do que uma transformação e um posicionamento social, com as consequencias inerentes de uma evolução histórica natural.


Dô 道, definitivamente, não é sinónimo de "Samurai" ou qualquer outro disparate que pessoas com pouco conhecimento da história e tradição marcial japonesas tentam impingir.


Mas a questão agora é: "COMO aplicar o "Dô 道" (Caminho, Via) ao Karate praticado nos dias de hoje?"


Primeiro temos de ver como 98 ou 99% dos instrutores vêem este "Caminho".


Nós, seres humanos, temos uma tendência de criar fantasias sobre assuntos que não dominamos ou compreendemos. Criamos ilusões e idéias sobre "como deveria ser" detrminado tópico - isso é natural e não há problema algum quanto a isso.


Então começamos nas artes marciais e - mais cedo ou mais tarde - lemos, assistimos filmes sobre os Samurai ("Serviçal") e o Bushidô 武士道 ("Via do Guerreiro" - o código moral não escrito dos antigos guerreiros). Quem é que não fica fascinado com o assunto? Guerreiros, honra, vida e morte... a expressão máxima das Artes Marciais! 


"Olha! Temos o "Dô 道" na palavra Bushidô 武士道!" Afirmam alguns...


É aqui que o problema começa. Por associação directa, alguns instrutores associam o Dô 道 na palavra Bushidô 武士道 ao Dô 道 em Karate-Dô 空手道. E não só em Karate-Dô, mas em Jûdô, Kendô, etc. Para estes instrutores mal informados, os Samurai são o modelo a seguir. ERRADO! Este Dô a que se refere o Karate-Dô é justamente o afastamento do Bujutsu 武術 "militarismo" do passado, inadequado para o Japão dos dias de hoje.


Assim, o Dô que se deve viver no Karate de hoje no contexto japonês é a formação de elementos úteis à sociedade contemporânea e com espírito de esforço e dedicação forjado nas artes do combate. Isso é o Dô a que as artes marciais se referem! 


Não tem nada a ver com Bushidô ou qualquer outro assuntos relacionado com o mesmo.

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22 Novembro 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

06. Compreender o Kata.

Permitam-me levantar algumas considerações a respeito de compreender os Kata.
Os ideogramas apresentados no tópico para a palavra japonesa KATA 型/形 têm realmente as traduções apresentadas, mas o que o artigo não menciona é que estes dois ideogramas são usados indiscriminadamente no Japão para se referirem às "formas/padrões" feitos no Karate. Por isso, divagarmos sobre qual das duas traduções é a mais coerente (ou se ambas são representação da idéia de "forma") talvez não faça muito sentido para posicionarmos o assunto "Kata".
Contudo, achei interessante a frase: "(...)tradição japonesa e deve ser olhada no seu contexto histórico."
A questão é: qual é o "contexto histórico" dos Kata a que se refere o artigo?
Coloquemos as coisas nos seus devidos lugares:
Historicamente, há uma ENORME diferença entre o Karate 唐手 praticado sem fins de difusão popular (por exemplo Higaonna Kanryô) e o Karate 空手 exportado para o Japão. Ah! Sim! Há dois pares de ideograms diferentes para a palavra "Karate"...
唐手 Karate - Estes ideogramas também podem ser lidos "Tôde".
空手 Karate - A versão final para a designação da arte praticada hoje em dia.
Além disso, como é sabido (ou pelo menos deveria ser), o ensino dos Kata que conhecemos hoje não é nem de longe o espelho de como era o ensino original Por quê?! Porque antigamente o mestre ensinava o Kata que mais se adaptasse a determinado tipo de aluno e só ensinava a totalidade (ou quase totalidade) ao aluno que o iria suceder. Assim, um Kata que era ensinado para um aluno não era obrigatoriamente o Kata que seria ensinado para outro. 
O contexto de "aprender TODOS os Kata" de determinado estilo é "coisa recente".
O que nos leva a uma consideração simples: não seria a forma antiga de transmissão do Kata a mais coerente? 
Vejamos... para um estilo como o Gôjû-ryû 剛柔流 com um pouco mais de uma dezena de Kata, aprender todos os Kata parece não ser problema intransponível (mesmo que alguns mestres mais "iluminados" do que outros apresentem tal esforço como sendo "inatingível em uma vida apenas"). 
Por outro lado, um estilo como o Shitô-ryû 糸東流 que engloba os Kata de Itosu 糸洲 e Higaonna 東恩納... Eu não faço idéia da totalidade de Kata que devem ser aprendidos (adicione-se a isso a mesmíssima idéia anterior de que dominar um Kata "é um esforço inatingível em uma vida apenas") ... o que nos leva novamente à mesma questão anterior: não seria a forma antiga de transmissão do Kata a mais coerente? 
Naturalmente a resposta é bastante simples: no contexto ACTUAL, adaptar os Kata aos alunos está fora de questão porque faria diminuir o número de instrutores e isso é "inconveniente" para os propósitos de difusão de um determinado estilo de Arte Marcial.
Quanto ao parágrafo:
"Quando dizemos: "Eu tenho um corpo, eu tenho uma mão ..." uma separação já está em vigor. Este tipo de formulação antes não existiam em japonês, que foi inventado para traduzir idiomas Ocidentais. Esta separação não é sentida na técnica "wasa" ( técnica conectada ao corpo) (3). Qualquer um que adquire esta espécie de técnica tem a experiência de uma unidade total: "Eu sou o corpo, eu sou a mão" - além disso, "Eu sou a técnica, eu sou o que é feito". Neste sentido, o eu desaparece."
Não entendo o que isso tem a ver com "Compreender um Kata".
Compreende-se um Kata através dos seus Bunkai 分解. Onde:
分 BUN - Parte(s)
解 KAI - Compreender, entender, saber.
Para mim, compreender um Kata implica compreender as suas partes, sua aplicação e objetivos de cada movimento. Isso implica estudar a mecânica do seu funcionamento, o resultado pretendido referente a cada técnica e sua aplicação como transmissão de ensinamento original e perpetuação do estilo que se pratica.
Quanto ao "eu" e "não-eu"... cabeça ocupada não tem tempo para divagar. 
Treina-se e estuda-se. nada mais do que isso!
押忍 OSU!

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http://karatedopt.blogspot.com/2011/08/compreender-kata.html
21 de Novembro 2011

domingo, 20 de novembro de 2011

05. Importância do Bunkai.

     Permitam-me um breve olhar sobre o "todo" que chamamos Karate.
     Ao entrarmos neste mundo, nesta mini-sociedade que é o mundo das Artes Marciais, a primeira coisa que aprendemos é o Kihon 基本 "os fundamentos". Aprendemos a deslocarmo-nos e as várias formas e aplicações de técnicas. 
     Numa segunda fase, aprendemos os Kata 型 "formas/padrões" - estes são de facto a perpetuação do ensino original dos mestres fundadores (seja qual for o estilo de Karate).
     Numa terceira fase aprendemos os Bunkai 分解 o que significa literalmente "compreensão das partes" e, imediatamente após, aprendemos as Ôyô 応用 "aplicações". 
     Ou seja. Aprendemos o movimento (Kihon), COMO deve ser executado (Bunkai) e a sua APLICAÇÃO (Ôyô) prática em COMBATE (Kumite 組手). 
     Não há a menor dúvida que esta sequência lógica de ensino/aprendizagem conferem outra dimensão à arte praticada porque, sem a menor sombra de dúvidas, o praticante precebe e compreende os objetivos dos movimentos de forma madura e sólida. "Saber" é sempre melhor do que fazer "ao calhas".
     Agora, a minha questão é: será que realmente ensinamos/aprendemos um Bunkai consistente?
     Tenho visto o ensino em incontáveis escolas ocidentais e até hoje NUNCA vi um único ponto vital ser ensinado nestas escolas! 
     Uma coisa é a bela "teoria" outra coisa é a crua "realidade" do ensino marcial... É que para ensinar tal matéria tem-se de saber realmente e isso implica ESTUDAR a arte! Tenho visto - quer nas vertentes desportivas quer nas vertentes mais "marciais" do Karate a instrução de combate ser direccionada "a um nível" genérico (Jôdan 上段, Chûdan 中段 ou Gedan 下段) sem nunca ser especificado qual ponto vital específico a atingir.
     Uma coisa é a mística do Karate preciso e efetivo, outra coisa é o ensino/aprendizagem de qualidade propriamente dito...

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20 Nov 2011

04. Pontos Vitais.


Ao meu ver, a sequência lógica para o ensino/aprendizado do Karate é a seguinte:
1. 基本  KIHON - Literalmente "Fundamentos" é a porta de entrada. 
2. 型・形 KATA - Literalmente "Formas" é a transmissão do ensinamento dos mestres originais.
3. 分解  BUNKAI - Literalmente "Entender as partes" é a compreensão do ensino.
4. 組手  KUMITE - Literalmente "Confronto" é a aplicação do conhecimento.

Então, onde entram os Atemi 当て身 "ataques aos pontos vitais" e os Kyûsho 急所 "pontos vitais" propriamente ditos? Este é um assunto bastante interessante, principalmente nos dias atuais. 

É interessante porque - em certa medida - é um assunto que todos falam, mas poucos realmente tem conhecimentos efetivos a que o assunto se refere.
Assim a matéria é falada, comentada muito superficialmente por "mestres" diversos, sem que nenhum ponto vital seja abordado em profundidade.

E qual a razão para esta negligência no ensino/aprendizagem?

A razão é que este assunto é muito mais complexo do que apresentar um diagrama com desenhos de localização dos pontos vitais e, em certa medida, as informações apresentadas nestes mesmos diagramas deixam muito a desejar no que diz respeito aos detalhes a respeito de cada ponto nelas indicados.

Apesar de eu não ter uma "vasta" experiência em brigas de rua, naturalmente enfrentei alguns casos onde o risco de vida era iminente. Entre os casos sobre os quais eu tenho vivência efetiva, pois as situações se passaram comigo, vou comentar três casos que me causaram grande surpresa ao verificar que o conhecimento que eu tinha "aprendido" dentro do Dôjô a nível de pontos vitais não correspondia àquilo que eu enfrentava na rua.

Num primeiro caso, após ter passado anos e anos a treinar técnicas para atingir pontos específicos, fui abordado na rua por um elemento... o confronto foi inevitável. Num determinado ponto, desferi o meu ataque a um ponto específico - já pensando no resultado que eu esperava. 
Para a minha surpresa e horror, o ataque ao ponto vital, com força mais do que suficiente, não produziu qualquer efeito no adversário em questão. Foram necessários quatro ataques no mesmo ponto para que o elemento fosse neutralizado (o que me deu uma margem de sucesso de 25% para um ataque ao referido ponto - muitíssimo abaixo do que eu esperava para um combate real)
A questão que se coloca é: : a técnica ao ponto vital não funcionou ou funcionou mal?!
Vejamos a situação de uma outra forma. Quando estamos em combate real, a adrenalina sobe em flecha... não só a nossa, mas a do adversário também! Aquilo que uma pessoa em condições normais poderia achar extremamente doloroso, sob o efeito da adrenalinha pode muito bem não sentir coisa alguma. Devemos estar preparados para esta situação... coisa que naquela época eu não estava. Mesmo atingindo o ponto certo, um único ataque não foi suficiente para derrubar o adversário. Descobrir isso no meio de um combate é a pior coisa que pode acontecer, pois abala os alicerces daquilo que julgamos dominar.

Num outro confronto também inevitável, utilizei uma técnica que para mim era potencialmente "inofensiva", quero dizer, não tinha objetivo em derrubar o adversário, tanto que o combate acabou com uma técnica apenas... mas vim a saber que o adversário teve o braço partido em três partes. Isso também foi uma surpresa enorme, pois quando fiz a técnica tinha por objetivo apenas "afastar" o adversário e nada mais, tanto que a técnica foi feita com aproximadamente 50% da força que eu podia utilizar. Neste caso, a técnica teve um aproveitamento de 300%...
A questão que se coloca é: a técnica funcionou bem demais?!
Novamente devemos analisar a situação no contexto de combate de rua onde a nossa vida está em risco e que todas as alternativas são válidas para sobreviver. 
Além disso, quando fiz a técnica não visei qualquer ponto vital. Apenas queria afastar o adversário.
Existem vários fatores que contribuem ou atrapalham o desempenho de um karateka em combate real. As falsas teorias sobre pontos vitais serem decisivos deveriam ser apresentadas de uma forma mais coerente. Há situações de hesitação, medo, insegurança... também há momentos em que o adversário simplesmente tem uma pura perda de controle sobre si mesmo - quer por problemas médicos, quer por efeito de drogas, alcool etc.

Num terceiro caso, estava voltando da praia com os meus irmãos menores quando fomos abordados por dois elementos, um deles com um bastão com pregos nas pontas. O combate era inevitável. Uns 5 segundos após ao início do combate, eu estava a aplicar um estrangulamento com o elemento que estava armado caído ao solo. Como no Dôjô eu já havia praticado milhares de vezes os estrangulamentos, sabia  - com 100% de certeza - que funcionavam (pois eu já tinha passado tanto por defensor como agressor na prática das técnicas - sabia "como" fazer e os seus efeitos a nível de tempo e resultados). 
Mas, na rua é diferente... não é a mesma coisa. Enquanto que no dôjô o Dôgi 道着 não rasga, na rua, a roupa comum rasga, cedendo à pressão! Definitivamente, a técnica não pode ser feita. Simples como isso! 
É uma situação completamente nova. 
Aquilo que eu julgava ser 100% a prova de falhas, falhou redondamente!
A questão que se coloca é: A técnica estava errada?!
De forma alguma! O que ensinado/aprendido funciona realmente a 100%... as condições do combate "não-linear" é que são imprevisíveis! 
Certezas dentro de um Dôjô, todos nós as temos, mas a realidade do combate de rua (não para marcar pontos) pode se revelar assustadoramente perigosa.

O que nos leva à questão dos pontos vitais e o seu ensino nas Artes Marciais.
Todo o instrutor deveria ser capaz de separar a fantasia da realidade e advertir os alunos que um ataque a um ponto vital tem mais probabilidade de atingir o objetivo esperado, mas que também estivessem prontos para a eventualidade de o adversário estar "anestesiado" por adrenalina ou sob o efeito de alucinógenos ou alcool... o que vai determinar sua maior ou menor resistência aos atques que efetuamos.. 
Infelizmente - não é bem isso que vemos nas escolas. Os pontos vitas passam a ser mitos e alguns "mestres" citam um ou dois para justificar o seu status quo.


Todo instrutor que se aventura pelo ensino dos pontos vitais geralmente cai num erro extremamente básico: a falta de vivência real na aplicação de técnicas aos pontos ensinados. 
E é bom que assim o seja, caso contrário andariam todos à porrrada constantemente e isso afasta-se das fronteiras do Dô 道(Caminho, Via).

Sou a favor do ensino de pontos vitais para todos os Yûdansha (faixas-pretas) e acredito que um shodan deveria saber 3 pontos vitais (1 jôdan + 1 chûdan + 1 gedan); um 2º Dan deveria saber 6 (2+2+2), um 3º Dan deveria saber 9 (3+3+3) e assim por diante. 

Mesmo que não representem 100% de certeza de Ikken Issatsu 一拳一殺 ("Um ataque, uma morte") aumenta a precisão e efetividade do futuro instrutor.


 KYŪSHO-ZU. Tabela de Pontos Vitais Básicos.

01. TENDŌ - Fontanela Anterior.
02. UTO or MIKEN - Entre as sobrancelhas.
03. KASUMI or KOMEKAMI - Têmpora(s).
04. DOKKO - Cavidade Mastoideana.
05. JINCHŪ - Base do Nariz.
06. SUIGETSU or MIZUOCHI - Plexo Solar.
07. GETSUEI - Hipocôndrio esquerdo.
08. KINTEKI or TSURIGANE - Testículos.
09. SHITSU - Joelho(s).
10. MYŌJŌ - Hipogastro.
11. DENKŌ - Hipocôndrio direito.
12. KACHIKAKE - Queixo.



押忍!Osu!

03. Requisitos do ensino.


Não há a menor sombra de dúvida que os modelos de transmissão de ensinamento variaram muito em poucos anos. Conceitos que até então eram "leis fundamentais inquestionáveis", como a terra ser o centro do Universo, foram superados por outros conceitos mais evoluidos. Acredite ou não, antigamente matava-se quem ía contra o que estava estabelecido. Podemos dizer que evoluimos... Ou não?

No mundo das artes marciais, em particular no Karate-Dō [空手道], parece que esta evolução ainda não se fez sentir em todas as escolas ou mestres mais antigos e o modelo de "avanço didático" ainda está a ser combatido por aqueles que se recusam a ver o óbvio na frente dos seus olhos. Por exemplo, ainda há instrutores que escrevem "Oss", "Ôs" quando já é fato comprovado que a transcrição fonética desta expressão corretamente a partir dos ideogramas 押忍 ou silabários おす japoneses é OSU.


... Além disso, formas incorretas de transmissão mascaradas sob falsas filosofias orientais não contribuem em absolutamente NADA para a evolução no sentido correto do ensino do Karate-Dō [空手道] ensinado nos dias de hoje. Por exemplo, ainda existem instrutores que, na hora do Mokusō [黙想], sentam-se de olhos fechados diante de uma turma de alunos sem NUNCA verificar se os alunos estão ou não a fazer o Mokusō [黙想] corretamente. Apresentam-se como "conhecedores do Zen", dotados de uma "perfeita atitude marcial". Sentam-se em Seiza [正座] sem ver a turma diante do próprio nariz! Naquele momento não estão a ensinar nada, não estão a ser instrutores... A conhecida expressão "Fechar os olhos e não pensar em nada" talvez tenha a sua razão de existir como escudo contra a necessidade de "estudar" o Karate-Dō [空手道] e serem revistos muitos conceitos fundamentais. Algo como "fecho os meus olhos para o fato de que ainda tenho muito o que aprender e não quero nem pensar em sair do meu comodismo medíocre".

A questão que se coloca neste preciso momento é:: por quanto tempo a terra ainda vai ser o centro do Universo para um seguimento considerável de instrutores?

Torna-se bastante claro que só podemos evoluir a partir do momento que temos a consciência de que podemos questionar, perguntar, procurar respostas, afastando-nos do comodismo e de desculpas patéticas como "Meu mestre disse que era assim...". O questionamento traz o estudo e a pesquisa. O estudo e a pesquisa trazem o conhecimento. 


Ser "macaquinhos de imitação" não é o que se espera de um instrutor (seja o DAN [段] que este possa ter), pois o instrutor é elemento que deve "instruir" outros seres humanos - com a responsabilidade que o cargo acarreta.

Caros amigos... A terra já não é o centro do Universo! 


O estudo do Karate-Dō [空手道] (ou das vias marciais num sentido geral) não é um privilégio, mas uma opção.

OSU [押忍]!

02. Estados mentais.

Tenho visto uma grande confusão entre YAME [止め] e YASUME [休め] em se tratando de execução dos KATA [型].
Independente de graduação ou do estilo de KARATE-DŌ [空手道], essa confusão parece ser comum para muitos. Vejamos... Um KATA [型] começa com uma "preparação" YŌI [用意], execução e conclusão. E é justamente na conclusão do Kata que está o problema. 
A voz de comando para "parar" os KATA [型] é YAME [止め], literalmente "Parar". 
Ao ouvir este comando, um grande número de praticantes faz a saudação e abandona a posição ou faz outro tipo de coisas impertinentes. 
O comando YAME [止め] implica manter a posição final em ZANSHIN [残心]!
Ou seja, enquanto não houver outra voz de comando, o praticante DEVERÁ manter o estado de alerta para as possibilidades seguintes:
1.Ser exigido uma nova execução do mesmo ou outro KATA [型] ou
2. Sair da posição, terminando definitivamente a execução do KATA [型] e, neste caso, só o fará após ouvir a voz de comando YASUME [休め] que significa "Descansar".


Mas alguém poderá perguntar: "O que é ZANSHIN [残心]?"
Eis uma boa pergunta!
Outro conceito muito falado e pouco entendido é ZANSHIN [残心]. 
Como sempre, vamos entender o que significa a palavra e depois elaborar um comentário que fundamente o termo em questão.
ZANSHIN [残心], onde 
  • ZAN [残] "Remanescente, que fica"
  • SHIN [心] "Espírito"
Assim sendo, ZANSHIN [残心] significa "Espírito remanescente".


"Mas o que isso significa?!"
Em artes marciais japonesas (não sei o suficiente sobre outras artes marciais de outros países) existem estados de consciência que são desenvolvidos ou adquiridos com a prática constante da arte que escolhemos. Entre alguns estados mentais específicos, tomemos os casos do MOKUSŌ [黙想] e ZANSHIN [残心].


O primeiro estado mental que conhecemos é o MOKUSŌ [黙想] "Pensamento silencioso" - Muito importante como degrau inicial para um estado mental posterior, pois ensina à mente a capacidade de direcionar, concentrar a atenção a um único ponto. Neste estado estamos completamente conscientes da nossa posição e de alguns metros a nossa volta. A mente está fixa em um determinado objetivo - concentrada nos movimentos (em caso de Kihon [基本] / Kata [型]) ou concentrada no adversário em caso de combate (Kumite [組手]). 
Mesmo assim, a mente está livre e focalizada ("Focus") ao mesmo tempo.


O segundo estado mental é o ZANSHIN [残心]. Está ao mesmo nível mental do MOKUSŌ [黙想], mas é "uma consequência de um evento", para o qual deve-se manter a mente direcionada. Por exemplo, atingimos o adversário com uma técnica... nos milésimos de segundo seguintes estamos num estado de ZANSHIN [残心] para saber se a técnica foi efetiva e atingiu o objetivo ou se o adversário vai contra-atacar. Essa "atenção que fica" após o evento, a "expectativa do resultado" é ZANSHIN [残心].
Quando terminamos um Kata [型], ficamos na expectativa da próxima voz de comando, seja o comando para uma nova execução do Kata [型] / técnica quer seja o comando YASUME [休め] "descansar".

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ADVERTÊNCIA:
O terceiro estado mental é MUSHIN [無心] "o não-eu", "o não-espírito", "o não-pensamento".
Este é o estado mental mais elevado que pode atingir o Karateka 空手家 ou qualquer outro praticante de artes marciais japonesas
Esta forma de estar advém da prática da meditação e da "compreensão do todo" e onde esta compreensão é a "não-compreensão do todo". Como o próprio caminho do Buda, esta natureza faz parte do que somos e, como tal, pode ser desenvolvida pela prática consciente.
Permitam-me agora abrir uma única exceção sobre o que eu sempre digo a respeito da transcendência nas artes marciais japonesas, porque é apenas neste único ponto onde podemos realmente encontrar a trancendência no Karatê. 
Contudo, só irá entender este estado mental aqueles que tiverem um conhecimento religioso búdico. É por esse motivo que eu omito conscientemente esta parte a nível de prática e teoria do ensino ocidental. 
É o estado onde a "concentração" é a "não-concentração", onde o "eu" é o "não-eu", onde os "fenômenos são o vazio" e "o vazio são os fenômenos"... 
A compreensão sincera do Maka Hannya Haramita Shingyô 摩訶般若波羅蜜多心経 "O Sutra do Coração"... O estudo das escrituras búdicas.
Nesse estado podemos atingir um estado próximo à iluminação espiritual através do combate.
Qualquer referência à religião está fora de questão para o ensino ocidental de artes marciais porque não temos conhecimento efetivo a respeito deste assunto. Portanto,  este assunto não volta mais a ser comentado. 

Para efeitos de karate-dô contemporâneo, para nós ocidentais e para os artigos por mim publicados, os estados mentais a serem atingidos pela prática constante do Karate-dô passam a ser apenas o Mokusô e o Zanshin


- Joséverson Goulart.- 
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Assim sendo, voltando ao assunto conclusão do Kata, ouvir o comando YAME [止め] NÃO significa que se pode sair da posição ou abandonar o estado mental correto (ZANSHIN [残心])!

01. Descomplicando o simples!


A diferença entre Zazen [座禅] e Mokusō [黙想]

Antes que alguém pergunte: "Descomplicando o simples?! Se é simples então não é complicado." é necessário entender o contexto, neste caso, as artes marciais japonesas (Budō [武道]) ensinadas no ocidente. Tenho visto inúmeras vezes conceitos japoneses simples ensinados de forma complicada por instrutores que não fazem a menor idéia sobre o que estão a ensinar... complicam o que é simples. Portanto é necessário "descomplicar o simples".

Como sempre faço em diversos fóruns sobre artes marciais, primeiro vou apresentar os termos japoneses, suas transcrições fonéticas, suas traduções literais e, por fim, comentários pessoais a respeito dos mesmos para explicar de forma simples... o que é simples.

ZAZEN [座禅] "Zen sentado" ou "Meditação sentada". Onde:
  • ZA [座] "Sentado" (sobre um colchão, almofada).e
  • ZEN [禅] "Zen" propriamente dito, ou seja, "meditação".

MOKUSŌ [黙想] *Pensar em silêncio". Onde:
  • MOKU [黙] "Em silêncio" e
  • SŌ [想] "Pensamentos, idéias, conceitos"


À primeira vista, torna-se óbvia a diferença entre estes dois conceitos, mas a verdadeira diferença entre ambos está num aspecto muitíssimo mais importante: enquanto que o Mokusō [黙想] é "ficar em silêncio" e pode ser feito por qualquer pessoa, o Zazen [座禅] implica uma prática religiosa Budista.

Inúmeros instrutores quando confrontados com a questão: "O que é Mokusō [黙想]?" São férteis em explicações místicas com elevados estados espírituais! Aqui neste campo "lançam para a transcendência" para mascarar a sua verdadeira ignorância. Ignorância, não no sentido pejorativo, mas no sentido de que "ignoram" o real significado do termo em questão. E não só ignoram o significado como também "como" é feito ambas as coisas.

Quantas vezes um instrutor que não entende absolutamente nada sobre Mokusō [黙想] deixou os alunos por um período de tempo sem fim, sentados em Seiza [正坐] - postura completamente desconfortável para nós ocidentais - apenas para mostrar aos alunos que ele, o instrutor, "tinha poderes marciais" acima dos comuns mortais? 
Quantas vezes ficamos com as pernas dormentes e os pés doloridos por estarmos sentados em Seiza [正坐] sobre uma superfície dura, sem que entendêssemos o motivo por que fazíamos tal coisa? Eramos guerreiros dizia o tal instrutor... suportávamos a dor! 
É verdade! Todos nós passamos por instrutores assim! 
Não faziam a mínima ideia do que estavam fazendo, mas era "zen"! 
E os desgraçados dos alunos tendo que usar a "via dolorosa" para atingir altos "estados de consciência"!

Este tipo de instrutor não só demonstrava a sua ignorância efetiva como também mostrava total desrespeito pelos seus alunos, pois "a provação, a dor nos pés" não via faixa etária (crianças ou velhos) dos que estavam a "elevar a mente". 


E a estupidez acabava aí? Claro que não, pois na filosofia destes mesmos instrutores "quando fazemos porcaria, devemos fazer bem feita!"... 


A falta de bom senso é visível quando um iniciante pergunta: "E o que devemos fazer quando em Mokusō [黙想]?" Resposta deste tipo de instrutor: "Fechem os olhos e não pensem em nada!" 


Nada podia estar mais longe da realidade e da verdade sobre o Mokusō [黙想]! 


A frase do instrutor está 100% ERRADA porque:
  1. Não explica o objetivo do Mokusō [黙想] para a prática marcial.
  2. Não se fecham os olhos quando se faz Mokusō [黙想].
  3. Só não pensa em nada uma pessoa que está clinicamente MORTA! Portanto, o pensamento existe enquanto formos "seres vivos".

O que o instrutor deveria fazer era:
  1. ANTES de começar um Mokusō [黙想], explicar o objetivo desta prática para os praticantes marciais: o objetivo é simples, preparar a mente para manter a atenção fixa ("focus") e o estado de atenção constante necessários para o treino de Kihon [基本], execução de Kata [型] ou diante de um adversário em Kumite [組手]. Nada mais do que isso.
  2. Manter os olhos semi fechados, a vista fixa em um ponto qualquer a aproximadamente 1 metro à frente, pois se alguém estiver cansado e fechar os olhos é um "empurrãozinho" para um soninho rápido.
  3. Deixar a mente livre para pensar o que quiser, ir para onde quiser, divagar sobre o que quiser... MAS - e aqui está o ponto principal da questão - NÃO SE MEXER! Manter imobilidade total! Não coçar, não virar cabeça, não mover parte alguma do corpo... A respiração - naturalmente - não conta!

Ao mantermos o corpo imóvel, obrigamos a mente a estar fixa no corpo, aumentando a sua capacidade de concentração de forma espontânea, sem forçar - diretamente - tal estado de concentração.

Isso não deve levar mais do que um minuto apenas. Quanto tempo precisas para começar um Kata [型] após o comando para iniciar? Quanto tempo precisas após o comando Hajime [初め] em combate? Uma questão de décimos de segundo! É este estado mental, o do Kata [型], do Kumite [組手] é que treinamos no Mokusō [黙想]. Seria um Yōi [用意] (preparação para uma atividade) mental.

Não é por entender e fazer um Mokusō [黙想] correto que seremos "menos marciais", muito pelo contrário. Estaremos a atingir o estado mental necessário para a nossa atividade em menor tempo, exatamente como estabelece a hierarquia de importância marcial do SHINGITAI [心技体] (Espírito, Técnica e Condicionamento Físico).

Sobre esse assunto, sem necessidade de entrarmos em aspectos mais profundos e, portanto, isto é tudo!


Osu [押忍]!